Zago vai dialogar… Com a tesoura na mão

Novo reitor vai cortar gastos e contratações

No último dia 4, o novo reitor, Marco Antonio Zago, decidiu cortar os gastos da universidade paralisando obras, bloqueando novas contratações e suspendendo o orçamento destinado a pesquisas até o próximo mês de abril.

A nova reitoria estima que a situação financeira da USP é preocupante.

Com isso, Zago decidiu proibir a contratação de professores e funcionários. As obras previstas pela gestão anterior, de João Grandino Rodas, foram suspensas até segunda ordem. Nem mesmo a reforma dos edifícios já existentes escapou.

Gastando os tubos

Segundo informações extraoficiais, a USP consumiu R$1 bilhão dos R$3 bilhões que constituiam sua reserva financeira.

No ano passado, 100% do Orçamento da universidade foi destinado à folha de pagamento. A USP arrecadou R$4,3 bilhões em 2013.

Segundo auxiliares do ex-reitor, a USP usou parte das suas verbas para atender a uma sugestão do governador de SP, Geraldo Alckmin (PSDB), que “estava incomodado com o montante de recursos públicos parados”.

Sob a gestão Rodas, a USP mais que dobrou os gastos com obras (de R$36 milhões para R$84 milhões, de 2010 para 2011).

Demissões: a política da privatização

Diante da notícia, a Folha de S. Paulo suspirou: “Por ser instituição pública, a universidade não pode demitir servidores para cortar gasto” (14/2/2014). Faltou acrescentarem: “Que pena!”.

Mas o desejo não é só da imprensa burguesa. Zago assumiu defendendo facilitar as condições para demitir mais e privatizar.

“As instituições [faculdades da USP] precisam de autonomia, não apenas financeira, mas também administrativa. Precisam de autonomia para comprar equipamentos e para demitir ou contratar funcionários de acordo com a necessidade, de maneira ágil e pautada pela competência, como fazem as instituições privadas”, disse o reitor em entrevista ao Estado de S. Paulo (24/1/2014).

Bolsas suspensas

Desde 2011, a reitoria decidiu financiar com recursos próprios diversos projetos de pesquisa.

Os Núcleos de Apoio à Pesquisa (NAPs) consumiram um total de recursos de R$146 milhões. A decisão deixou alarmados pesquisadores de diversas áreas que temem perder suas bolsas.

Uma pesquisadora da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), Mariana Botta, foi informada de que não receberá mais a bolsa mensal de pós-doutorado, no valor de R$4.000.

“Essa seria quase a minha renda total. Agora, não sei como vou fazer. Tem muita gente desesperada”, disse.

Medida era consenso entre todos os reitoráveis

Conforme noticiamos na edição nº 148 do Jornal da USP Livre! (28/11/2013), todos os candidatos a reitor defendiam um corte de gastos generalizado na universidade para os próximos anos.

Hélio Nogueira da Cruz, Wanderley Messias da Costa, Marco Antônio Zago e José Roberto Cardoso defenderam, a esse respeito, o mesmo programa em um debate realizado pela Folha de S. Paulo em 18 de novembro passado.

O corte de gastos acarretará a diminuição do ritmo de investimento em infraestrutura, e em cortes na folha de pagamento e, consequentemente, irá comprometer o aumento de vagas na graduação.

O orçamento da USP é baseado na arrecadação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e é maior que de muitas cidades brasileiras.

À época, a reitoria alegou que devido à diminuição da expansão da atividade econômica no país, o crescimento orçamentário da USP também diminuiu, e a direção da universidade passou a gastar mais do que arrecadava.

Como dissemos naquela edição, “O corte de gastos, como uma das medidas comuns dos quatro candidatos, mostra que o próximo reitor vai seguir a cartilha do PSDB para a universidade. A contenção de gastos significa que as necessidades sentidas pelos estudantes, como permanência estudantil, falta de professores e outros temas abordados pela greve deste ano (2013) vão ficar em último plano novamente”.

zago_scissorhands