Curativos para o coração sem partido

Altino de Moraes costuma dizer que três coisas não devem ser pautas de discussões: religião, futebol e política. Por isso se incomoda com alguns colegas da universidade, que sempre debatem por razões políticas. Essa noite, Altino se chateou novamente porque viu que as discussões transpuseram o meio físico de sua faculdade, e chegaram ao seu alcance quando se sentia imune a toda essa confusão – no conforto de sua casa (onde permaneceu durante toda a greve, pra se manter seguro dessa horda de bárbaros). Altino não entende porque as pessoas brigam por razões tão banais. Altino só quer ficar em paz; só quer que todo mundo se ame, apesar das divergências.

Também tem o caso da Maria Joaquina, a estudante que ocupava seu tempo falando sobre o físico dos homens e bebendo cerveja com seus colegas da Atlética. Entre um gole e outro, Maria fazia um comentário depreciativo sobre seu colega de curso, por ele ser deficiente mental (porque ninguém é de ferro, né, meu). Mas a greve chegou, e Maria foi à luta; participou ativamente da mobilização, chegando até mesmo a participar da mesa de uma das assembleias – seu intuito era defender os independentes da atuação dos militantes de partido que, pensando somente em seus interesses políticos, manobravam as decisões que em nada representavam aos indefesos estudantes. Com esse objetivo, se juntou aos seus colegas de faculdade e passou a organizar reuniões (só de independentes! #SEMPARTIDO) pra discutir a representatividade das assembleias. Maria e seus amigos queriam muito ser ouvidos mas, infelizmente, eles não tinham nada pra falar.

Mulher Mosca