“Destruição” dos estudantes x Destruição da Reitoria

A imprensa capitalista e a reitoria tem divulgado que os prejuízos causados na ocupação da reitoria são de R$ 2,4 milhões, na tentativa de desviar a atenção e desmoralizar o movimento estudantil. A reitoria, por sua vez, tem uma clara política de desmonte da universidade, deixando as faculdades de menor interesse da iniciativa privada, como a FFLCH, sucateadas, e a moradia estudantil está completamente abandonada.

As reformas feitas pela reitoria custam caro, mas são meramente estéticas. Evidência disto está na pintura do CRUSP, quando há uma série de problemas graves não resolvidos e com a reforma feita no prédio de Letras, que em pouco tempo se mostrou uma farsa, com a queda de parte da cobertura de uma sala de aula. Em outros prédios, como a FAU, há anos estão reformando, mas vários pontos de goteira permanecem em caso de chuva.

Vários são os problemas relatados pelos moradores do CRUSP. Desde lâmpadas que não são trocadas, até prédio que não parece ser estável e a cada dia parece se aprofundar o descaso da SAS (Superintendência de Asistência Social, antiga Coseas) com os moradores.

Enquanto isso,  a espionagem, o controle social e a perseguição saltam aos olhos, o serviço de zeladoria da SAS, é desconhecido.

No Bloco A1, que possui um elevador em cada extremidade, um deles está quebrado há quase um mês e as escadas estão repletas de lixo e cheiro de chorume. Para não falar dos buracos e rachaduras espalhados pelo prédio entregue com atraso de dois anos, em 2011. Segundo o acordo da ocupação de 2007, o Bloco A1 deveria ter sido entregue em 2009. No Bloco A, os dois elevadores estavam quebrados nesta segunda-feira, dia 18.

As salas de estudo também sofrem com a ausência de manutenção. Apesar do problema ser antigo, ele é mais sentido no período de provas, principalmente pelos estudantes dos alojamentos, que não têm outro lugar para estudar. A sala do Bloco C, está fechada há um ano e meio e as que ainda estão abertas, a mesa é pequena e faltam cadeiras.

Internet? É lenda no CRUSP. É o sinal de internet mais instável de toda a USP, em alguns blocos sequer tem sinal. O jeito é usar o sinal da Colméia que é mais estável apesar do total desconforto para utilizar. Bicicletários? Não existem! Ao mesmo tempo que a SAS não oferece bicicletários, acusa os estudantes que amarram suas bicicletas nos corrimãos de impedir o acesso aos deficientes físicos. Mas fica a pergunta, que acesso? Os blocos não tem rampa para cadeirantes.

Nas cozinhas não é diferente. As mesas e banquetas estão quebradas, em algumas há vazamento de água e, pelo cheiro, de gás também.

Os materiais para os apartamentos, como colchão ou estantes, possuem fila de espera de até um ano para conseguir através da SAS. Com isto, a maioria dos estudantes acaba por optar em conseguir móveis por outros meios, o que depois vira pretexto para que a “zeladoria” crie alguma punição para os estudantes.

Enquanto isso, a perseguição política, a falta de privacidade e o controle da vida dos moradores é latente. Os porteiros continuam a tomar notas sobre o cotidiano dos estudantes. No A1, novamente a SAS deixou um recadinho para os moradores: eles devem deixar a chave do respectivo quarto para a instalação da internet. Claro, qualquer consulta ou possibilidade de acompanhar o serviço não é colocada como opção pelo braço da reitoria no CRUSP.

Vagas para novos moradores, nem pensar. O que poderia ter sido um avanço, a devolução efetiva dos antigos blocos K e L para a moradia no CRUSP, com a reintegração de posse da PM, do Rodas e do Alckmin, deve ficar pro próximo século. Em contrapartida os demais blocos estão sendo conscientemente sucateados pela reitoria. Já as obras de reforma da nova reitoria, vão muito bem, obrigado!