Assembleia: é para debater e decidir, não um volante para o DCE manobrar!

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Folhas das propostas apagadas pelo representante do DCE na mesa da última assembleia do dia 3 de outubro.

Pessoal, estive pensando e achei que seria uma boa expor como foi fazer parte da mesa da 2ª Assembleia Geral de Estudantes da USP depois que a greve iniciou. Mesmo sendo caloura, apostei na realidade que esse sistema econômico nos dá enquanto pobres, nós, que o contrariamos, ao entrar numa universidade pública. Nós, os filtrados pelo vestibular, refletindo mais uma vez esse problema social.

Na última assembleia geral, fui eleita, assim como o Kyo do CAELL, Érica (independente), Marcela CALC e o DCE pela plenária, para fazer parte da mesa.

Enquanto presa e processada, lamento as posições tomadas pelos integrantes do DCE (PSTU e PSOL/Juntos), que manobraram a plenária e a própria mesa (confesso que me senti imbecil).

Após o estabelecimento da mesa, enquanto organizávamos as propostas que chegavam, inclusive muitas semelhantes em seu conteúdo, houve consenso da mesa em sintetizarmos todos os papeis em um só, para uma melhor compreensão.

Pedro do PSTU ou PSOL/Juntos (os que compõem o DCE), afinal teem tantas semelhanças que, desculpem, mas ainda não tenho condições de ver diferença… Bom, o fato é que ele queria propor a votação de “continuidade da greve ou não” e a “continuidade da ocupação ou não”. Argumentamos que não poderíamos fazer tais votações, pois não havia chegado propostas nesse sentido à mesa. Não satisfeito, Pedro (DCE), insistiu que deveríamos então ratificá-las na plenária e quando os informes terminaram, foram ratificadas ambas por aclamação.

No período em que nos organizávamos, Pedro propôs que as resoluções da assembleia anterior fossem ratificadas em bloco. A mesa, por maioria, decidiu que as propostas deveriam ser votadas individualmente.

Insistindo na manobra, Pedro propôs que fosse votado “diretas para Reitor sim ou não” e depois votasse “Governo tripartite: sim ou não”. Mas o restante da mesa propunha votar “governo tripartite contra diretas para Reitor” por identificar nisso uma contradição política… Mais uma vez, depois dos informes, estes dois encaminhamentos foram votados e venceu por contraste votar uma proposta contra a outra.

Feita a votação, “Governo Tripartite” X “Diretas para Reitor”, “Governo Tripartite” venceu por contraste.

Novamente ele, Pedro (DCE), apoderando-se AUTORITARIAMENTE da caneta e do papel, tentou “hierarquizar” as pautas, sem debater com o plenário ou levar em consideração as propostas que chegaram à mesa. Mas a maioria da mesa decidiu que deveríamos apresentar à plenária, antes dessa “hierarquização”, as outras propostas feitas pelo plenário.

Percebendo que sua manobra iria por água abaixo, Pedro desconsiderou a maioria das propostas feitas pelo plenário, escolhendo arbitrariamente dentre elas apenas as seguintes: “contra a repressão” e “fora PM/convênio”. Logo em seguida, decretou, no papel de anotação da mesa, o “calendário”. Novamente fomos contra, pois haviam chegado outras propostas que, no nosso entendimento, divergiam das primeiras e/ou se acrescentavam à elas. Pedro, percebendo que seu golpinho foi visto, riscou a palavra “calendário”, acrescentando as propostas do plenário, como por exemplo, “fim dos processos”, “reintegração dos 03 eliminados”, e etc.

Em seguida, lançando mão de seu “poder imperial”, Pedro decretou que as propostas do plenário seriam apenas “bandeiras” do movimento, o que não é nem de longe, verdade. Tivemos que discutir argumentando que o que ele chamava de “bandeiras” eram, de fato, pautas de eixos. Como presa e processada não poderia admitir que tais eixos fossem ignorados!

Posteriormente a isso, decidiu-se que fosse discutida a questão da hierarquia das pautas. Pedro tentou impor que a votação fosse feita da seguinte forma: “estatuinte” X “diretas” X “lista tríplice” X “estatuto” X “diretas universal” X “repressão”: uma bagunça premeditada, que geraria divergência na mesa e no plenário.

Ocorreu o que todos viram: votações demoradas e confusas.
Numa tentativa de suprimir o debate na plenária a respeito das demais pautas e do comando de greve, Pedro insiste em decidir sobre o calendário, para somente depois definir a organização da greve, como por exemplo a criação do comando de greve com representantes e etc… ou não, decisão que foi apresentada à plenária como três propostas, devido o horário de duração da própria assembleia, ou seja, para forçar o encerramento da mesma: a primeira, expondo se continuaríamos decidindo as pautas; a segunda, se decidiríamos sobre a organização da greve e a terceira, se decidiríamos o calendário. Vencida a terceira proposta, o DCE consegue tornar a assembleia geral de estudantes deliberativa de acordo com seus propósitos: incluir e ainda manobrar a plenária e a mesa para que Diretas Já pra Reitor permanecesse na pauta e decidir um calendário, sem nem permitir a leitura das outras pautas de “calendário” e “dissolução do DCE”, quanto a esta última, foi preciso pressionarmos para que o mesmo Pedro, que tudo sabe e que tudo viu, acrescentasse-a nas anotações de propostas, podem ver onde ele colocou: no final e na outra folha (pra ficar longe da vista e esquecermos).

Gente, as posturas dele e dos seus (PSTU e PSOL/ Juntos) foi de nos oprimir diversas vezes com provocações e falsas verdades, sentimos que os mesmos se impunham como os mais “experientes do movimento”. Tivemos dificuldades em obter a palavra por meio do microfone, o que demonstrou um comportamento surpreendentemente machista por parte do Pedro, já que a maior parte da composição da mesa era de mulheres. Ainda fomos diversas vezes contestados com relação aos contrastes, descredibilizando-nos em nossas ações e impondo a forma deles.

Acredito que a assembleia seja uma instância de debates e deliberações importante para nossas lutas, para uma real integração dos estudantes e amadurecimento político de nossos – corrompidos pelo capitalismo – intelectos, porém comportamentos assim, dificultam o entendimento de quem deseja participar e desrespeita a posição dos que pensam e fazem alguma coisa pra real integração da USP com as comunidades de fora.

Contudo gente, uma vez estando na mesa, percebi o quão conturbado é receber diversas propostas, muitas vezes iguais entre si, e como isso é aproveitado oportunamente, portanto penso numa forma que otimizaria nossa assembleia geral, que é a de que os cursos escrevam o que foi decidido em suas assembleias e mandem pra mesa como: proposta de pautas ou de eixos do curso X e mantemos as propostas individuais, que vierem do plenário. Lembrando que eixos são um grupo de pautas que englobam um mesmo tema, precisamos barrar a enganação do DCE que propaga que pautas são eixos e que devemos defender eixos e bandeiras como forma de reivindicação, sendo que o que eles consideram bandeiras, muitas vezes são propriamente as pautas, isso ocorre porque tem o intuito de querer nos fazer crer que há um rio de eixos, quando na verdade 03 dariam conta de quase todas as pautas do momento, ou ainda poderíamos elencar somente as pautas, separando pautas as principais das pautas de curso. Caso, optássemos pela defesa de Eixos, os 03 que mencionei, e que partem da realidade, poderiam ser:

1) Democratização da USP: eixo que conteria as pautas relativas a este tema, como por exemplo a estatuinte, o governo tripartite, etc.

 

2) Contra a repressão: eixo que conteria as pautas referentes ao fim dos processos; reintegração dos 03 eliminados; fim do convênio USP-PM; em defesa da autonomia dos espaços como SINTUSP, Canil, Espaço de vivência do DCE, etc.

 3) Por uma real política de permanência estudantil. Eixo que conteria as pautas relativas à devolução dos blocos K e L para moradia; a construção de mais blocos de moradia nos demais campi, etc.

Luciana, presa, processada e perseguida poĺitica

9 comentários

  1. Só olhar com um mínimo de atenção, pois na reprodução da folha de anotação está bem claro: “Folhas das propostas apagadas pelo representante do DCE na mesa da última assembleia do dia 3 de outubro.”

    Ademais, a última assembleia foi dia 10/10 e acabou por volta das 23:00, ou seja, no mesmo dia da publicação do texto. Os caras teriam que ser muito rápidos para fechar um texto, diagramar e publicar em menos de 1 hora.

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  2. Gente, quem esteve na assembleia realizada na História consegue pegar pela descrição dos fatos. Sou independente, e reconheço uma polarização na USP hoje de PCOxPSOL/PSTU, mas pra além disso, está bem claro que o DCE está manipulando essa greve de N jeitos possíveis. Ta feito. Ta escroto isso!

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  3. Me desculpe, mas não sou qualquer leitor. Precisa ser mais atento ao ler um texto. Tem muita gente que muitas vezes não lê e já sai falando o que nem leu. Leitura pró-forma… Não quero ser chato, mas sou especializado em leitura dinâmica e mesmo esta técnica tem elementos que fazem as pessoas lerem com atenção e absorver informações básicas… Mais critério por favor… Não sou muito adepto do Jornal em questão… mas de tanto recebê-lo em meu apartamento no CRUSP passei a acompanhá-lo aqui no site também e sempre tem algum comentário “interpretativo”… ou seja, dos que supostamente lêem o texto, mas não discutem de fato seu conteúdo. A última foi acusar uma crônica de “pedofilia”, por causa da foto que acompanhava o texto. Aliás, muitos se guiam pelas fotos… isso parece ser grave e demonstrar a indisposição de algumas pessoas com a leitura.

    Para o texto em questão aqui vai algumas indicações…

    – a legenda da foto principal diz: “…assembleia do dia 3 de outubro”

    – No primeiro parágrafo: 2ª Assembleia Geral de Estudantes da USP depois que a greve iniciou, eu que sou leigo do movimento sei que a última assembleia foi a terceira

    – E outras informações básicas como integrantes da mesa e conteúdo e encaminhamento das votações, para quem viu pelo menos uma das assembleias, se tiver memória e disposição, deve conseguir distinguir qual é qual…

    Desculpe a chatice… mas sou meio fissurado nessas “falsas” interpretações de texto… principalmente em blogs e no facebook…

    PS: Os editores ou redatores do Jornal poderiam ter dado uma indicação mais explícita da assembleia, mas não sei também, pois, parece, que o texto é de leitor

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  4. Você tem razão Rafael, agora me dei conta da menção feita à “2ª assembleia”, ainda assim acho que a minha confusão de compreensão dos referentes do texto é justificável… e reafirmo: PCO X PSTU/PSOL só confunde e divide os estudantes e empaca as assembleias…

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    • Ok, confusão nº 1 desfeita. Poderia estar mais explícito, mas o texto tal como está retrata a opção da autora e, por pior que possa parecer a qualquer um, não dá para dizer que a informação não estava lá. É secundário, no entanto.
      Sobre a questão “PCO x PSTU/PSOL só confunde e divide os estudantes e empaca as assembleias”, aí é que a discussão fica esquisita.
      Tá, vc acha isso. Muito bem. Por que? E o que vc acha que deveria acontecer no lugar da disputa entre os que estão com a posição do PSTU/PSOL, e os que estão com as posições do PCO?

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  5. ” Feita a votação, “Governo Tripartite” X “Diretas para Reitor”, “Governo Tripartite” venceu por contraste.”

    MANO! Não se pode colocar isso no meio de um texto, principalmente, porque a galera que não foi na assembleia, usa a micromídiauspiana pra se informar…
    muito feio
    muito feio
    é só olhar na diagramação da página pra ver que esse grande equívoco de informe em relação à última assembleia (acredito que não seja nem um equívoco propriamente, mas vá lá…)
    tá até em destaque!

    Você falou em manobra e confusão por parte do DCE (eu também sou independente e não duvido dessa possibilidade) mas eu tava na assembleia de ontem e é visível que manobras são essas informações desencontradas….

    PCO X PSTU/PSOL >> essa história já deu no saco do Movimento!!!

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    • Emily. Não foi assim que foi votado? Como foi, então? Vc se deu conta de que o texto é sobre a assembleia que ocorreu no vão da história, na semana passada?

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      • Não me dei conta porque o texto é de ontem, essa é a única informação fornecida, vocês não especificaram data de assembleia então fui pela lógica, como qualquer leitor… imagino.

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      • O fato descrito pode até ter sido o que ocorreu na assembléia do vão da história, mas a mesma coisa aconteceu na ultima assembléia (10/10/2013).

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