“O crime de Luís”

O retorno do sr. Pinto*
O retorno do sr. Pinto*

O Superintendente Jurídico da reitoria da USP, Luís Camargo Pinto de Carvalho, tinha segredos. A ocupação da reitoria revelou apenas alguns.

Uma vez tendo tomado o controle da reitoria, como de praxe, os estudantes começaram a vasculhar arquivos e computadores em busca de documentos e revelações sobre o que a reitoria faz às suas costas. Como já o conseguiram diversas vezes no passado, não custava tentar novamente.

Um grupo de alunos se deparou com o gabinete do Superintendente Jurídico da USP, um cargo de confiança indicado pessoalmente pelo reitor, João Grandino Rodas.

É, portanto, o homem destacado para zelar pelo regimento interno da USP, o mesmo que determina punições para “qualquer atividade que atente contra a moral e os bons costumes”.

Pois bem, diante da CPU, monitor, teclado e mouse usados por Pinto de Carvalho os estudantes se depararam com um obstáculo: a senha.

Única pista, a “dica” de senha inserida pelo próprio usuário do computador, uma afirmação lacônica: “o crime de Luís”.

O crime de Luís?

“Pedofilia”, arriscou um dos presentes depois de inúmeras tentativas.

A palavra, definida pelo próprio sr. Pinto como seu crime, franqueou o acesso a dezenas de filmes pornográficos gravados em formato “*.wmv”, ao histórico de páginas da Internet acessadas e, em particular, ao prolífico repositório de contos eróticos http://www.contoerotico.com.br.

Os presentes fizeram aquilo que surgia naturalmente da situação: denunciaram a gigantesca hipocrisia demonstrada por aquela descoberta. Pixaram as paredes de entrada do escritório com dizeres relativos à pedofilia e o nome dos contos acessados pelo dignatário.

Um estudante, com um pseudônimo, publicou uma crônica comentando de maneira humorística o ocorrido e  a enviou ao Jornal da USP Livre! Supostos leitores desta coluna no Jornal da USP Livre! inundaram a área de comentários do site para justificar o burocrata pornógrafo contratado pelo reitor para aplicar o regimento interno da USP de maneira draconiana contra estudantes e funcionários.

Dizem que o colunista que assinou o texto “Do pornô soft ao hard core” levantou falsas acusações contra o sr. Pinto de Carvalho.

Que cometeu delito grave. Que desrespeitou o homem. Que está brincando com coisa séria, a pedofilia. Isso para ficar apenas nos argumentos que pretendem emprestar o mínimo de seriedade à causa da defesa do burocrata pornógrafo que nada mais é que a causa da defesa dos farrapos que restam da respeitabilidade da reitoria ditatorial de Rodas.

Os argumentos ridículos, por sua vez, ocorrem em número muito maior. Pedimos desculpas aos leitores por reproduzir aqui alguns barbarismos:

“usplivre.org.br, bem como “Voyeur Mascarado” definitivamente NÃO ME REPRESENTAM”; “Digo mais, talvez devamos esquecer essa coisa de diretas e nos focar no que o Sr. Pinto tem visto no youtube ou pesquisado no google”; “Adoro humor, a crônica seria ótima se não estivesse no site onde está, fazendo difamação (sendo o sujeito o que for) e não acrescentando em nada á Universidade”.

Como se pode ver, a defesa do pornógrafo encontra outra, em outro extremo, a mesma defesa da moral e bons costumes que certos membros do movimento estudantil expressaram recentemente e com pretextos muito pouco substanciais.

Especificamente, a defesa da moral e dos bons costumes se expressa na chamada defesa da “ética na política”. Muitos dos críticos do texto que primeiro revelou o que o superintendente jurídico da USP faz quando ninguém está olhando levantaram que, fazer essa denúncia em meio à greve e ocupação “pelas diretas já para reitor” é um desserviço à luta.

Seria inoportuno criticar o um vassalo do reitor em meio à luta contra o reitor? Entenda quem puder…

Só mesmo os partidários da ética na política poderiam comportar tal pretensão. Há motivos suficientes para crer que, se não são as mesmas pessoas, os defensores do “direito” do superintendente jurídico da USP assistir a vídeos pornográficos durante seu expediente têm muito em comum com os que atacaram o rapaz que, cerca de um mês atrás, tirou a roupa em uma assembleia e ofereceu a todos uma visão do seu entrenádegas em protesto contra o DCE.

O Crápula

* Para preservar a imagem do sr. Pinto [e evitar um processo], alteramos seu retrato com técnicas avançadas de computação gráfica a fim de impedir sua identificação.