MNN: quem te viu… te viu

Um comentário de quem já está há tempo demais na USP 

Em 2007 um grupo de pessoas que pareciam enxergar o mundo apenas em preto, branco e vermelho, chamava-se então Negação da Negação.

Achavam que era preciso “destruir a universidade burguesa”. Opuseram-se, portanto, à ocupação da reitoria ocorrida em maio daquele ano porque os que ocuparam queriam “reformas” como: mais vagas no CRUSP, o fim dos decretos do governo Serra que tiravam a autonomia da universidade etc.

Se você é pela destruição da universidade burguesa não pode ser a favor de reforma-la, correto? Não é legítimo, portanto, ocupar para obter uma reforma, já que não se quer uma reforma. Mas eram apenas eles que não queriam.

Sob outra justificativa, é claro, os novos-velhos conhecidos do movimento estudantil (Psol e PSTU) repudiaram também a ocupação e se recusaram a ocupar. Eles, que agora estão na direção do DCE, queriam reformar (o mínimo possível, sempre) sem ocupar.

Nisso, MNN e Psol/PSTU tinham acordo: ocupar não era uma boa.

Pois nessa quinta-feira, 3 de outubro de 2013, seis anos depois da fatídica ocupação da reitoria em 2007 repudiada pela Negação da Negação, uma nova Negação levanta a voz. Pedem a “reforma possível”… as “diretas já” para reitor.

Não por coincidência, certamente, Psol e PSTU querem o mesmo. Defenderam o mesmo. Aplaudiram-se mutuamente na última assembleia. Concordam de novo: diretas já.

Mas isso ocorreu justamente quando a própria assembleia votou e decidiu: os estudantes não querem reitor, portanto, não querem votar pra reitor; querem acabar com a reitoria e governar eles mesmos a universidade, junto com professores e funcionários. Foi o que foi aprovado, decidido, deliberado pelo movimento, assim como em 2007 os estudantes ocuparam a reitoria para obter reformas.

Não dá nem para dizer que o Movimento Negação da Negação mudou depois que acrescentou a palavra “movimento” a seu nome e o azul entre as cores “possíveis” na sua paleta. A bússola desta pequena organização se orienta pelo magnetismo da política conservadora dos setores ultra-moderados do movimento estudantil. Sob a pretensão de ser uma vanguarda e apontar o caminho, se tornaram a expressão do atraso político e da confusão do movimento.

É preciso repudiar em bloco os que são conservadores por natureza e os que por natureza se orientam pelos conservadores.

É tempo de mudança profunda na universidade, não de reformas superficiais. O reitorado está em decadência evidente, é preciso terminar a obra iniciada pelos estudantes de 2007 e acabar de uma vez com ele. É preciso demolir a instituição-reitoria e colocar em seu lugar uma forma efetivamente democrática de administração da universidade: que a universidade seja controlada pela própria comunidade universitária, e não por um interventor do governo do Estado.

Por um governo tripartite proporcional ao número de estudantes, funcionários e professores (80%, 15% e 5%, respectivamente), sem reitor, subordinado à assembleia geral universitária. 

Por uma estatuinte livre e soberana.

Rafael Dantas

4 comentários

  1. O PCO gosta de falar mal das outras legendas porque não existe…é um feudo familiar…spray de Pimenta…eles chegam tão prontos, tão certos, que quando a realidade se mostra contrária a ideologia eles mudam a realidade, não a ideologia, isto é, fazem leituras que já sabiam antes de ler…prefiro Oswald…”não li e não gostei”…Jogo dos 7 erros…1 – PCO não existe, é uma vaidade que a família Pimenta quer 2-Negação da Negação é um dos poucos senão único movimento nascido das entranhas da universidade, ou seja. grupo gerado e gerido por alunado crítico cansado de ter de se encaixar no “como se faz política” já encartilhado pelos partidos que buscam a USP com seus panfletos malhados e repetitivos que só mudam o foco: o local de arrebanhamento.3- Se vc acha que vou chegar ao 7 eu tambem acredito nas minhas mentiras…

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  2. Adoro o PCO, sempre a vanguarda de qualquer movimento. É apenas um feixe de luz daqueles tantos que compõem a esquerda fratricida. Este tipo de opinião, que coloca o PCO como vanguarda de qualquer coisa, para mim é uma falta de grandeza enorme.

    E outra, poder gerido democraticamente? Eu duvido, assim como eu sempre duvidei de vocês quando de simples debates com alguns de vocês que, pela falta de argumentos e por essa mentalidade esquerda atrasada (vivida nos anos 20, mas não hoje) e essa falta de união com quem pensa diferente (oras, basta ver a reação contra um colega meu alguns anos atrás, que apenas queria mais informações sobre a ocupação de 2007 e foi tachado de “verme” e de reacionário – adoram essas palavras!)

    Lamento mesmo não deter esse pensamento de vanguarda e ser um incrédulo cretino tanto de seu sentimento de liderança quanto o respeito para com os outros que vocês demonstram por aí.

    Ah é, como ouvi outrora, respeito é um termo “cunhado pela burguesia”. Fala sério.

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  3. Governo Tripartite subordinado a decisão da assembleia seria derrubado toda semana. Eu fico pensando uma mesma gestão com partidários do PSDB, PSOL, PCO, MNN, PSTU, PT, DEM, entre outros em um mesmo governo, com iguais poderes se reunindo para uma tomada de decisão administrativa. ahahahahahahah. A Universidade é um microcosmo subordinado a arrecadação de impostos do Estado e deve repetir a mesma forma de governo para se ter compatibilidade, correspondencia e possibilitar o diálogo entre as esferas de governo.. Primeiro muda-se o governo superior para depois mudar a administração das autarquias.
    Qualquer outra possibilidade, como demonstrou a assembleia que mesmo somente tendo membros de uma pretensa esquerda, tornaria a entidade ingovernável e impossível de ser dirigida a sua finalidade.
    No atual contexto já ficaria satisfeito por hora na eleição direta do Reitor vez que ele teria, para ser eleito, que fazer uma proposta que atendesse os interesses dos alunos prioritariamente, e os interesses dos alunos passam pelo dos professores e funcionários.
    Fico curioso:
    Qual seria a posição dos alunos se, com a carência de recursos suficientes tivessem que decidir entre dar aumento para os atuais professores ou contratar mais professores?

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