USP: uma estrutura para legitimar a barbárie?

ASSÉDIO MORAL E ABUSO DE PODER NA PÓS-GRADUAÇÃO

Encontrar na USP um aluno de pós-graduação que tenha sido vítima de assédio moral e abuso de poder é muito fácil. Frases absurdas como “a bolsa que você recebe é minha” são comumente utilizadas para coagir e humilhar orientandos. Foi exatamente o que escutei quando pedi para ser trocada de orientador, por me sentir assediada, constrangida e censurada. No meu caso, não só a bolsa foi considerada como posse do orientador, mas a aluna (eu). Também foi esse um dos motivos alegados para o orientador negar a troca de orientação, mas nenhuma justificativa acadêmica para tal negativa foi apresentada. Protocolei diversos ofícios para a coordenação do programa de pós-graduação, denunciando a situação que vivenciei e pedindo a troca de orientação, porém todos eles foram negligenciados. A troca nunca foi efetivada, entretanto fui ilegalmente desligada do curso sete meses antes do meu prazo de depósito, apesar de ter concluído a dissertação, ter sido aprovada no exame de qualificação e ter recebido conceito A em todas as disciplinas cursadas. O desligamento foi realizado sob o pretexto de um e-mail (sem assinatura), com teor de denúncia, que enviei devido à tortura psicológica acarretada pela situação desumana e irracional que me submeteram. Nem mesmo o regimento da pós-graduação, tão discutido pelo corpo docente, foi cumprido nesse desligamento.

DESSA EXPERIÊNCIA, POSSO DAR AS SEGUINTES INFORMAÇÕES:

Se você é vítima de assédio e abuso de poder, cometidos pelo orientador, a quem pode recorrer na USP?
1) à CCP (Comissão Coordenadora de Programa), onde a grande maioria dos membros são docentes, pares do seu orientador;
2) ao Ouvidor Geral, que é nomeado pelo Reitor, que por sua vez é nomeado de lista tríplice de nomes pelo governador;
3) à Comissão de Ética, cujos membros são nomeados pelo CO (Conselho Universitário), que é dominado pela reitoria e possui um número insignificante de estudantes e funcionários.

O que você pode esperar dessas instâncias diante suas denúncias?
1) Você pode escutar: “Vamos te dar um cansaço burocrático”;
2) É provável que essas instâncias procurem justamente as pessoas que você está denunciando, para apreciarem suas denúncias;
3) Assim como elas podem insistir em investigar sobre aquilo que você não tem provas materiais e se omitir diante das denúncias que você pode provar e documentar;
4) É possível que, para acatar sua denúncia de assédio, elas te peçam para apresentar “textos do assediador te assediando” (que assediador dá provas do seu crime?). Porém essas instâncias vão desconsiderar completamente o contexto de assédio amplamente documentado.

Desde agosto de 2013, peço que a USP apresente a base do meu desligamento e da prisão do orientador, entretanto ela nunca foi apresentada.

A MESMA INSTITUIÇÃO QUE É EXTREMAMENTE LEGALISTA E AUTORITÁRIA PERANTE ATOS DE PROTESTOS POLÍTICOS SE NEGA A APRESENTAR A LEGALIDADE DO MEU DESLIGAMENTO E DA SUA MANUTENÇÃO.

K.P.

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