QUE DEMOCRACIA É ESSA QUE O REITOR PROPÔS, QUE OS PROFESSORES, FUNCIONÁRIOS E O DCE APOIAM?

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O Reitor esta defendendo eleição “direta” para Reitor, provavelmente antevendo a derrocada do PSDB do governo do Estado e o risco de uma PeTização de São Paulo e ai a hegemonia da classe que o Reitor representa seria ameaçada. Não desconsiderem que mesmo sendo o segundo colocado, esse cidadão contou e conta com o apoio substancial dos professores e funcionários da USP.

O mais surpreendente e incrível é o tipo de democracia que eles estão defendendo e o nosso DCE defendendo junto; uma democracia proporcional onde o voto de um professor guarda poder decisório de 15,7 alunos e um funcionário o de 5,5 alunos. Isso tudo em uma eleição que deveria ser majoritária, afinal trata-se do cargo máximo da Universidade, o de Reitor, aquele que guarda poder para fazer convênios com PM e Fundações, punir e expulsar alunos, mas que não tem o poder de demitir um simples professor.

Temos na USP 92064 alunos regulares, 16837 funcionários e 5860 professores e considerando que as duas últimas categorias guardam uma relação funcional com a entidade, possuindo interesses próprios típicos, muitas vezes diferentes e conflitantes àqueles propósitos essencialmente acadêmicos dos alunos, teríamos que o Reitor precisaria convencer a votarem nele 1 professor ou 16 alunos, 1 funcionário ou 6 alunos, ou seja unindo parte dos professores e parte dos funcionários eles elegeriam o Reitor sozinhos, mesmo que os alunos na sua totalidade discordassem do candidato. Esse é o sistema que o DCE estranhamente apoia.

Isso não é democracia e muito menos eleição direta para REITOR, é a consolidação de oligarquia e oligarquias são difíceis de serem derrubadas depois de consolidadas.

Vejam o que aconteceu na FEA no plebiscito para instalar catracas. Catracas essas que serão na sua essência utilizadas para limitar e controlar o acesso de alunos.

http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2013/08/catracas-na-fea-seguranca-ou-mais-isolamento/

Mais de 70% dos alunos votaram contra a instalação das catracas mas, mesmo assim, elas foram aprovadas pois meia dúzia de professores e funcionários votaram a favor e como a votação era paritária, a proposta saiu vencedora mesmo contra a vontade da maioria dos diretamente afetados.

Vão destinar polpudos recursos para a instalação do aparato, [aproximadamente R$ 1,2 milhão], recursos que podiam ser aplicados em áreas mais carentes, mais urgentes, mais necessárias, mas a votação paritária venceu.

Será que esse fato não foi suficiente para demonstrar que os interesses são conflitantes. Que os alunos se preocupam mais com os interesses dos professores e funcionários que eles com os dos alunos. Que quem pensa exclusivamente na academia são os alunos

E AGORA VAMOS ENGOLIR EM SECO O REITOR QUE ELES INDICAREM?

O Reitor já seria, por imposição institucional acadêmica, algum professor titular, e naturalmente teria vínculos com a classe dos professores e seus interesses, que seriam comuns.

Dessa forma o compromisso dos candidatos a Reitor com os alunos seria o contrapeso da relação, teriam que estabelecer algum compromisso com os interesses dos alunos. Seria a única forma de terem alguma voz para decidir os destinos da universidade.

Hoje os alunos são vistos como entraves aos interesses, são processados, expulsos, punidos e enganados.

Como seria a universidade se os professores tivessem o poder de indicar o Reitor sem que esse tivesse a necessidade de qualquer compromisso com os alunos?

Seria ainda pior que agora. Hoje o Reitor precisa precariamente contar com apoio dos alunos na necessidade de se contrapor politicamente ao Governador ou ao Legislativo. O evento dos decretos do Serra são exemplos de como os alunos foram usados pela reitoria para obter seus intentos.

Não precisando desse apoio, a qual pressão dos alunos eles atenderiam? A nenhuma, só responderiam a eles mesmos, nem ao governador, o agente público um pouco mais sensível ao apelo popular, ele teria que dar satisfação, seria a oligarquia dos professores. Para os alunos sobraria a PM.

Hoje eles já detêm o poder decisório da Universidade. O Conselho Universitário (CO) é essencialmente composto por professores, a eleição paritária manteria isso com maior profundidade e alcance.

NÃO SE DEVE CONFIAR EM TODOS OS PROFESSORES, UMA GRANDE MAIORIA PRECISA DE CONTROLE, mantidos em rédea curta. São eles que instituem fundações privadas, manipulam verbas, decidem o vestibular, trabalham por interesses próprios. Isso tudo, com esse sistema de eleição iria ficar ainda pior.

Será que prometeram alguma coisa ao DCE para que engolissem isso ou foi só ingenuidade mesmo.

Isso não é democracia, é ditadura representativa, é a validação final da oligarquia.

Luís Rodrigues da Silva é Engenheiro, Advogado, Bacharel em Letras e aluno da graduação em Letras da FFLCH e não gosta dos rumos que o movimento estudantil esta tomando.

4 comentários

  1. Por trás do discurso de paridade há uma supervalorização da categoria com menos membros – a dos docentes, olha só! Oras, se os professores são tão bons assim não precisam valer cada um mais que 15 alunos.

    Fazendo uso de seus conhecimentos, argumentações e, digamos, demais atributos, podem influenciar os pensamentos de estudantes – o que já acontece, com ou sem eleições, com ou sem paridade!

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  2. Nessa tal paridade, que diz visar um equilíbrio entre as tais três categorias, há uma seleção.

    Já me perguntaram: os professores também não são funcionários? Pois é, então por que constituem categoria à parte?

    Pós-graduandos têm uma relação formal com a USP bem diferente de graduandos. Por que não quatro categorias, então?

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  3. Digo que cada um vale um!

    E não esse esquema burro, no qual o voto de cada pessoa fica mais forte conforme a categoria à qual pertence fica menos numerosa.

    Oras, se dois terços dos funcionários sair da USP o voto de cada funcionário que fica passa a valer três vezes mais. Se o número de professores dobrar, o voto de cada docente passa a valer duas vezes menos.

    Esse esquema tosco da paridade é uma aberração em termos de democracia!

    E o melhor é que nem exista esse cargo de REItor, que concentra tanto poder.

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  4. Os funcionários da USP, em decisão Congressual, posteriormente reafirmada em assembleias, defendem voto universal, ou seja, cada pessoa corresponde a um voto.

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