A didática na Poli

O Grêmio repete, os alunos repetem, as vezes até os professores repetem que o estudo na Poli não é fácil ou sobrevível. Disso resolvi analisar porque tanto se fala e pouco se faz. No fim parece que a didática é o cerne da Poli, e deveria ser mesmo, mas hoje não é para educar.

Professores são recostados e adoram que alunos se matem de estudar assim não precisam ensinar melhor.

O tempo é curto e para quem não mora ao lado da USP nas moradias da máfia imobiliária é quase impossível aguentar estudar sem perder sono. Há aqueles que se vangloriam de dormir 4 horas por noite. Incompreensível a não ser que pense na Poli como um desafio e não como uma universidade.

Os professores quando veem as notas baixarem respondem com mais cobrança e não mais didática e mais tempo para estudo. Chega a ser uma ameaça. Como provinhas antes da aula cobrando assunto da aula passada.

A presença nas matérias importantes é bem vigiada e cobrada, porém a qualidade não segue o mesmo esquema. Sejamos sinceros boa quantidade dos alunos pede para assinar a lista e outros mais vão assistir aula onde acham que o professor é melhor.

Erros dos alunos são imperdoáveis, dos professores são compreensíveis.

Abusos morais como bixo burro, bixo ousado, bixo abusado, bixo tem que sofrer.

Pouco tempo de dar a matéria de forma que os professores que já correm com a matéria se tornam ansiosos e correm ainda mais e aulas que se prolongam um pouco mais são impossíveis porque os alunos não aguentam mais ouvir nada.

A pesquisa é mais importante aos professores do que repetir o que ouviram antes. Aliás até atrapalha a reserva de mercado, é melhor fazer um curso de MBA e cobrar por ele, talvez criar uma fundação e sugar recurso público…pera onde eu já vi isso?

A correção não se pauta pela compreensão do conteúdo, mas pela repetição exata e inequívoca do que já foi dito antes por aquele professor corretor e não por outro, qualquer desvio é punido. As notas começam pela visão geral e vão diminuindo à medida que se nota impropriedades. Há boatos de nota negativa, ou seja deduz de outra que você tirou. No fim os alunos fazem o que podem que é decorar provas antigas várias vezes e decorar fórmulas. Vencer pela insistência às vezes vale, do tipo pedir revisão de prova, insistir em fazer prova substitutiva, afinal é melhor ouvir um não atravessado do que voltar semestre que vem de novo.

Há um certo masoquismo de alguns alunos de fazer o mais difícil possível, de testar a si mesmo que ajuda a não haver uma crítica mais acentuada.

Alguns professores dizem que apesar de só usarmos 10% do que aprendemos em cálculo, o motivo de ser tão difícil é para desenvolvermos o raciocínio. Para mim para ser mais um teste de resistência…

Alguns alunos ingressos de colégios particulares, militares ou outros que estipulamrankings e métodos competitivos, afora o vestibular o que os alunos competitivos.

Muitos que entram são bons em matemática e física, mas não necessariamente querem ir para engenharia, termos como ganhos financeiro da carreira e posição pesam bastante na escolha, não por acaso saem tantos banqueiros da Poli e é centro de recrutamento do Itaú do Sr Setúbal, ex-aluno da Poli.

As provas regularmente pedem mais do que foi dado, ou seja, sempre tem emoção. Fora relatos do tipo “não consegui responder nada e tirei zero”, “respondi tudo e estava tudo errado” serem comuns. O que gera insegurança e ansiedade antes da prova, que não raramente se torna desespero.

As listas de exercício seguem a mesma regra, mais difíceis que os do livro.

Excesso de requisitos (provas, exercícios, trabalhos, relatórios, etc) e fórmulas complicadas que requerem pensar com calma para saber sua nota e complicam estudar as matérias em que se está pior.

Os intercâmbios são usados para acirrar ainda mais a competição elevando a média final, aumentando a média final e também o desvio que chegam a 3 pontos ou mais. Ou seja vários alunos tirando 10 e vários tirando zero. Já ouvi o boato que a média do segundo ano é de 4 ou coisa do gênero.

A USP é elitista e de certa forma a Poli se pensa a elite da USP, mas isso não é suficiente, sempre tem que se purificar mais, então o ciclo básico (os 2 primeiros anos) é cheio de matérias áridas, desconectadas e extremamente exigentes. A ideia é garantir sempre uma alta taxa de desistência, porque aqueles que o pai manda ir para engenharia ou são gananciosos não serão demovidos tão facilmente. Ah, e as privadas porque são assim? Simples essas faculdades em sua maioria vivem com as mensalidades do primeiro ano, sequer precisam do resto. As outras por costume, falta de criatividade, crença no sistema e utilidade, uma vez que vai se usar 10% da matéria.

O não paternalismo, o que significa? O professor não te ajuda em nada e quando você pergunta ele te dá resposta atravessada. Esse moderno método didático visa deixar o aluno sobrecarregado e fazer ele ter certeza que só passou por esforço próprio e conseguindo o máximo de amigos e grupos possíveis dos Maçons aos Iluminati.

Aulas feitas didaticamente para confundir o aluno e evitar o aprendizado.

Há a objeção atendida pela EC-3 (reestruturação curricular, que pode acontecer todo ano, mas que na Poli só aparece de 10 em 10 anos) de que Cálculo I e III não pode ser dado junto com Física I e III, respectivamente. Acho meio besta, porque se usa muito pouco em física e normalmente o professor explicita, mas como já foi arrumado tanto faz.

Há um certo orgulho de ser um curso que reprova muito, aprovar demais é sinal de fraqueza e cursos pagos.

Falta de oposição estudantil afinal no carnaval a nota vai de 9 a 10 e na Poli de 0 a 1(o famoso binário).

Segundo os professores todos tirando alguns escolhidos pelo deus cristão/judeu/ budista/muçulmano / nenhuma das anteriores são vagabundos e aproveitadores, os piores alunos possíveis. Por isso a nota baixa e por isso a necessidade de manter o aluno sempre vigiado.

Para os que se vangloriam de se tornarem selfmade man na Poli, a vida tem que ser bem vigiada para não poder fazer nada e ter que esperar por uma Poli para tomar as rédeas da sua vida.

Um dos motivos que justifica é que infelizmente no nosso país e em muitos outros se você não justifica com sangue o salário não vai ser bom e buscar do emprego um tormento. Estão criando e incentivando desde a ditadura a carreira de tecnólogo que no caso da FATEC tem um ensino tão bom quanto um engenheiro, mas recebe metade do salário. Assim tem que se valorizar a profissão aprendendo coisas difíceis pra burro. Mesma coisa sobre jogar lixo no chão, se você jogar dá emprego para lixeiros e limpadores de galeria da Sabesp, é ridículo, mas estamos no capitalismo.

Por fim, o que se pode fazer:

Pode-se fazer palestras sobre o assunto, Debates, Mesas redondas, Atos, Sabatinas com novos diretores e por fim propor cursos de aprimoração do ensino com professores ligados a área de educação.

E o que o grêmio e os centros acadêmicos fazem?

Enchem seus jornais com relatos de intercâmbios para instigar a competição e parecem fazer questão de quase não falar nada sobre as extensões da Poli (baja, aeromodelismo, thunderratz, polijunior, arte da elétrica, grupo de teatro, cursinho da poli, etc etc). Tirando o opmin que faz uma eleição de qual projeto vai receber recursos do grêmio e uma nota vez ou outra no jornal ou no facebook, não à toa quem ganhou esse ano foi o Ipoli de internacionalização.

Ah também eles falam nos corredores que a Poli é difícil, o que tem mudado muito a situação.

Acho que no auge das manifestações quando fizeram um abaixo assinado para cancelar as provas de um dia para que pudesse haver gente indo lá foi o mais perto que se chegou de contestar alguma coisa.