Todo apoio à ocupação! Greve geral universitária!

Assembleia geral decide: ocupação mantida, greve geral!
Assembleia geral decide: ocupação mantida, greve geral!

Centenas de estudantes ocuparam a reitoria e deflagraram, na assembleia realizada na noite desta terça-feira (1º/10), a greve geral contra a intransigência e a truculência do reitor e da burocracia universitária.

A direção da universidade se recusou, ontem, a abrir a reunião do Conselho Universitário (CO) e permitir que os estudantes participassem da discussão sobre o regime de poder na USP.

A ocupação da reitoria é um protesto legítimo contra a verdadeira ditadura que existe na USP, na qual a opinião da esmagadora comunidade universitária não conta para nada. Por esse motivo, é preciso apoiá-la com a paralisação das aulas em todos os cursos, em todos os campi.

 

O que a assembleia geral desta terça aprovou?

 

Além da manutenção da ocupação (por aclamação) e da deflagração da greve geral, os cerca de 600 estudantes reunidos nesta terça-feira em frente à reitoria discutiram os eixos da mobilização.

Em lugar de votar uma proposta contra a outra, opondo uma reivindicação a outra, a assembleia decidiu votar cada proposta separadamente, de modo a que a aprovação de uma não implicasse na anulação de outra.

 

Estatuinte livre e soberana

 

O primeiro eixo votado e aprovado foi a realização de uma estatuinte livre e soberana, para mudar a estrutura de poder da universidade de alto a baixo.

A assembleia decidiu também pela eleição com votação paritária, em lugar de “universal”. Isto é, cada categoria representa um voto, independente de que uma seja composta por cinco mil pessoas e outra por 80 mil. É o contrário do sistema habitual de “cada cabeça um voto”, muito mais democrático.

 

Fim do conselho universitário e pelo governo tripartite da universidade

 

Uma decisão importante foi pelo fim do conselho universitário e pelo governo tripartite da universidade. O DCE, no entanto, defendeu a manutenção do atual sistema baseado no reitorado e no conselho universitário composto por uma maioria de professores ligados à reitoria . Foi derrotado na assembleia.

 

O que querem os estudantes e o que quer o DCE

 

Na votação deste último eixo, o governo tripartite da universidade, houve muita confusão. Ao apresentar ao plenário a proposta, dirigentes do DCE que estavam na mesa da assembleia procuraram descaracterizá-la.

Originalmente, a proposta enviada à mesa previa que o governo tripartite fosse proporcional, ou seja, que cada categoria (estudantes, professores, funcionários) estivessem representados de acordo com o seu verdadeiro peso na universidade. Apoiando-se na votação feita pouco antes de que o modo de eleições na USP deveria ser paritário, uma verdadeira aberração, o DCE impugnou arbitrariamente essa parte da proposta.

Mesmo assim, a derrota do DCE foi decisiva, pois inviabilizou a proposta de “diretas para reitor”, que não pode ser sequer votada. A votação era tão importante que a direção do DCE fez com que ela fosse feita e refeita cinco vezes, pois não queria aceitar o seu resultado. Por fim, por 243 votos contra 222, a assembleia aprovou a luta pelo governo tripartite da universidade.