Bem-vindos, calouros

O Jornal da USP Livre! é uma voz de resistência dentro da universidade, pois hoje ela vive sob uma ditadura.
Exagero? Como chamamos então um regime em que a esmagadora maioria dos seus membros não tem sequer direito à voz e muito menos ainda poder de decisão? E o que acontece quando tentamos fazer nossa voz ser ouvida e nossas reivindicações atendidas, com manifestações, greves e ocupações? O que temos visto desde 2009: a universidade é colocada sob estado de sítio. A PM se instalou dentro do campus e agora as manifestações são reprimidas pela força.
Para desocupar a reitoria em 2011, foi enviado um reforço de mais de 400 policiais. Que eles entrem para prender estudantes não é mais novidade, já que a policia está lá permanentemente. Na desocupação da 2012, dois estudantes que apenas passavam perto do local foram presos, na delegacia foram pressionados de maneira brutal pela polícia para confessar algo que não fizeram e em seguida foram enviados a um cadeião, onde tiveram seus cabelos rapados. Logo se vê que a ditadura não se limita aos muros da USP….
Se ainda acham que isso é pouco ou que é um procedimento que vem simplesmente de fora da universidade, há ainda um dado que precisamos acrescentar: a própria reitoria, por meio de seus vários órgãos administrativos e da guarda universitária, mantém um serviço próprio de espionagem dentro da universidade. Documento encontrados por estudantes que ocuparam a administração da moradia da USP, o CRUSP, encontraram e divulgaram de diversas formas milhares de documentos que provam que os porteiros dos blocos mantêm um controle estrito dos moradores. Se ele foi a reuniões da associação de moradores do CRUSP, o que foi dito nessas reuniões, qual a posição de cada estudante. Mas não é só isso: eles têm um relatório detalhado da vida cotidiana de cada um dos moradores: se trocou de namorado ou namorada, se deu uma festa, se foi dormir tarde, que música ouviu etc. Uma violação descarada dos direitos dos estudantes! E para ver que a intenção da reitoria é política, basta notar que quase todos os diretores da úlltima gestão do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) estão sendo processados, inclusive criminalmente, pela reitoria. Um dirigente histórico do Sintusp, Claudionor Brandão, foi demitido de maneira irregular, já que ele tinha estabilidade no emprego, e foi condenado criminalmente simplesmente porque discutiu com um professor! Documentos encontrados também na reitoria mostraram que essa mantinha, por meio da guarda universitária, um relatório diário com todos os passos de Brandão, hora por hora.
Depois de 2011, quando o antigo reitor João Grandino Rodas colocou a PM no campus, viu-se também que o trabalho da PM não é apenas ostensivo; há policiais infiltrados nas salas de aula para ver cada passo dos estudantes, como ocorria na ditadura militar. Aliás, essa reitoria e a burocracia que controla a universidade, nada mais são do que uma continuação daquela da ditadura, que chegou a entregar estudantes para serem torturados e mortos.
Assim, calouro, se você viu as manifestações de junho, não se engane: não se tratava de luta contra a corrupção e sim contra essa ditadura que existe na USP, no estado de São Paulo, e no Brasil, onde a lei frágil não nos garante liberdade de expressão, de manifestação, de termos nossos direitos respeitados. A luta na USP é uma continuação dessa luta.
E diante desse fato qualquer outra coisa não pode ser senão subordinada. De uma ditadura não basta pedir reformas mínimas ou paliativas. É preciso derrubá-la.
Diante disso, é possível fechar os olhos e simplesmente ir para as aulas como se nada estivesse acontecendo? Nós achamos que não e apresentamos como solução que nos juntemos para tentar mudar tudo isso. Por isso, te convidamos a resistir, se unindo a nós para ser mais uma voz, mais uma caneta, nesse instrumento de resistência e de luta contra essa ditadura que é o Jornal da USP Livre!

Desde 2009, PM entrou na USP para atacar mobilizações e greves.
Desde 2009, PM entrou na USP para atacar mobilizações e greves.