Comentando o último plebiscito da Poli

Sobre a manufatura pouco posso dizer somente que não fui na assembleia. Sobre o plebiscito em si, o mais visível é a ausência da palavra greve abertamente e o esquecimento das pautas que foram discutidas em junho. Qual foi essa discussão? Assembleias , grupos de discussão são raros na Poli, no máximo temos palestras do Politizados que trazem figuras como José Aníbal e talvez Kassab e Maluf apareceriam por aqui se não fossem tão mal vistos

O que tivemos foi a necessidade do grêmio de pelegar os estudantes e endireitar o movimento com foco no fora corrupção e outras que se fala mais baixo. Isso se traduziu na afixação de um cartaz grande parte não preenchido convocando os alunos a explicitarem suas pautas de movimento. Entre elas: Fora IME, Fora (nome do professor), pelas direitos trabalhistas, fora PM, mudanças no currículo disciplinar (exclusão, alteração, inclusão de disciplinas; menos créditos obrigatórios, etc), outros métodos de correção das avaliações, etc. Creio que o grêmio politécnico não deseja incluir esse tipo de discussão, somente falar exaustivamente que irá cobrar melhor didática dos professores, mas nunca fazer e nunca dizer explicitamente como vai fazer. Da plenária, creio que foi apática e esquecida, mas mesmo assim incluiu temas de interesse como apoio à greve, paralisação da Poli, eleições diretas, estatuinte, Blocos do Crusp, cotas, ocupação, greve da USP.

Foram 970 votantes. Por que isso é importante? Porque na Poli há o mito da alta representatividade do plebiscito, porém vejamos assembleia de 250 são melhores do que plebiscitos de 1000? Se usarmos o critério pitagórico do Júpiter que melhor nota/melhor aluno, sim.

Porém a coisa é mais complicada, assim como uma assembleia reúne normalmente somente os mais interessados, o plebiscito reune os que mais facilmente vão votar, ou seja, X pede para Y ir votar, Z não viu que tinha votação, W só votou porque estava todo mundo votando, V faz boca de urna, T votou em qualquer coisa porque não quis ler o papel todo sobre as perguntas, B escreveu um texto sobre as perguntas de forma parcial, C não votou porque foi na semana de prova.

Esses são alguns problemas que posso pensar a toque de caixa. Sobre os problemas das assembleias é sobre perguntar para um direitista ou até para os inúmeros diretores do DCE para descobrir. E talvez a maior objeção seja se 970(13%) , com somente 20 da pós representam 7094 alunos sendo 4.520 estudantes de graduação?

A solução seria a votação obrigatória, mas não há apoio para isso ou formas de coerção (multas? perda de direitos? Obrigações a mais? O que pode servir?)

De todo modo aqui vão alguns resultados:
Paralisação perdeu
apoio à greve da usp perdeu
apoio à ocupação perdeu
cotas perdeu
deliberação de greve da Poli perdeu
devolução dos blocos K e L ganhou
estatuinte soberana ganhou
apoio à nota da Poligen de ações contra o estupro ganhou
maior participação no CTA (Conselho Técnico Administrativo)
funções:
Aprovar o orçamento da Escola Politécnica;
Opinar sobre a criação, modificação e extinção de departamentos;
Propor a criação de cargos e funções docentes;
Deliberar sobre contratação, relocação, dispensa e afastamento de docentes e servidores.
O órgão é composto pelo diretor e vice-diretor da Poli, chefes de Departamento, além de representante do corpo discente e dos servidores.
Atualmente com 4 representantes discentes de 45, menos de 10%.
Servidores não vi não.
Só um monte CPq, CG, CPG, CCEX,CCB.
Ganhou

O que dizer disso tudo? 5 a 4? 4 a 5? as de esquerda perderam? Sei lá, sei que significa que a Poli vai virar as costas para o movimento estudantil e se os estudantes levarem cassetete, vai ter gente que vai ficar feliz. Mas a maior parte foi por 50 a 60% assim pode ser que ocorra mudança e mostra que não são os 90% de votos para o Kassab de alto de pinheiros.
Menos em quotas que atingiu a marca de quase 75%, o que é assustador, com coisas do tipo “Triste é seu pai se esforçar ao máximo pra te dar condições de estudar numa escola particular e por isso você ter menores chances de entrar numa universidade pública! “ e “acesso para universidade é por nível e não por pena.”

O que fica é a esperança que se façam mais plebiscitos, mais frequentemente com maior divulgação e mais debate e que também ocorram assembleias, que é um canal mais direto entre grêmio e estudantes.

J.T.