Relato de um estudante sobre a desocupação da diretoria da EACH pela PM

  • Imagem

    19 de outubro, pouco antes das 6 da manhã, começa uma gritaria. Eu ainda dormia, e pensei que fosse um sonho. Mas não era. Era o pesadelo mesmo. 60 policiais invadiram o campus da USP Leste, armados até os dentes, para expulsar cerca de 35 estudantes que ocupavam a Diretoria da EACH em protesto. Protesto contra os mandos e desmandos do sr. José Jorge “Bobô” Boueri, diretor da unidade, e do sr. Edson “Mimilk” Leite, vice-diretor e diretor em exercício. Estávamos no 17º dia de ocupação, 39º dia de greve geral. Nossas pautas, nenhuma delas atendidas até agora: soluções para o problema ambiental do campus; renúncia da diretoria; apuração dos responsáveis pela deposição de terra ilegal no campus; acesso a todos os documentos e informações referentes ao caso. Pois bem, os policiais adentraram o prédio portando suas armas e invadiram nosso sono. A reintegração foi pacífica como noticiado, mas porque nós estudantes nos mantivemos pacíficos. Pois a brutalidade da repressão estava ali de frente para nós. E, assim mesmo, não faltaram as piadinhas machistas, racistas, homofóbicas típicas da PM. Nos revistaram, deixaram-nos pegar nossas coisas e ir embora sem olhar pra trás. E assim fomos. Mas não de cabeça baixa, pois a vitória ainda é nossa. O sr, Leite chegou só depois da nossa saída. Entrou em sua sala, onde parecia que nada havia acontecido pois a equipe de limpeza deixou o prédio intacto como se ninguém tivesse passado duas semanas ali. A nossa greve continua. Até agora não foi nos dado nada, apenas a obrigação das autoridades universitárias e do governo estadual, como fornecimento de informações. A covardia da Diretoria ao chamar o choque em vez de negociar, a ridícula posição do judiciário ao aceitar tal pedido e a total ausência do sr. Alckmin e do sr. Rodas, que não querem vincular seu nome com a crise, provam que nós estamos no caminho certo.

  • Vinícius Becker, estudante da EACH