R$ 2,4 milhões?

Para ser pintada de ouro e o chão coberto de tapetes persas, a reitoria estimou que os gastos com a reforma dos blocos K e L que (não) serão transformados em moradia, chega a R$ 2,4 milhões. Mas a USP não quer gastar com esta reforma. Com isto, determinou que este foi o suposto dano causado pela ocupação da reitoria e deve processar o DCE, o Sintusp e a Adusp, para arcar com os gastos.

É claro, este valor não é nada para uma universidade que teve um repasse de R$ 4,3 bilhões, apenas neste ano, além dos R$ 3,4 bi que já possuía em caixa. Mas se as entidades tiverem de bancar, como quer Rodas, isto pode impactar fortemente as entidades e até fechá-las. A situação pode piorar ainda mais, caso a Adusp e o Sintusp sejam isentas no processo, por não terem participado da ocupação.

Nenhuma das três categorias pôde acompanhar o processo de reintegração de posse e a vistoria que chegou a este resultado no mínimo estranho. Como é sabido, a ocupação se deu apenas no térreo do prédio e com a preservação de vários dos bens, para evitar roubos ou maiores danos, o que torna o valor um tanto quanto exagerado.

Além disso, Rodas, um jurista, com este processo também estará respondendo ao colega, juiz Adriano Marcos Laroca. Ao julgar o pedido de reintegração de posse, Laroca afirmou que “a desocupação involuntária, violenta, causaria mais danos à USP e aos seus estudantes do que a decorrente da própria ocupação, indefiro, por ora, a liminar de reintegração de posse”.

“Eventual beneficio decorrente da ocupação, como forma de pressão, é muito superior à interdição parcial de funcionamento administrativo da USP e aos danos de pequena monta ao seu patrimônio, pelo que consta dos autos.”, continua o juiz. (retirado da decisão que indefere reintegração de posse)

Claro, como as negociações foram encerradas pela metade, sem qualquer acordo que previsse mudanças na universidade e houve reintegração com uso de força policial (pelo menos 250 homens), o valor que Laroca previu foi, por fim, multiplicado muitas vezes.

O DCE, absurdamente, tentou nas negociações propor que qualquer dano na reitoria seria responsabilidade da entidade. Ainda bem que o acordo que previa isto (e ainda colocava a possibilidade de responsabilização individual de outros envolvidos) não foi assinado, pois não poderia se questionar a validade do processo.

Agora, é bom os diretores já acionarem seu departamento jurídico para começar a questionar a responsabilidade dos danos e até o valor levantado pela reitoria. Fazer uma campanha financeira também não cairia mal, sei que esta gestão não é muito de fazer campanha, mas tenho certeza que a “oposição” ajudaria…

Lucio Falsi