Professores contra a greve estudantil

117 professores da FFLCH assinaram uma carta aberta para se posicionarem contra a greve estudantil. A carta tenta a todo custo dizer que não é contra a greve, mas se diz abertamente contra os “métodos da greve”, piquetes, cadeiraços etc, ou seja, o que faz com que a greve aconteça, ou seja, são contra a greve. Para os professores os estudantes podem protestar, podem questionar a estrutura de poder, mas não podem decidir coletivamente por realizar um cadeiraço ou piquete, justamente para impedir que os professores fura-greves atuem.

A carta e os nomes que a assinam deixam claro qual o papel dos professores nesta discussão sobre a estrutura de poder.

Carta aberta dos professores da FFLCH – USP

23 de outubro de 2013 às 19:56

Uma vez mais, vivemos na FFLCH a paralisação de grande parte de nossas atividades

acadêmicas. Embora decorrência de um movimento político legítimo do corpo discente,

não se pode deixar de notar que a imposição forçada da greve ao conjunto da Faculdade

se dá por métodos de coerção inaceitáveis e inapropriados ao convívio universitário.

Também não se pode deixar de alertar para os efeitos deletérios que tal situação impõe

ao processo educacional e à pesquisa.

Diante desse quadro, temos optado automaticamente por uma adesão ilimitada ao

movimento estudantil em nome da solidariedade. Temos abdicado de apontar e condenar

as derivas autoritárias e truculentas de uma parcela nem sempre representativa dos

alunos. Temos, sobretudo, cultivado a irresponsabilidade de comportamento ao sinalizar

que, seja qual for a duração da paralisação, o conjunto dos alunos não será prejudicado.

Essa postura tem promovido um aviltamento da importância das atividades de ensino e

pesquisa que são ciclicamente interrompidas, tem alimentado a escalada de

agressividade e conflito entre os membros da comunidade, tem, por fim, esvaziado o

próprio potencial político das lutas por uma melhor universidade.

Acreditamos que é mais do que hora de mudar vigorosamente de atitude.

Não desconhecemos que as atuais estruturas de poder da USP sejam pouco permeáveis

às aspirações coletivas, mas reconhecemos, igualmente, o esgotamento das soluções

que afetam irrecuperavelmente nosso cotidiano de trabalho e estudo. Manifestamo-nos,

não contra a greve estudantil, e sim contra métodos de ação como “cadeiraços”,

barricadas e piquetes, que impedem o livre acesso às salas de aula e o diálogo entre

professores e estudantes.

É excepcionalmente grave que se tenha tornado tão banal a interrupção forçada de um

trabalho universitário sério e precioso, que nutre nossas esperanças de um futuro mais

digno e socialmente justo. Não podemos mais aceitar passivamente essa insana espiral.

Desde que as barricadas se levantam para impedir aulas, a obstrução física se impõe,

esvaziando toda possibilidade de concerto e tolhendo as liberdades de cada um. Desde

que os piquetes começam, a vontade da minoria militante impera, dificultando ouvir as

vozes dissonantes, mesmo majoritárias, sepultando o diálogo entre os próprios

estudantes e destes com os docentes. Desde que invasões e ocupações são

apresentadas como primeira estratégia, os canais de comunicação com a administração,

já rarefeitos, afunilam-se ainda mais e minguam, abrindo caminho para o pior.

Reafirmamos o nosso respeito ao direito dos alunos de mobilizarem-se em torno das suas

reivindicações. Ao mesmo tempo, condenamos firmemente a ação política que faz uso de

métodos coercitivos e autoritários, afastando mais do que mobilizando a maioria dos que

frequentam e trabalham em nossos prédios. É necessário recuperar a capacidade de

mobilização por meio do diálogo e do convencimento, características que definem a

própria natureza da Universidade. Ao abrirmos mão dessas qualidades, igualamo-nos a

um regime qualquer, no qual as vontades se impõem pela força, esvaindo-se não muito

tempo depois, sem deixar conquistas, apenas traços de intolerância e isolamento.

1. Adone Agnolin (Departamento de História)

2. Adriane Duarte (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

3. Adriano Aprigliano (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

4. Adriano Scatolin (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

5. Alberto Ribeiro G. de Barros (Departamento de Filosofia)

6. Alexandre Pinheiro Hasegawa (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

7. Alfredo Queiroz (Departamento de Geografia)

8. Álvaro de Vita (Departamento de Ciência Política)

9. Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer (Departamento de Antropologia)

10. Ana Paula Torres Megiani (Departamento de História)

11. André Malta (Grego – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

12. Angela Alonso (Departamento de Sociologia)

13. Arlete Cavaliere (Departamento de Letras Orientais)

14. Brasílio João Sallum Júnior (Departamento de Sociologia)

15. Breno Battistin Sebastiani (Grego – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

16. Caetano Ernesto Plastino (Departamento de Filosofia)

17. Carlos Alberto Ribeiro de Moura (Departamento de Filosofia)

18. Carlos Bacellar (Departamento de História)

19. Christian Werner (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

20. Claudia Amigo Pino (Departamento de Letras Modernas)

21. Cicero Araújo (Departamento de Ciência Política)

22. Davi Arriguci Jr. (Professor Emérito da FFLCH)

23. Eduardo Marques (Departamento de Ciência Política)

24. Elena Vássina (Departamento de Letras Orientais)

25. Eliana Fischer (Departamanto de Letras Modernas)

26. Elias Saliba (Departamento de História)

27. Elis Cardoso (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

28. Elizabeth Balbachevsky (Departamento de Ciência Política)

29. Elizabeth Cancelli (Departamento de História)

30. Emerson Galvani (Departamento de Geografia)

31. Eunice Ostrensky (Departamento de Ciência Política)

32. Eva Maria Ferreira Glenk (Departamento de Letras Modernas)

33. Fábio de Souza Andrade (Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada)

34. Fernanda Arêas Peixoto (Departamento de Antropologia)

35. Fernando Limongi (Departamento de Ciência Política)

36. Flavia Maria Corradin (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

37. Flávio Wolf de Aguiar (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

38. Francisco Maciel Silveira (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

39. Francisco Martinho (Departamento de História)

40. Fraya Frehse (Departamento de Sociologia)

41. Gabriela Pellegrino Soares (Departamento de História)

42. Glauco Peres da Silva (Departamento de Sociologia)

43. Heitor Frúgoli (Departamento de Antropologia)

44. Helmut Galle (Departamento de Letras Modernas)

45. Ieda Maria Alves (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

46. João Angelo Oliva Neto (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

47. João Paulo Candia (Departamento de Ciência Política)

48. João Paulo Garrido Pimenta (Departamento de História)

49. João Vergílio Gallerani Cuter (Departamento de Filosofia)

50. Jorge de Almeida (Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada)

51. Jorge Schwartz (Departamento de Letras Modernas)

52. José Álvaro Moisés (Departamento de Ciência Política)

53. José Antonio Alves Torrano ((Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

54. José Carlos Estevão (Departamento de Filosofia)

55. José Guilherme C. Magnani (Departamento de Antropologia)

56. José Jobson de Arruda (Departamento de História)

57. José Nicolau Gregorin Filho (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

58. Juliana P. Perez (Departamento de Letras Modernas)

59. Jurandyr Ross (Departamento de Geografia)

60. Júlio Assis Simões (Departamento de Antropologia)

61. Laura de Mello e Souza (Departamento de História)

62. Laura Hosiasson (Departamento de Letras Modernas)

63. Laura Izarra (Departamento de Letras Modernas)

64. Leopoldo Waizbort (Departamento de Sociologia)

65. Ligia Vizeu Barrozo (Departamento de Geografia)

66. Lilia Katri Moritz Schwarcz (Departamento de Antropologia)

67. Lorena Barberia (Departamento de Ciência Política)

68. Lorenzo Mammì (Departamento de Filosofia)

69. Luis Antonio Bittar Venturi (Departamento de Geografia)

70. Luiz Antônio da Silva (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

71. Luiz Sérgio Repa (Departamento de Filosofia)

72. Marcelo Cândido da Silva (Departamento de História)

73. Marcelo Rede (Departamento de História)

74. Márcia Lima (Departamento de Sociologia)

75. Márcia Oliveira (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

76. Márcia Regina Barros da Silva (Departamento de História)

77. Márcio Suzuki (Departamento de Filosofia)

78. Marco Aurélio Werle (Departamento de Filosofia)

79. Marco Zingano (Departamento de Filosofia)

80. Marcos César Alvarez (Departamento de Sociologia)

81. Margarida Maria Taddoni Petter (Departamento de Linguística)

82. Maria Aparecida Torres Morais (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

83. Maria Elisa Siqueira Silva (Departamento de Geografia)

84. Maria Helena P. T. Machado (Departamento de História)

85. Maria Helena Voorsluys Battaglia (Departamento de Letras Modernas)

86. Maria Inês Batista Campos (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

87. Maria Lúcia da Cunha Victório de Oliveira Andrade (Departamento de Letras Clássicas e

Vernáculas)

88. Marina de Mello e Souza (Departamento de História)

89. Mário E. Viaro (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

90. Mario Miranda Filho (Departamento de Filosofia)

91. Marli Quadros Leite (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

92. Marta Arretche (Departamento de Ciência Política)

93. Marta Amoroso (Departamento de Antropologia)

94. Mary Anne Junqueira (Departamento de História)

95. Mary de Camargo Neves Lafer (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

96. Maurício Cardoso Keinert (Departamento de Filosofia)

97. Moacyr Novaes (Departamento de Filosofia)

98. Modesto Florenzano (Departamento de História)

99. Noé Silva (Departamento de Letras Orientais)

100. Paolo Ricci (Departamento de Ciência Política)

101. Paula Correa (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

102. Rafael Marquese (Departamento de História)

103. Ricardo Terra (Departamento de Filosofia)

104. Roberto Bolzani (Departamento de Filosofia)

105. Rogério Arantes (Departamento de Ciência Política)

106. Ronald Beline Mendes (Departamento de Linguistica)

107. Rose Hikiji (Departamento de Antropologia)

108. Safa Abou Chahla Jubran (Departamento de Letras Orientais)

109. Samuel de Vasconcelos Titan (Departamento de Teoria Literária e Literatura

Comparada)

110. Sandra Guardini T. Vasconcelos (Departamento de Letras Modernas)

111. Selma M. Meireles (Departamento de Letras Modernas)

112. Sergio Miceli (Departamento de Sociologia)

113. Sílvio de Almeida Toledo Neto (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

114. Telê Ancona Lopez (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas)

115. Vera Lucia Amaral Ferlini (Departamento de História)

116. Verónica Galíndez Jorge (Departamento de Letras Modernas)

117. Viviana Bosi (Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada)