“Diretas para reitor”: uma farsa

A atual gestão do DCE, “Não Vou me Adaptar” (Psol/PSTU) vem fazendo uma campanha por eleições diretas para reitor, que vem se revelando como a farsa que é, a medida que os estudantes se mobilizam. Além da própria proposta do DCE não ser de fato por diretas, o que estes querem é uma mudança qualquer, que possa ser aceita pelos professores, pelo reitor e sua burocracia.

A prova maior da farsa por “democracia na USP” está em que ninguém se opôs a ela. Até mesmo o ditador, João Grandino Rodas, fez questão de se colocar ao lado desta campanha, criando uma página da USP para a sua “democratização” e colocando a discussão no Conselho Universitário, por mais tortuoso que tenha sido esse procedimento.

Ainda mais surpreendente, foi o apoio do reitor ter sido reconhecido e aceito pela diretoria do DCE como verdadeiro. Deram a cobertura “democrática” necessária às palavras vazias do reitor. Tão vazias quanto as do próprio DCE pedindo a “democratização” da USP. Diante da decalração do reitor, a direção do DCE afirmou:

“Rodas assume a necessidade de democratizar as eleições para reitor na USP. E o motivo para isso é claro: atualmente, os reitores da USP — inclusive Rodas — são eleitos de maneira escandalosamente antidemocrática”.

Que poderíamos concluir disso? Que o DCE conseguiu convencer o reitor-interventor da necessidade da democratização da USP! Um verdadeiro milagre de santos do pau oco.

O DCE reafirmou na sua “Nota sobre o pronunciamento de Rodas sobre eleições para reitor”:  “Nesse momento, portanto, nos enchemos de confiança. Se Rodas quer democratizar, muito bem. A proposta histórica de professores, funcionários e de nós, estudantes, é clara e simples: ELEIÇÕES DIRETAS JÁ. Com participação de todas/os e peso paritário. Como deve acontecer em qualquer espaço democrático”.

Ou seja: confiaram no “diálogo” e no caráter “democrático” do reitor. Não só aceitaram o engodo, como fazem parte da encenação “democrática”.

A proposta do DCE não difere muito da dos professores e daquela que a própria burocracia poderia aceitar. Não são a favor de eleições diretas, já que o “peso paritário” que propõem significa que o voto de um estudante vale 16 vezes menos que o de um professor. Isso não é eleição direta, é uma farsa completa!

A farsa das diretas do DCE estabelece um regime em que os estudantes, que estão em maior número na universidade, possuem a menor força e os favorecidos são os professores que, além de ser a menor categoria já possuem maior poder de influência e decisão.

O DCE diz que quer que a comunidade escolha o reitor e diretores de unidade por meio do seu projeto de “eleições diretas”. Mas, na realidade, defendendo a paridade como fazem, estão defendendo apenas que um número maior de professores do que o atual possa efetivamente escolher (e, portanto, se candidatar) quem ocupará os cargos dirigentes

A proposta que mais se destaca nesta falsa campanha por democracia é, de fato, a da Associação de Docentes da USP (ADUSP), que também tem em sua direção membros do Psol e PSTU. Nesta, nem mesmo há eleições “diretas paritárias”, mas apenas uma consulta à comunidade, também de forma paritária, que indica um dos candidatos para a lista tríplice, para ser escolhido pelo governador do estado. Caso isso seja aprovado, a ADUSP conseguiria eleger um membro para esta lista, com o apoio das entidades representativas de estudantes e funcionários.

Mas qual é o sentido de manter a figura autoritária que é o reitor? Por mais “democrático” e “a favor do movimento” que o déspota eleito for, ainda tomará decisões sozinho ou, quando muito, apoiado em um C.O. eleito de modo igualmente antidemocrático.

O que está em jogo não é uma verdadeira democratização da USP, como estes procuram mostrar, mas uma campanha eleitoral para a própria reitoria. É por isso, também, que a direção do DCE está se esforçando ao máximo para ir contra a proposta apoiada pela maioria dos estudantes nas últimas assembleias, de governo tripartite para a universidade.a.

Paulo Coelho

 

2 comentários

  1. Para que um estudante valha 16x menos que um professor vocês estão supondo que os 96000 alunos da Universidade votarão? Nas votações mais expressivas pra DCE e afins mal se chega a 10.000. Para reitor haverá mobilização pelo voto total, ou só pelo voto dos que participam do ME?

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    • O autor do artigo supõe que toda a comunidade acadêmica tenha o poder de escolher seus representantes na direção da universidade, bem como de diretorias etc.. Isso seria, na concepção defendida nesse artigo, parte das atribuições de estudantes, funcionários e professores enquanto membros da comunidade acadêmica.

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