Como foi a primeira assembleia da Poli sobre a greve?

Por volta de 200 pessoas se reuniram na assembleia convocada pelo grêmio politécnico. Sobre o caráter da assembleia o grêmio havia se pronunciado que seria uma discussão que levaria a elaboração de um plebiscito que trataria dos assuntos agora em voga. Este ponto é importante uma vez que gerou uma ambiguidade sobre a possibilidade de haver votação ou não já de imediato de algumas propostas.
Reunidos todos a assembleia atrasou algo como 20 minutos, mais para esperar aumentar o número de participantes. Tempo invejável para as assembleias gerais afinal costumam atrasar de meia a uma hora.
Passou-se a fala do presidente do grêmio com a mesa da assembleia já formada. Discursou alguns minutos sobre os motivos e logo passou a voz para o informe de 5 minutos do DCE que se limitou a reproduzir a opinião própria sobre diretas para reitor e o modo como ocorreu a ocupação, por fim convidando a conhecer a ocupação. Como é de costume aos inúmeros diretores do DCE, o falante estourou o tempo.
Logo se passou aos informes/falas, sem uma maior necessidade de delimitação. Os alunos simplesmente se candidatavam a falar e prosseguiam ao palanque, sem sorteio ou limites.
A principio se informou a atividade de certos cursos e sua adesão ou não a greve, ECA, Biologia, Química e talvez mais um. A partir desse momento os informes começaram a se misturar com as falas havendo certa defesa da ocupação. Houve nesta defesa da ocupação uma alusão à ocupação de 2011 e um ataque por uma diretora do DCE sobre a validade da mesma e uma contraposição com a atual. Como não houve defesa e os alunos não se interessaram pelo assunto, creio que o DCE considerou o assunto ponto pacífico.
Após as defesas, ainda um pouco sobre o assunto há o informe da última pesquisa entre os politécnicos apontando o sistema paritário de diretas com eixo do movimento. Depois veio uma fala dizendo que foi por pequeno quórum de 80 alunos e que seria necessária a necessidade de um plebiscito de uma semana para debater o tema. A validade da pesquisa é criticada por uns, os diretores do DCE prontamente pedem a palavra enunciando uma tecnicalidade obscura de que 1% dos alunos da Poli votaram e que por isso legitimaria a votação. Houve alguns murmúrios protestosos sobre manobra e falta de legitimidade.
Ficou patente em muitos grupos da assembleia a posição que ali se encontravam somente 5% dos alunos totais e que a assembleia mesmo era não representativa da opinião da escola.
Após esse momento alguns alunos usaram da palavra para defender a meritocracia e a capacitação do dirigentes da faculdade. Foram apoiados por uns. A isso se seguiu opiniões contrárias defendendo a capacidade dos alunos e algumas falas a favor da paridade como regulador, vocês sabem quem, não?
Sobre os espectadores ficou a impressão de indecisão mesmo quando foi criticada a atitude conservadora do politécnico em geral. Somente a baixa representatividade parecia maioria e a expectativa sobre o assunto da greve.
Poucos falaram sobre a eleição proporcional, nenhum no palanque se me recordo. Nenhum citou o governo tripartite.
A isso se seguiram algumas análises do poder centralizado da faculdade e a situação do politécnico muitas vezes exposto a abusos por falta de poder. Também falou-se da premência do trabalhos acadêmicos sobre o ensino, o que atrapalharia a atividade discente e docente mesmo.
Houve algumas falas sobre os estatutos antiguados, novamente esparsas. E as últimas medidas como o ec-3 e os novos prédios que não foram referendados pelos alunos e que não tiveram participação dos mesmos na elaboração.
Neste momento começa a se fortalecer as falas sobre o caráter possivelmente deliberativo da assembleia, este assunto consumiu metade da assembleia e gerou uma má impressão de desorganização principalmente quando se passou as votações.
O grêmio havia se limitado a anotar as propostas para o plebiscito e reafirmar que não era o propósito central da assembleia deliberar.
De qualquer forma foi votado pela não paralisação da Poli para permitir maior debate, posição defendida por 60% ou pouco mais da assembleia.
Por consenso passou a criação de rodas de debate durante a semana e a preocupação de envolver mais pessoas. Por fim, já quase estourando as 13:10 se firmou que a próxima assembleia na sexta [dia 11] não seria deliberativa. Isso ocorreu principalmente pela data imediatamente anterior a semana de provas e a negação da representatividade da assembleia em favor do plebiscito. Todas as votações foram por contraste.
De resto pouco foi comentado sobre o papel do reitoráveis politécnicos, sobre as últimas reformas visivelmente populistas, afinal é a primeira vez em algum tempo que vejo sabão para lavar as mãos nos banheiros do biênio e até as pichações foram limpadas dos cubículos.
Acho que é o que posso dizer, não vou me perder em detalhismos, mas foi uma assembleia razoável, ainda mais pela pequena frequência que ocorrem. Houve pontos positivos principalmente na questão das falas, mas talvez faltou um debate mais útil. Ah, choveu um pouco e isso também não ajudou, perder o bandejão menos ainda.
(Relato enviado por estudante da Poli que participou da primeira assembleia do curso depois que a greve começou. A assembleia foi  realizada na segunda-feira, dia 7 de outubro)

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