Sobre a nota do DCE e supostas agressões: ASSIM COMO RODAS, DCE ACUSA E PROVOCA

A atual direção do DCE da USP em meio à luta contra as ameaças de repressão policial de Rodas, não abre mão de seus típicos métodos de difamação, calúnia e ameaça para desmoralizar o movimento.

O DCE não utiliza a sua imprensa neste momento para ampliar a greve, como já não fazia no último período, dando destaque às grandes “vitórias” do acordo com Rodas que só garantem mais repressão e defendendo a desocupação e o fim da greve. Mas nesta semana a luta contra o movimento ficou ainda mais visível, culminando em ataques a setores que defendem e estão na luta e que, neste momento, estão ao lado da maioria dos estudantes.

O DCE isolado, derrotado por quase 800 dos 1300 estudantes presentes na maior assembleia da USP desde 1º de outubro (a do dia 6 de novembro), acusado de peleguismo pela própria base do movimento, ataca os setores que nas assembleias querem a continuidade da greve e da ocupação contra o acordo farsa do reitor.

Mais que isso, o DCE acusa de maneira policialesca agrupamentos políticos e militantes.

UMA ENTRE INÚMERAS PROVOCAÇÕES, AMEAÇAS E CALÚNIAS

Uma acusação gravíssima, mais uma vez, partiu do DCE após a assembleia de quinta-feira.

O ativista Rafael Alves, já acusado pela atual direção do DCE de machismo nas mobilizações de 2011 (o que nunca foi comprovado), desta vez foi acusado de agressão contra militantes do PSTU. O DCE ainda divulgou que o Partido da Causa Operária teria dirigido a suposta agressão, simplesmente porque foram os militantes do PCO e outros independentes que saíram em defesa de Rafael Alves. É público no movimento que Alves não é militante da organização, mas tem uma política próxima do PCO contra o DCE.

A suposta vítima, que não é identificada no artigo dos acusadores, é Vinícius Zaparoli, da direção da juventude do PSTU.

Vinícius, assim como militantes do PSTU e do Psol, claramente são orientados a provocar ativistas para tirar disso algum ganho político. Estes já haviam provocado por diversas vezes Rafael Alves, desde acusações ao pé do ouvido como também feitas publicamente. Uma das acusações contra Rafael foi feita por Vinícius ao final de uma assembleia da Letras há cerca de três semanas e isto é público. Quando Rafael gritava contra a privatização da USP ao final da assembléia, se referindo à utilização de espaços da universidade para cursos pagos de língua, Vinícius gritou em resposta provocativamente “Fora privatizador do Crusp”. Naquela assembléia o PSTU havia votado pela retirada dos piquetes da Letras para dar espaço a um Simpósio do Departamento de Francês, pedido feito por professores que redigiram um documento conservador atacando o direito de greve estudantil. O simpósio era ligado a cursos pagos realizados dentro e fora da universidade.

Naquele momento Rafael chamou vinícius na frente de todos para uma discussão franca sobre o Crusp, e para que explicasse as acusações em público. Vinícius, como um típico covarde e caluniador do PSTU, saiu às pressas do local.

A acusação é grave e deve ser entendida como uma provocação direitista. Rafael é ativista da luta por moradia na USP, ex-diretor da Amorcrusp, e participou ativamente do movimento pela retomada do térreo do Bloco G que ficou conhecido por Moradia Retomada, no qual cerca de 20 estudantes foram presos e processados. Rafael participou também da resistência contra a reintegração de posse do espaço do DCE quando um estudante foi ameaçado com arma de fogo por um policial, vídeo que correu na internet atingindo milhões de pessoas.

Rafael ainda possuiu processos pela ocupação da reitoria em 2011 e é o único estudante processado por realizar piquetes conjuntamente com os trabalhadores da USP. Hoje Rafael é delegado de oposição no comando de greve e luta contra as tentativas de traição da direção do DCE.

A acusação feita pela direção da juventude do PSTU de que Rafael Alves quer dominar o movimento do CRUSP para benefício próprio é uma provocação baixa e vergonhosa daquele partido. Não por acaso a acusação canalha, feita contra um estudante que leva dezenas de processos nas costas assemelha-se àquelas feitas por Reinaldo Azevedo da revista Veja em 2011. O blogueiro caricato, porta voz da extrema direita, dedicou uma meia dúzia de “artigos” contra Rafael.

O QUE ACONTECEU NA ASSEMBLÉIA DO DIA 7

Vinícius Zaparoli ameaçou durante a assembleia do dia 7 um estudante (Lucas) de oposição de que iria “acionar 10 militantes do PSTU para arrebentá-lo”.

Isto aconteceu em meio à tensão instalada na assembléia três vezes mais esvaziada do dia 7, em relação à do dia anterior. PSTU e Psol, mesmo após uma noite cansativa de vigília pela manutenção da reitoria que impediu centenas de estudantes de conseguirem estar presentes, mesmo após a votação de que iríamos discutir calendário, queriam revotar o que havia sido votado no dia anterior. O golpe se dava pelo fato de que não havia qualquer novo acordo, qualquer nova conjuntura de mobilização. A única diferença é que estavam presentes 1.000 estudantes a menos naquela assembléia.

Em meio a protestos contra a tentativa de golpe Lucas protestou contra impedimento de falas da oposição e perguntou a Vinícius se ele era policial. É daí que partiu a ameaça de agressão.

Rafael ao final da assembléia foi novamente fazer um pedido de satisfação pela ameaça de agressão pessoal feita por Vinícius. Neste momento, Vinícius gritou por “segurança”, dezenas de membros do DCE partiram acintosamente para agredir Rafael (um deles no caminho foi atingido por um militante do PCO que agiu em defesa de Rafael) e começaram a berrar tentando acuá-lo, acusando-o com palavras de ordem de “Fora P2”. Essa provocação gerou um alvoroço e grande revolta dos presentes em defesa de Rafael. Alguns cordões ensaiaram enfrentamento em mais de um local do espaço, houve trocas de alguns objetos lançados como latas de cerveja até o momento em que militantes do Psol e PSTU deixaram às pressas o vão livre da História.

O DCE de maneira covarde ainda agravou a acusação em seu comunicado público, dizendo que Rafael apontou para Vinícius uma garrafa de vidro quebrada, uma acusação típica de facções de extrema-direita para entregar militantes de esquerda para a polícia. Isto configuraria legalmente até mesmo “tentativa de homicídio”, o que pode ser desmentido por dezenas de testemunhas presentes. Isto mostra que o DCE não tem limites em defesa de sua política golpista no movimento, agindo sem titubear em favor da repressão dos órgãos do Estado contra militantes.

A atitude criminosa parte do DCE que aponta para a polícia mais companheiros do movimento estudantil. Acusam os processados publicamente! Isso sim é atitude de P2!

OUTROS ATAQUES CONTRA ORGANIZAÇÕES POLÍTICAS

Outra atitude de delação do DCE contra o movimento, e que mereceu mais uma grande nota em destaque no site do DCE, foi a acusação, feita por seus militantes contra os atos ocorridos durante a festa “Contra a moral e os bons costumes” na última sexta dia 8. O evento foi convocado pela comissão de cultura da ocupação à revelia dos interesses e vontades do DCE, que já havia tentado boicotar o evento impedindo este de ocorrer no espaço da ocupação. Um detalhe é que o evento havia conseguido mais de 900 confirmações no facebook para ser realizado dentro da reitoria.

Pedro Serrano, liderança da juventude do Psol, tenta criminalizar a ocupação do espaço do DCE e a realização da própria festa que defendia a liberdade sexual. Segundo Pedro, a ocupação do DCE e a festa são “Uma excrescência individualista e liberalóide estimulada por seitas ultra-esquerdistas do movimento estudantil, em especial pela Negação da Negação.”

Novamente apontam organizações políticas. Novamente acusam gravemente um dos agrupamentos que nesse momento faz oposição ao entreguismo do DCE. Novamente agravaram a acusação fazendo coro com a imprensa burguesa, apontando seus realizadores como vândalos e marginais.

Pedro Serrano acusou em outro trecho de sua postagem no facebook em sua timeline a ação: “a opção dos ‘radicais’ é ‘gozar’: gozar seu próprio prazer, sua própria liberdade, suas próprias atitudes (…) O DCE não tem absolutamente nada a ver com as cenas lamentáveis de ontem, que terminaram por depredar um espaço, inclusive, que reivindicamos como dos estudantes”.

Deduz-se claramente que o DCE, além de demonstrar um moralismo conservador típico da Liga das Senhoras Católicas, aponta a organização da festa com atos individuais de roubo a que todo o movimento de ocupação acaba estando sujeito. Fazem o papel de imprensa burguesa criminalizando ações de resistência e protesto espontâneos dos estudantes. Em linguajar popular, o DCE “tira o seu da reta”. Pior que a reitoria, acusam os estudantes por suas posições políticas e também por “danos ao patrimônio”.

Outro detalhe que não deve ser esquecido é que o DCE não defende um espaço autogerido e se calou diante da reintegração e o lacramento do local durante toda a sua gestão. Não foi o DCE que defendeu a retomada do espaço como uma das pautas. Também não consideramos como conquista a devolução de um espaço que já é dos estudantes, muito menos consideramos um crime sua reocupação, mas um resultado de um sentimento geral de radicalização das lutas.

A luta por um espaço do DCE diferente do atual foi um estopim das lutas de 2009 na qual o DCE se colocou veementemente contra. O movimento defendia o fim da intervenção da reitoria dos negócios particulares no espaço, por um espaço sem subvenção de empresas, voltado apenas para os estudantes e organizado pelos estudantes, pois se trata de uma defesa de independência política da reitoria. Aquele movimento se deu pela ocupação do espaço do DCE e acabou naquele mesmo ano se tornando um grande movimento pela retirada da PM do Campus, contra a presença do choque para reprimir greves de trabalhadores.

Jogar água no moinho da direita contra militantes não é novidade em se tratando do Psol e PSTU. Esta não é a primeira vez que estes partidos acusam de vândalos os ativistas que lutam contra a reitoria e contra os governos.

Para citar apenas alguns casos mais recentes e que possuem maior ligação com a USP, em 2011 tentaram ao máximo isolar a ocupação da reitoria acusando-a de ilegítima e de ir contra os fóruns do movimento, quando foram estes que fugiram da assembleia geral que votou a ocupação.

No protesto do dia 15 de outubro deste ano, a direção do DCE se recusou a participar da manifestação com os Black Bloc, tentando a todo momento isolá-los no ato, e entregá-los à repressão, mudando inclusive o trajeto combinado anteriormente. Pedro Serrano em pouco tempo publicaria matéria no site do Juntos, intitulada “Eu não escondo o meu rosto”, em que acusou a tática Black Bloc de ser “nefasta para o movimento de massas”, fazendo coro com pesquisa da Folha de São Paulo que pintava os Black Bloc como um movimento totalmente isolado da população. Fizeram coro com a direita num momento em que a PM criminaliza, prende e reprime as manifestações destes jovens nas ruas de todo o Brasil.

Em 2012 o PCO já havia sido acusado por diretores determinados do DCE de agressões machistas. Dois de seus militantes foram acusados de agressões verbais contra duas militantes do Psol e não tiveram sequer direito de defesa na assembléia geral. Ou seja, foram “julgados” por um tribunal nada idôneo formado por simpatizantes e militantes do Psol e PSTU, acobertados por entidades como a Frente Feminista da USP e do Marias Baderna que eram formadas por várias militantes destas organizações e também do PT, escondidos por trás de uma sigla como se esta representasse de fato os interesses de todas as mulheres do movimento estudantil.

QUEM CONTRARIA AS DECISÕES DO MOVIMENTO, QUEM QUER AGIR COMO POLÍCIA

A acusação de agir contrariamente às decisões do movimento são plausíveis contra Pedro Serrano, Vinícius Zaparoli e toda a direção do DCE. Estes já foram diversas vezes à imprensa desdizer aquilo que os estudantes haviam decidido, a começar pela decisão de comandos de greve contra a continuidade da greve, por declarações à imprensa de que “os estudantes decidirão desocupar o prédio da reitoria”, que os estudantes “não querem morar no local”, etc etc etc.

É preciso que os estudantes fiquem atentos a estas acusações aos ativistas da oposição, que servem tanto para tentar desmoralizar um movimento que ultrapassou e rejeitou a política de traição do DCE, como para ter uma “boa” desculpa para sair do movimento e terminar com ele, ou impor-se contra a oposição de maneira opressiva e provocadora.

Estas acusações, num momento em que Rodas provoca e ameaça o movimento com reintegração de posse em meio a negociações, só serve para facilitar a repressão.

Em sua nota contra o ocorrido, o DCE chama estudantes a participarem de uma reunião momentos antes da assembleia para organizar a “segurança” do fórum. Com isso reafirmam métodos policiais no movimento estudantil, como comissões de segurança nas assembleias que claramente servem a defender a política do DCE. Reafirmam a tentativa de divisão do movimento que já vem sendo realizada com as tentativas de golpe contra as assembleias e ameaçam os estudantes que participam do movimento e divergem do DCE de censura e coação, de não poder se expressar livremente na assembleia geral. Abrem espaço inclusive para a direita agir como policiais contra a oposição.

O movimento deverá avançar com liberdade de discussão para ampliar a greve, com discussões profundas e que não tenham como centro as acusações oportunistas do DCE, que serão utilizadas para tentar minar o avanço do movimento na próxima assembleia geral e nos comandos de greve.

 

Colaborador do Jornal da USP Livre e testemunha ocular do fato