Ocupe sua moradia!

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 A reitoria sinalizou na negociação que os blocos K e L serão devolvidos assim que “houver a realocação dos órgãos da administração” que ali funcionavam. Esta comissão relizou sua primeira reunião e entemos que o modo de obter realmente a devolução dos blocos de moradia é ocupando o espaço. Se você necessita da moradia, mas não conseguiu morar no crusp ou está no alojamento ou está ‘se virando’ com o auxilio-miséria (R$400,00) para pagar o aluguel, compareça a reunião desta comissão para discutir esta pauta e traga sua barraca para fortalecer a ocupação que será sua futura moradia. Somente com a sua participação teremos nossa moradia.

Terça-feira (05/11) reunião aberta da organização de retomada dos blocos K e L, na (ex) reitoria às 22:30h

O CRUSP não foi dado: um breve histórico

Talvez alguns se perguntem qual a motivação da formulação da reivindicação: DEVOLUÇÃO dos blocos K e L? Mas então a reitoria está no espaço de moradia? Estes blocos já foram moradia?

Os prédios do CRUSP foram construídos para alojar atletas dos jogos panamericanos na década de 60. Posteriormente seriam entregues aos estudantes como moradia. Mas isso ficou só na promessa. Tendo ficado vazios, os estudantes decidiram OCUPAR os prédios para transformá-los em moradia. Vale lembrar que eram 12 blocos – nomeados de A até L. Em 1968, o CRUSP foi completamente desocupado pelos militares, com estudantes sendo presos e outros ‘desaparecidos’. Neste mesmo período, os blocos H, I e J foram demolidos para dar lugar a ‘uma rua’ e ao MAC (mais importantes que blocos de moradia estudantil).

Em 1979, doze estudantes REOCUPARAM dois andares do bloco A. Foi a partir desta ocupação que os blocos foram sendo continuamente ocupados, tendo ocorrido sucessivas ocupações nas décadas de 80 e 90. A burocracia universitária, preocupada com a existência da moradia não desejada e não planejada por ela, coloca seu controle sobre o CRUSP de forma intensa  a partir de 1996, com a criação do regimento interno e a consolidação da COSEAS (atual SAS).

A situação atual

A retomada dos blocos não significou o fim da necessidade de lutas pela garantia da existência da moradia estudantil. Pelo contrário, houve um aumento muito grande no número de estudantes sem um crescimento no número de moradia estudantil. Hoje a (des)assistência social trabalha no sentido de convencer os estudantes que necessitam da vaga de que na verdade eles não necessitam, porque podem se virar sozinhos ou porquê há o auxílio-miséria aluguel (que além de não condizerem com os valores dos aluguéis perto da USP são pouquíssimas bolsas). Empurra os estudantes a terem longas jornadas de trabalho para se manterem na universidade, ao invés de garantir seus direitos e possibilitar que tenham tempo livre para estudar. Essa é a política da assistência estudantil: expulsar as pessoas porque não há vagas ao invés de ter um programa real de ampliação das vagas da moradia.

A história mais recente só comprova o histórico: o bloco A1 NÃO FOI DADO, foi a ocupação da reitoria de 2007 que pressionou pela garantia de sua construção, não a BONDADE E PREOCUPAÇÃO DA BUROCRACIA UNIVERSITÁRIA EM AMPLIAR A POLITICA DE PERMANÊNCIA ESTUDANTIL. A MORADIA RETOMADA, ocupação do térreo do bloco G, espaço  da moradia que era utilizado para ‘alojar’ a DPS (Divisão de promoção social) – afinal não tem espaço na USP, temos que usar o espaço da moradia para abrigar a parte administrativa – durou de março de 2010 ao carnaval de 2012, quando foi DESOCUPADA pela tropa de choque em outra ação cinematográfica­ como a da desocupação da reitoria em 2011, expondo a eficiência repressiva do “Estado democrático de direito(a)”.

Venha retomar o seu bloco!

Terça-feira (05/11), reunião aberta de organização da ocupação dos blocos K e L, na (ex)reitoria às 22:30h.

Comissão de mobilização do CRUSP