Nu masculino frontal

Norma Bengell, no primeiro nu frontal feminino do cinema brasileiro em "Os Cafajestes", em que contracenou com o notório cafajeste, Jece Valadão, de 1962.  Sua nudez, tal como a do protagonista de nossa história, causou escândalo... na sociedade da época.
Norma Bengell, no primeiro nu frontal feminino do cinema brasileiro em “Os Cafajestes”, em que contracenou com o notório cafajeste, Jece Valadão, de 1962. Sua nudez, tal como a do protagonista de nossa crônica, causou escândalo… entre os hipócritas de seu tempo.

Um cara subiu numa laje acima da mesa da assembleia nessa quarta-feira, dia 18, na FAU.

Tirou a roupa e estendeu um cartazinho contra o DCE. Dizia: “Mais do mesmo. DCE zuado”. Ofereceu ao público, por alguns segundos, diversão garantida com a exibição de seu torso e partes íntimas. De frente. Sim, deu para ver aquilo que o leitor está imaginando.

Aí…

Moças, militantes do Psol e do PSTU, diretoras do DCE, afetaram indignação, estupor e surpresa diante da nudez masculina. Protestaram…

Em vão, o rapaz retomou a exposição de suas partes pudendas, justamente oferecendo ao público uma ampla visão do seu próprio entrenádegas.

O horror entre as militantes do que chamam feminismo foi geral.

De pronto se passaram para o lado da Liga das Senhoras Católicas. Condenaram a nudez masculina. Disseram que era um absurdo, um ato opressivo e machista contra a mulher, contra os homens, contra os animais, as criancinhas e todos os que pudessem enxergar. O ato do rapaz era um horror, que deveria ser abominado por todos, que, por sua vez deveriam se revoltar contra o rapaz… 

… o rapaz que tirou a roupa para chamar a atenção para seu protesto contra o DCE.

Eis que, em meio às falações usuais da assembleia, “Fiona”*, militante de um partido que não é o Psol e que faz parte da diretora do DCE, pegou o microfone.

Os olhos marejados, a face avermelhada. Começou, com voz embargada, e quando terminou seus dois minutos de fala pareceram cinco. Foram cinco.

Dizia-se chocada, horrorizada com a violência e a opressão machistas a que todas as mulheres e, inclusive homens, foram expostos por conta da exposição do nu masculino frontal aplicado a fins de denúncia política.

Terminou aos brados. Dizia que é por isso que ela continua a militar (não para ver homens nus), mas para conquistar uma “graaaande vitória” para o movimento social estudantil da USP, que são as diretas já para reitor. Por isso, concluiu, já não chorando, mas sorrindo como quem saboreia uma vitória, chamando todos ao ato no dia 1º, durante a reunião do Conselho Universitário, que se chama CO, mas deveria ser CU.

Deixou a todos a conclusão evidente por si mesma:

Diante da nudez masculina inesperada e politicamente dirigida contra o DCE, todos devemos apoiar a “luta” pelas “diretas” para reitor. De quebra, condenar hipocritamente a nudez masculina.

Ao final da assembleia, o nudista pedia, junto à mesa dirigente dos trabalhos, o seu direito de resposta. Os democratas que dirigem o DCE e as assembleias fizeram ouvidos moucos. Apenas a intervenção de uma moça pode garantir ao agressor nudista e “machista” alguns instantes ao microfone para defender sua posição. Psoletes e pstuzetes tentaram vaiar, mas as pessoas pararam para ouvir. Foi aplaudido pelo público humano. As baratas tentaram se passar por hienas.

Em off, um militante independente do movimento estudantil, que se considera na oposição ao DCE, afirmou que teria visto a própria “Fiona”* rindo diante da primeira exposição de nu masculino frontal. Isso leva a crer que ela não estaria sendo tão sincera quando fingiu nunca ter visto um pênis. Jamais saberemos.

O Crápula

*Os nomes aqui são fictícios, para preservar a integridade das pessoas envolvidas.

27 comentários

  1. A matéria tem bastante comentário. Mas os contrários não foram capazes de elaborar um maldito argumento contra o conteúdo do texto.

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    • Como bons politiqueiros que são, os adversários dos pontos de vista do autor tentam aplicar uma manobra parlamentar contra ele. É a técnica da obstrução. Não são precisos argumentos, basta sair do assunto e empilhar frases sem significado nenhum para tentar tirar o conteúdo do texto de foco… Sorte do autor que os leitores, geralmente, começam a ler as coisas pelos títulos, e nunca pelos comentários.

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  2. PCO sempre sendo PCO: bastante machista esse texto, hein? Vcs são ridículos, essa é a grande verdade. Partem de uma falsa igualdade entre homens e mulheres, como se um cara que mostra o pinto e balança enquanto mulheres estão falando no microfone fosse a coisa mais progressista do mundo. Vcs são a vergonha da esquerda combativa, isso sim.
    Vão estudar mais sobre feminismo antes de fazer essa comparação de nudez masculina x nudez feminina. Vcs analisam o machismo de maneira completamente sincrônica, o que prova mais uma vez a sua incapacidade enquanto partido que se diz de esquerda. Poupem-nos!

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    • Pelo menos o PCO faz parte da esquerda combativa… porque essa esquerda adaptativa ao poder, da qual fazem parte o Psol e o PSTU, pelamordedeus! Como são pelegos e puxa-sacos de professores/reitores/autoridades etc.

      Vc, cara “Feminista”, sabe muito bem, até melhor do que eu, que não se trata de uma luta em defesa da mulher… No caso em questão não há nenhuma ameaça contra as mulheres em jogo… é pura política… ou melhor, politicagem… A moça do PSTU que fez aquele dramalhão na assembleia, começou chorando e terminou gritando pelas diretas já… Ninguém é tão bobo assim, Feminista…

      Vocês é que deveriam parar de abusar da ingenuidade e boa vontade alheias e deixar de arrastar a luta das mulheres na lama quando se trata de defenderem os interesses políticos que vcs estão defendendo. Querem um professor do Psol na reitoria… não escondam a verdade… Falem-na abertamente… digam: queremos que o prof. Fulano de tal possa ser eleito…. Aí, só vai faltar o resto dos professores concordar com vcs… vcs vão lá numa assembleia da ADUSP tb chorar porque um rapaz tirou a roupa na assembleia dos estudantes na FAU? Será que vai colar?

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    • Nudez masculina politicamente dirigida contra o DCE. Vamos ser claros. Você que tentou abstrair “nudez feminina” contra “nudez masculina”. Como se o falo fosse sempre um símbolo de opressão. Não adianta dizer que fulano não estudou. Tem que argumentar direito, por mais torcida que vocês possam juntar. As pessoas não estão engolindo certo tipo de golpe.

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  3. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  4. Acredito que o objetivo dele era mostrar o quão hipócrita pode ser a atitude de algumas mulheres que se dizem feministas, que criticam a atitude conservadora e machista de algumas pessoas, mas cometem exatamente o mesmo erro quando os papéis se invertem. Lembrando que apoio a luta feminista, mas podem falar o que for, a atitude dele não foi errada. Algumas mulheres, infelizmente, confundem femismo com feminismo, e qualquer atitude que um homem tomar, soará “machista”.

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    • Tá mais do que claro que a condenação pretensamente feminista do rapaz, pelas pretensas feministas do PSOLTU, é apenas uma maneira porca de se defender… porque… não existe nada mais sagrado para esses politiqueiros de quinta categoria do que as posições que eles galgaram… E, por se oporem frontalmente a ela, defender-se da opinião pública acaba sendo sua diretriz primária

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    • É, amiga feminista… ler faz mal à saúde. Vá lá torcer para ter o Psol na reitoria… aí, quem sabe, vc não vá precisar mais ler nada na sua vida! Ou, se quiser, se for um problema de analfabetismo, eu desenho pra você o que o rapaz fez na assembleia e o que ele quis dizer

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    • Poxa, que legal a sua resposta, heim? Quantos argumentos em apenas duas palavras e um ponto final… Se é o PCO, corram! Hahahahah uau… quanto tempo será que vai durar essa superstição da esquerda, de que o PCO tem que ser desprezado só porque uns babacas como você acham que o bom mesmo é ficar pagando pau para professor e torcendo para ter um/a reitor/a do Psol na USP?

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  5. É preciso exigir do Psol, como representantes, a publicação das pautas de suas inúmeras reuniões com o Amadio.

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  6. Ah claro, pq uma nudez masculina é a resolução de todos os problemas políticos do país. E falar contra uma coisa inútil é não ser feminista! Brilhante texto!

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  7. Essa é nossa elite nesse país. Bradando contra a dissolução da família enquanto passa o ferro na empregada.

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