A atividade do Psol PSTU mostra que os estudantes precisam de um DCE de verdade

A atividade do Psol PSTU mostra que os estudantes precisam de um DCE de verdade

A greve dos estudantes da USP completa esta semana 50 dias e o que chama a atenção é que apesar de toda a campanha contra a greve que envolve a reitoria, uma parcela grande de professores e a luta interminável da imprensa burguesa publicando diariamente matérias contrárias e informações falsas sobre o movimento, os estudantes continuam resistindo.

Vale ressaltar também que dentro do próprio movimento existe uma força contrária para acabar com a greve, como ficou comprovado de maneira explícita nas últimas três assembleias realizadas, a direção atual do DCE (Psol/PSTU).

Precisa ficar claro que a tendência agora explícita do DCE em impedir o avanço da mobilização já estava presente desde o primeiro dia da ocupação da reitoria.

No dia 1º de outubro, logo após a entrada dos estudantes no prédio da reitoria, depois que Rodas impediu a participação na reunião, o DCE já tentava apaziguar o ânimo dos estudantes. Nesta ocasião, os diretores do DCE tentaram dispersar os estudantes que forçaram a entrada na sala do CO dizendo que a reunião havia terminado. Convocaram uma plenária no saguão de entrada da reitoria. Nessa reunião, os representantes dos estudantes e trabalhadores que estavam na sala de reunião informaram que esta ainda continuava, desmentindo a informação do DCE. Em seguida, a direção do DCE quis votar se os estudantes deveriam ou não entrar na reunião do conselho. Nesta votação a entrada na sala de reunião foi derrotada. Alguns estudantes, através de uma janela do banheiro, até conseguiram entrar na sala onde o reitor, diretores de unidade e empresários ainda se encontravam, mas a orientação da direção pelega do DCE já havia conseguido esvaziar a reitoria.

A direção do DCE, apesar de dizer ser favorável à greve geral e a manutenção da ocupação, foi contrária a todas as propostas e iniciativas de luta durante todo o movimento. Foram contrários à proposta de dissolução do Conselho Universitário, propondo apenas a suspensão da reunião do dia 1º., foram contra a proposta de Governo Tripartite, ou seja, a extinção da figura do reitor, para propor eleições paritárias para o cargo. Participaram das diversas comissões organizadas na ocupação impedindo que se expandisse para os demais cômodos e andares da ocupação, restringindo a entrada de estudantes e consequentemente uma maior participação do movimento.

Nos atos de rua, o DCE foi terminantemente contrário à participação dos Black Blocs em apoio aos estudantes, inclusive reproduzindo o discurso da imprensa de que eram infiltrados. Na primeira oportunidade defenderam o fim da greve em todos os cursos em que dirigem o Centro Acadêmico e por meio do comando de greve aprovaram o fim da greve que não foi referendado pela assembleia.

Esta decisão absurda, o fim da greve aprovada por um comando que se pressupõe, defender a greve, foi utilizada pelo DCE e pela imprensa burguesa, para alardear que a greve e a ocupação acabariam. Um diretor do DCE, Pedro Serrano, chegou a declarar para a imprensa que a greve seria encerrada na assembleia do dia 6. O boato do fim da greve alardeado pelo DCE fez com que a edição do Jornal Metro News, do dia 7, estampasse a notícia de que os estudantes haviam acabado com a greve e a ocupação, uma mentira já que no dia anterior a assembleia tinha votado a continuidade do movimento.

Dias antes da assembleia do dia 6, membros do DCE foram vistos convocando estudantes dos cursos menos mobilizados, até mesmo da Escola Polítécnica, que sequer estavam em greve, para participar da assembleia do dia 6 para decidir o fim da greve. Para completar o pacote, o diretório central ainda trouxe três ônibus com estudantes da USP do interior de São Paulo, dos campi de Pirassununga, São Carlos e Ribeirão Preto para votarem pelo fim da greve.

E por fim, diante da desocupação do prédio da reitoria pela Tropa de Choque da PM e da prisão totalmente arbitrária de dois estudantes, com denúncia de tortura por parte de policiais contra os estudantes, o DCE ainda foi capaz de defender o fim da greve quando a resposta deveria ser aumentar a mobilização e enfrentar a reitoria e governo do PSDB.

A resposta dos estudantes

Apesar de todas estas manobras e golpes organizados pela entidade que deveria mobilizar e não desmobilizar, a maioria dos estudantes, em todas estas oportunidades, se mostrou decidida em manter a mobilização. Nas últimas três assembleias realizadas, com a insistência do DCE em aceitar um acordo fajuto e acabar com a greve, os estudantes não recuaram.

A resposta dos estudantes com a manutenção da mobilização derrotando a direção pelega do DCE demonstra que esta direção não serve, há muito tempo, aos interesses dos estudantes.

A política do Psol/PSTU em tentar, a todo o momento desmobilizar, aceitar as propostas da reitoria, a confundir os estudantes e atrasar o avanço da luta comprovam que é necessário um movimento amplo de oposição a este peleguismo que reúna todos os estudantes combativos que tem interesse em lutar contra a reitoria, contra a PM e defender uma universidade que seja de fato democrática com um governo que represente os três setores, professores, funcionários e estudantes, um governo tripartite, com maioria estudantil.

João André Dorta

estudante de Letras e militante do PCO