A manobra do informe, entre outras

Na assembleia geral da última quinta-feira uma manobra foi usada logo de entrada. O tempo dado aos informes, depois de mais de uma hora de atraso para o início da assembleia, inviabilizou discussões mais aprofundadas sobre pontos mais polêmicos. A discussão sobre os eixos da greve e as ações a serem tomadas só pôde ser iniciada às 21h e obviamente foi estourado o teto estabelecido para a discussão.

Assim, algo que é tradicional no Movimento Estudantil como os informes em assembleia, é usado como obstáculo para a discussão honesta por quem rege a assembleia, e não como fator de esclarecimento do plenário.

A situação em diversos cursos que não possuíam representantes presentes, por exemplo, era informada por representantes do DCE, que já aproveitavam a fala para fazer defesa e exaltar a as suas posições. Como era o DCE quem controlava em quais cursos há informes, já que estão no poder da mesa, distribuíam e colocavam a cargo de seus membros a exaltação das diretas pra reitor em cada um desses cursos mais afastados contra a proposta de fim do reitorado.

Uma solução possível para evitar informes intermináveis que esfriem a assembleia e impeçam a discussão, seria a redação de informes para serem entregues em escrito ao plenário antes do início da assembleia (com possibilidade que informes complementares sejam feitos) e/ou lidos resumidamente por um membro da mesa, e imparcialmente.

Assim, os dados objetivos da situação da mobilização nos cursos poderia ser analisada de maneira mais detida e imparcial.

A comissão de comunicação da ocupação da reitoria, já possui a capacidade de reunir e organizar um informe da situação geral da USP nos cursos e com relação a audiências e mobilizações. Esta poderia ter um papel de informar mais amplamente, seja por um boletim informativo na internet e impresso, regular, seja por um boletim entregue na assembleia.

Além da questão dos informes, as manobras, como sabemos bem, variam de acordo com a situação. Mas é bom nos precavermos e impedirmos desde o início as clássicas manobras de assembleias:

– a possibilidade de troca de um escrito por outro, o que é utilizado muito por Psol e PSTU para que os mais articulados do grupo sempre tenham fala, mesmo quando não sorteados;

– a possibilidade de que informes de um curso sem um representante presente seja passado a um membro do DCE;

– a acusação a grupos de oposição de estarem tumultuando a mesa, quando apensas estão sendo impedidos de terem questão de ordem colocada;

– as revotações de propostas por diversas vezes para confundir o plenário, quando na verdade o ideal seria fazer a contagem dos votos caso não haja contraste nas propostas;

– a postergação da discussão com votação sobre se é possível votar uma questão;

– o monopólio do DCE na mesa, acusando a oposição de querer votar uma nova composição para tumultuar a assembleia.

R.G.

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