Não importa o reitor eleito, PM continuará

Apesar de não conseguirem defender a permanência da Polícia Militar no campus, nenhum dos candidatos coloca o fim do convênio no programa

Função da PM na USP é reprimir movimento estudantil.
Função da PM na USP é reprimir movimento estudantil.

Na eleição para reitor da USP, prevista para o próximo dia 19, as quatro chapas não pretendem acabar com o convênio com a Polícia Militar. A presença da PM é um ataque à autonomia universitária e um dos principais focos das mobilizações dos estudantes.

O convênio determina a presença ostensiva da polícia na universidade, mantendo uma base móvel na cidade universitária. Este contrato foi assinado por Rodas em 2011, usando como pretexto a morte do estudante da FEA, Felipe Ramos de Paiva.

Os atuais candidatos, apesar de não defenderem o fim do convênio, também não conseguem defendê-lo abertamente, propondo ao menos uma avaliação do mesmo. A crise com o tema é evidente e a própria imprensa evita tocar no assunto nas entrevistas e debates com os reitoráveis. A reintegração de posse da reitora deste ano, com a prisão arbitrária de dois estudantes, também não é tocada nos debates.

profhelio2013A Chapa 1, composta por Hélio Cruz, que foi vice-reitor de Rodas, e Telma Zorn, pró-reitora de Graduação, defende em seu programa apenas a reavaliação das atuais políticas de “segurança patrimonial e das pessoas”. Esta avaliação se daria por dentro dos próprios organismos de pesquisa da USP, mas Hélio, em entrevista para a Folha de S. Paulo afirma que “não se pode abrir mão da segurança das pessoas e do patrimônio físico”.

usp - José Roberto CardosoOs candidatos José Cardoso, para reitor, e José Ramires, como vice, chegam a afirmar em debate que são a favor de “desmilitarizar” a USP, sem deixar claro o conteúdo disso. No Plano de Gestão apresentado no site dos candidatos, no entanto, não há qualquer referência clara ao assunto. Em entrevistas, a chapa encabeçada pelo diretor da Escola Politécnica afirma que a presença da Polícia seria necessária para conter delitos de natureza criminal.

RR__9021_marco_zagoA terceira chapa, composta por Marco Antônio Zago, pró-reitor de Pesquisa e o pró-reitor de Pós-Graduação, Vahan Agopyan, também não possui nada no programa sobre o assunto. Em uma apresentação sobre a chapa, Zago afirma que a Polícia Militar “não cumpre bem a sua função fora da universidade” e, por isso, também não o faria dentro da USP. Os dois candidatos, no entanto, defendem o convênio, para uma suposta integração com cidade.

Coordenador-de-Relações-InstitucionaisA chapa que mais abertamente defende o convênio é a de Wanderley Messias e Suely Vilela. Em vídeo de campanha e em entrevista o candidato que também concorreu no último pleito, defende a política de Rodas de convênio, mas não há nada no programa sobre o assunto. Suely Vilela é a antecessora de Rodas na reitoria.

PM e privatização

A presença da Polícia Militar dentro da USP faz parte do projeto de desmonte e privatização da universidade. Neste processo, sua função é calar por meio da força o movimento estudantil e todos aqueles que se opuserem ao plano imposto pelo imperialismo.

Desde 2009, PM entrou na USP para atacar mobilizações e greves.
Desde 2009, PM entrou na USP para atacar mobilizações e greves.

Em 2007, os estudantes se levantaram contra a tentativa de acabar com a autonomia universitária, levada a cabo pelo governador José Serra (PSDB). Na prática, o movimento estudantil conseguiu impedir o ataque. Neste momento, o governo já viu a necessidade de uso da força, mas caso usasse naquele momento, a mobilização poderia se generalizar.

Dois anos depois, o governo reprimiu colocando a PM no campus logo no início da mobilização da greve. O convênio surgiu como continuidade e aprofundamento da repressão aos estudantes. Isto ficou claro com a repressão no dia 27 de Outubro, quando a polícia tentou prender três estudantes, com a reintegração de posse da reitoria, levando 72 presos e toda a repressão seguinte a isto.

Assim como nenhum dos candidatos se opõe ao convênio, os candidatos também não são contra à política de privatização, com o investimento privado, as fundações, etc. Além disso, todos fazem coro com a política de corte de gastos, quando a USP possui bilhões acumulado em caixa. No começo do ano, foi divulgado que, além do repasse anual de R$ 4,3 bilhões, a USP possui 3,4 bilhões acumulados dos anos anteriores.