A ditadura na USP continua

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A PM utilizou 250 homens para fazer reintegração

 

A atuação da Polícia Militar no último dia 12, com cerca de 250 homens da Tropa de Choque e outros destacamentos, para realizar a reintegração de posse dos blocos K e L, usados pela reitoria, e que resultou na prisão arbitrária de dois estudantes, mostra mais uma vez por que esta foi colocada dentro do Campus. Sua atuação, nem na USP nem em lugar nenhum, tem como função a segurança, mas a repressão àqueles que se revoltam contra a ordem vigente.

Desde 2009, a PM entrou no Campus apenas para reprimir a livre manifestação de estudantes e funcionários, o que foi agravado por Rodas. Quando este era diretor da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, este chegou a colocar a Tropa de Choque dentro das arcadas e, enquanto reitor, assinou o convênio USP-PM e é o responsável pelas duas reintegrações de posse da reitoria, a primeira com mais de 400 homens, em 2011.

O convênio foi assinado usando a morte do estudante Felipe Ramos, no estacionamento da FEA, como pretexto. Mas toda a atuação da Polícia Militar dentro da USP é política, como a repressão às manifestações, piquetes e as reintegrações de posse da reitoria e da Moradia Retomada. Enquanto que casos de sequestros-relâmpago e estupros continuam acontecendo, sem grande atuação da PM contra tais.

A reintegração ocorrida há dois anos, contra uma ocupação que inclusive tinha como pauta a saída da PM da USP, não deixou dúvidas sobre a ditadura vigente na universidade. A polícia usou desde helicópteros até rapel; bombardeou o CRUSP com gás lacrimogênio para impedir o apoio dos estudantes e resultou na prisão de 72 estudantes, sendo que alguns foram arrastados para dentro da reitoria.

Este ano, apesar do também grande contingente usado pelo órgão de repressão, nenhum estudante foi preso dentro da reitoria. As duas únicas prisões, ocorreram de forma arbitrária, fora da reitoria. Os estudantes de filosofia Inauê Taiguara e João Vitor Gonzaga estavam saído de uma festa na FFLCH e foram detidos pela PM na Praça do Relógio, sem qualquer explicação. Eles sofreram uma série de abusos, como agressões e tortura psicológica, chegaram a ser transferidos para o Centro de Detenção Provisória Osasco II e tiveram a cabeça raspada.

Apesar de terem sido libertados, através de um pedido de relaxamento da prisão, aprovado a muitas custas pela juíza Juliana Guelfi, os dois ainda responderão em processo por furto qualificado, danos ao patrimônio público e formação de quadrilha.

A prisão foi claramente um abuso do poder policial, uma forma de não saírem de mãos vazias da reintegração. Mas este é o modus operandi do órgão que detém o monopólio do uso da força.

Assim como a Polícia tem atuado há anos na USP contra o movimento estudantil, escancarando a ditadura na universidade, os estudantes levantam desde 2009 a saída da PM da USP como uma das principais bandeiras.