Lições da greve

Os ultrapelegos do Psol e do PSTU acusam a “ultraesquerda” pela derrota do movimento de greve e de ocupação da reitoria dos estudantes da USP.

No entanto, a direção do DCE, composta por esses partidos, só publicou o Jornal do DCE na tentativa frustrada de acabar com a própria greve e a ocupação da reitoria. Em nenhum outro momento se direcionou à “base” (que eles enxergam como um rebanho a ser domado). O “trabalho de base” feito por esses partidos consiste em discursos e manobras nas assembleia. Em geral, uma imprensa própria é desnecessária para esse tipo de política. Os grandes jornais e redes de TV deram conta: o fim da greve e da ocupação foi anunciado com antecedência pelo jornal Metro News, a Globo News enalteceu o papel pacífico do DCE e a legitimidade da inofensiva reivindicação de diretas para reitor, entre outras tantas matérias publicadas na Folha e no Estadão em favor da política do DCE.

Os pelegos defenderam o fim da greve na maioria dos cursos com menos histórico de mobilização. Evitaram ao máximo aos atos de rua e as outras iniciativas que não eram do DCE, inclusive a retomada dos blocos K e L do Crusp, tarefa urgente para quem precisa de moradia.

O peleguismo apenas se atenta à oferta e a demanda da reitoria e da imprensa capitalista na tomada de decisões. O DCE sabia que as promessas relacionadas com os benefícios estudantis e condições de estudo em geral eram idênticas ao atual plano da reitoria. Mesmo assim, defenderam  uma caça imediata a essas promessas, subestimando os estudantes em geral. Levaram essa política adiante a fim de relegar para um segundo plano de análise a finalidade política da greve estudantil.

Alcides Pedrosa