Como conseguir uma vaga na moradia estudantil

O campus Butantã da USP dispõe de cerca de 1500 vagas para estudantes morarem no Conjunto Residencial da USP, o Crusp. Embora essa moradia tenha sido toda conquistada através da ocupação dos alunos, hoje ela é controlada por um órgão da burocracia da univerdade, a SAS. Esse órgão controla quem pode e quem não pode morar no Crusp de maneira claramente arbitrária e ainda não divulga os critérios para essa seleção.

Ao chegar na USP e fazer a matrícula, você, aluno ingressante, deve procurar a sala das assistentes sociais da SAS, em frente ao bandejão central, e fazer a solicitação por uma vaga emergencial. As assistentes cumprem o papel de desetimular cada estudante de querer a vaga, alegando que existem pessoas muito mais vulneráveis precisando da moradia. O estudante não deve se intimidar, deve insistir. As assistentes, então, irão cobrar trilhões de documentos para condicionar a concessão da vaga emergencial nos alojamentos e, futuramente, da vaga nos apartamentos do Crusp. Não se assuste. Apresente os documentos que tiver em mãos, escreva declarações de próprio punho e se comprometa a levar outros documentos assim que puder.

O principal filtro que as assistentes se utilizam é o ideológico. Pose de bom moço, finja ser um cidadão conformado e desinteressado em política de esquerda. Essa uma grande contradição, pois o Crusp e os bandejões foram conquistas do movimento estudantil e quem estuda hoje é parte da manutenção desses direitos, que são constantemente ameaçados. No entando, elas irão perguntar sobre as greves e as ocupações dos estudantes, então seja cínico e objetivo: diga que o que mais lhe interessa mesmo é terminar o curso o mais rápido possível.

No dia 17, segunda-feira, traga toda sua bagagem e exija a vaga que lhe foi prometida. Caso não tenham oferecido nenhuma vaga, exija na segunda-feira. A moradia estudantil é um direito, não um favor. Ninguém está obrigado a se endividar com aluguel para poder estudar na USP. Se a vaga não vier, você precisará entrar nos alojamentos e apartamentos como hóspede.

A hospedagem depende do acolhimento dos moradores do Crusp. Nesse sentido, é preciso explicar a sua situação para as pessoas que já moram, o que não é nenhum bicho de sete cabeças, pois todos provavelmente já passram por ela. A moradia é conquista de todos os estudantes, inclusive dos calouros, que tem o dever de lutar pela manutenção e ampliação desse direito. Não é plausível que um morador deixe de hospedar os novos alunos por se sentir dono do espaço ou por vaidade. As questões de privacidade são facilmente acertadas durante a conviência.

Outra alternativa, já muito utilizada em outros anos e que não representa nenhuma novidade no Crusp, é se instalar nas salas de estudo. Isso ajuda a deixar evidente o problema da exclusão de uma enorme parcela dos estudantes da universidade devido ao não oferecimento das vagas de moradia. No ano passado, os estudantes deixaram de recuperar os blocos K e L do Crusp por intransigência dos grupos servis à reitoria, que queriam barganhar a ocupação daquele espaço, mas esse episódio revelou que centenas de estudantes já enfrentam esses problemas. Milhares de alunos desistem do curso por conta da falta de apoio ou informação. A regra básica é insistir, por todos os meios, e se juntar aos que também passam ou passaram pela mesma situação. No decorrer desse processo, envie depoimentos e denúncias para o Jornal da USP Livre.

Alcides Pedrosa