Estudantes mostram o caminho

Diante da verdadeira ditadura imposta nas universidades, os estudantes estão se levantando em todo o País, para lutar pela liberdade de organização, pela autonomia universitária, pelo direito à permanência e contra a atual forma de poder nestas instituições.

Da reitoria da Unicamp ocupada: “USP e UnB, tamo junto!”
Da reitoria da Unicamp ocupada: “USP e UnB, tamo junto!”

Na USP, a ocupação ocorreu na última terça-feira, durante um ato para exigir que a reunião do Conselho Universitário fosse aberta.

Na Assembleia Geral dos Estudantes, ocorrida extraordinariamente no mesmo dia, ainda foi aprovada a greve geral discente e a luta por um governo tripartite na universidade. Os estudantes falam também na retomada dos blocos K e l, onde funcionam a reitoria hoje, em exigir o fim dos processos contra estudantes e funcionários perseguidos politicamente, reivindicando a reincorporação dos expulsos e demitidos políticos, a saída da PM etc.

O movimento na USP já recebeu apoio dos estudantes de diversas universidades e de outros movimentos e organizações.

Os dois principais jornais da burguesia paulista publicaram, logo no primeiro dia do movimento, editoriais atacando-o. A Folha de S. Paulo, na defensiva, chamou a pauta da ocupação de “Fetiche Democrático” e defendeu a lista tríplice.

Já O Estado de S. Paulo atacou a ocupação, chamando-a de fruto de “facções minoritárias” e afirma que as ocupações não podem ser mais “toleradas”.

Rodas também fez sua parte. Além de ter dado uma entrevista no dia seguinte à ocupação, caluniando e ameaçando participantes do movimento, o reitor pediu à Justiça a reintegração de posse, que foi Negada. A reitoria cortou a água e a luz do prédio.

O fato de o juiz ter negado a reintegração, afirmando que o movimento poderia ser político, também mostra a força do movimento diante da crise política da direita, do governo do PSDb.

Na USP, a reitoria não é o único lugar ocupado. Os estudantes da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, que estão em greve desde o dia 11 de setembro, devido à descoberta de contaminação por metano no solo do campus leste, decidiram pela ocupação da diretoria acadêmica. O prédio da direção está tomado desde o dia 2 pelos estudantes que lutam também por moradia neste campus e pela saída do diretor da faculdade.

Na Unicamp, a ocupação se deu após a reitoria liberar a entrada da PM nos campi, usando como pretexto a morte de um estudante durante uma festa. A situação é similar ao ocorrido em 2011 na USP, onde a reitoria também usou uma fatalidade para justificar o convênio USP-PM e os estudantes responderam com a ocupação da reitoria. Os estudantes da Unicamp também já declararam apoio à ocupação da USP. Mas, diferente do que acontece na capital do estado, a Justiça já concedeu a ordem de reintegração de posse para a reitoria.

A ocupação e a greve na USP e as experiências anteriores na própria USP e das outras universidades mostram que a única forma do movimento estudantil se fazer ouvir é através da própria mobilização e de seus métodos de luta. Toda essa mobilização precisa ser mantida para que de fato os estudantes possam colocar suas pautas e conseguir mudanças concretas na forma de poder e impedir o desmonte da universidade pública.