NEGOCIA, REITOR!

Para o juiz do TJ-SP, o homem de cabelos acaju e ternos old-fashioned deve sentar à mesa com os estudantes e discutir democraticamente suas reivindicações
Para o juiz do TJ-SP, o homem de cabelos acaju e ternos old-fashioned deve sentar à mesa com os estudantes e discutir democraticamente suas reivindicações

Juiz rejeita reintegração de posse pedida por Rodas e, na prática, diz: “negocia, reitor”

Nesta quarta-feira (9), a Justiça de São Paulo negou o pedido de reintegração de posse movido pela reitoria da USP.

A decisão coube ao juiz-auxiliar Adriano Marcos Laroca analisou o pedido de liminar (decisão provisória) feito pela reitoria diante dos resultados da audiência de conciliação realizada nesta terça (8). Não houve acordo na audiência. A reitoria disse que só negociaria quando os estudantes desocupassem o prédio.

Em outras palavras, caro leitor, uma importantíssima derrota para a reitoria.

Como sabemos, a reitoria, que não quer saber de conversar com os estudantes, está movimentando seu aparato jurídico (menos o Sr. Pinto de Carvalho, que tem mais o que fazer com o seu tempo diante de um computador) para recorrer da decisão do juiz.

Rodas quer levar a briga para o terreno da tecnicalidade judicial ao invés de encarar a luta política que se abriu na universidade. Ao que os estudantes devem responder, com firmeza e determinação: não vamos abaixar a cabeça para ninguém. Queremos o que é nosso! Fim do reitorado! Dissolução do C.O.! Por um governo tripartite proporcional! Por uma estatuinte livre e soberana!

Sobre o caráter da decisão do juiz

 

A decisão é profundamente desmoralizante para Rodas, seus cupinchas tucanos e tucano-comparsas.

Trocando em miúdos, resumiremos aqui os princpais pontos do que o juiz afirmou. A íntegra da decisão está logo abaixo nesta página:

• A ocupação é um ato político

• É produto da intransigência e autoritarismo da própria reitoria

• Que reprimi-la é uma atitude autoritária, que apenas reforça a arbitrariedade anterior da reitoria e em nada colabora para promover o diálogo democrático ente as partes

• Que, ao invés de recorrer ao Judiciário para que este “legalize” a repressão, a reitoria e demais administradores deveriam procurar dialogar com os estudantes

• Pega mal mandar de novo a tropa de choque fazer aquele espetáculo cinematográfico simplesmente para calar a voz dos descontentes.