BUSP – A tarifa baixou porque o povo brigou e o Busp?…

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Representação gráfica do BUSP nos horários de pico.

 

 

 

Bom, o Busp ficou cheio,

o Busp ficou lotado,

o Busp ficou lento

e o Busp fica a cada dia mais insuportável….

Mas a questão fica, como uma linha tão rentável que leva o dobro da média dos passageiros e anda por uns 5km no percurso todo, pode ser tão limitada em quantidade de veículos, intervalos, qualidade, conforto, tecnologia e treinamento dos motoristas?

Simples, porque cada um desses itens representam um custo a mais no bolso do burguês dono da concessão (afinal nem o ônibus é dele, é da prefeitura) e mais vale a pena ter uma linha sucateada do que uma linha que funcione bem.

Duvidam?

É fato que os empresários do setor de transportes de São Paulo preferem pagar multa a colocar mais ônibus na rua. É fato também que são ansiosos demais para conseguir aguardar o tempo para voltar o investimento em trólebus, mais limpos, rápidos e silenciosos. É fato também que quando houve a implementação do bilhete único eles foram um de seus maiores inimigos e a prefeita da época teve que andar de colete à prova de bala. E mesmo hoje são contras as faixas de ônibus porque não andam de ônibus, nos seus carros importados pouco se pode ver das pessoas saindo como sardinhas do pau de arara que se chama ônibus “público” de lucro privado.

Mas o que a USP tem haver com isto? Afinal são coisas diferentes a cidade e a USP e não tem que se meter em coisas que não são sua atividade fim que é ensinar, pesquisar e extender (seja lá o que isso seja). Estudantes para trabalhar e trabalhadores para estudar ou é deixe-o ou ame-o ou é quem pouco quer pouco ganha e no fim, ganhe vantagem em tudo. Não por acaso todo este tipo de pensamento porcaria surgiu na época da ditadura e o jeito como as coisas funcionam na cidade não poderiam deixar os ônibus saírem ilesos.

Para os estudantes que não sabem tínhamos na USP um transporte realmente gratuito e de todos antes, vez ou outra é possível ver um circular antigo passando. Antes do meu tempo dizem que ele ia até o terminal butantã, depois, por motivos obscuros do fundo do abismo infernal, não saiu mais da USP.

Não vou ser saudosista e dizer que ele funcionava otimamente bem, tinha seus defeitos como não ser em quantidade suficiente. Mas para isto há uma explicação simples: sucateamento. Para privatizar melhor e sem resistência, o governo não investe no serviço e deixa ele piorar, depois diz que só a iniciativa privada pode nos salvar. No caso dos hospitais é fácil de ver, aparelha mal e força as pessoas a irem para os planos de saúde ou nos ônibus que levam a compra de carros (com um lobby nada desprezível da indústria automobilística para acabar com o serviço público vide o fim dos bondes e da Light).

E havia coisas boas, não tinha catraca, as janelas eram grandes e deixavam passar bastante ar, as três portas abriam ao mesmo tempo e não havia medo de algum ladrão malvado de alta perfídia invadir este “oásis” porque se todos tem tudo não tem porque ninguém roubar. Os motoristas tinham um regime de trabalho menos rígido e não precisavam parar exclusivamente no ponto para pegar um estudante, afinal um ônibus da faculdade vai mesmo deixar um aluno atrasar só porque ele não está no ponto?

Não está regido diretamente pela lógica capitalista então pode ser usado para o benefício da comunidade universitária. Ou seja, atividades que a princípio não foi pensado. Sei que isto não acontecia, mas se é para apoiar os estudantes porque não se poderia levar coisas para as festas neles: instrumentos? Bicicletas etc? Se isto é uma possibilidade com o transporte público, com o público de lucro privado não. Tente fazer qualquer coisa diferem da monótona rotina para ouvir a rejeição de um motorista temeroso em perder o emprego ou as patadas de um mandão.

Mas o Busp sucateado? Mas o ônibus está novo!

A tinta engana. pode ser novo mas podia ser 10 vezes melhor que isso. Sucatear é como o metrô do gabinete do dr. Alckmin que faz uma cruz em São Paulo e deixa todo o resto de fora. É um dos menores metros do mundo civilizado para a quantidade de pessoas que tem. E não adianta vir com tergiversações Sr Alckmin! Teve 20 anos para fazer.

E a pergunta fica, por que o Busp não é feito com cadeira de ouro, hidromassagem, diamantes e tv com sinal de todos os países do mundo? Por que é algo utilitário, prático e tudo o mais? Não! A resposta é simples, porque o burguês desvia este dinheiro para si próprio, mama na teta da viúva e constrói uma mansão enorme e sua limousine tem todas essas porcarias luxuosas e muito mais é só ver na Caras. Aquele dinheiro, caros amigos, é nosso. E a limousine é da USP.

E o golpe do Busp não foi limpo, o bilhete único do ano de 2012 demorou 6 meses para chegar para os calouros e enquanto isso 3 reais no bolso do burguês, cada cabeça de gado é mais um na mão do cobrador e igual nos latifúndios, cada mão direta de 5 dedos, faz um dedo da mão esquerda e cada mão esquerda faz um dedo do menino que fica na porteira para ajudar, assim fácil fácil se conta 250 cabeças do patrão.

Mas ai chegamos gloriosamente às filas de virar quarteirão do Busp. E porque existem? Simples, mau dimensionamento. Menos ônibus que o necessário, catracas para atrasar o embarque, alunos desesperados por causa de professores mau comidos que não aceitam que se chegue fora do horário a menos que chegue antes e alguns nem isto e demora em liberar o ônibus em horários de menor movimento. Por isto demora tanto pegar um ônibus às 7:30 ou as 15h da tarde.

Os mesmos problemas são encontrados no bandejão.Por que é cheio? Porque não foi feito para suportar toda a comunidade universitária.

A pouco tempo o próprio fiscal da empresa desabafou com o motorista que já relatou várias vezes a necessidade de colocar mais 20 (isso mesmo 20! por hora seriam 10 partidas a mais em cada linha e reduziria pela metade o intervalo entre ônibus), mas ele não sabia o porque não se fazia isto… ninguém sabe não é?

Antes disso ouvi de uma cobradora lá pelas 5 da manhã que só colocam motorista ruim e foram tirando os bons. Afinal na USP ninguém reclama, lá ninguém queima ônibus.

Mas existe um fato mais obscuro e sórdido que explica porque hoje existe o Busp e quem colocou a empresa privada de ônibus público na USP.Durante uma palestra sobre as catracas o diretor da FFLCH do ano passado deixou escapar como se não fosse nada que a estação do metrô não foi colocada dentro da USP porque havia um medo entre os professores que não haveriam vagas para estacionar seus belos carros porque os trabalhadores madrugadores tomariam todas e usariam o metrô para ir para ao trabalho. Ou seja, para manter o privilégio de dirigir carros de 10% da comunidade universitária agora 100% da comunidade não butantantiana tem que perder entre 15-30 minutos por viagem para chegar em sua unidade. Como vocês podem ver claramente um monumento à democracia e a justiça social.

E mais ainda um monumento à eficiência energética, fazer diariamente 100 mil pessoas se deslocarem 5 km a mais do que o necessário.

Se houvesse um lema para isto seria “Criar dificuldades para vender facilidades”.

Agora um evento funesto, pequeno. Por que o motorista acelera nas curvas? É uma coisa simples, besta, mas porque há tanta indiferença com os usuários do ônibus. Preciso dizer que ele deve trabalhar demais, ouvir de monte dos superiores e estar com um cabresto que é o tempo de chegadas e partidas que não permite dizer que dessa vez não deu para correr loucamente pelo percurso seja por qualquer motivo e que qualquer erro é passível de diminuição no salário, suspensão e desemprego e que a justiça do trabalho virou feira persa onde valores de indenização decaem por um fator de 10, 100 vezes na mão do juiz e que toda a greve é ilegal afinal nunca vi nenhum juiz dizer que uma greve é legal.Que o motorista também anda de ônibus não só para ir para casa, mas o dia todo com ruídos altos, calor, pouco descanso ou distração além de fazer o mesmo percurso e lembrar que não só o passageiro deve falar somente o necessário, mas ele também é alienado de conversar com os passageiros e por fim que ele tem que chegar rápido e a empresa costuma pegar os mais casca grossa mesmo para soltar a resposta mais atravessada possível a cada reclamação. Pensando nisso tudo é até incrível que o serviço seja suportável para funcionários e passageiros.

Sobra ainda para fechar esse assunto um pequeno fato que li pelo Idec (Instituto Brasileiro do Consumidor) , segundo o instituto a partir de uma determinada data transporte deixou de ser direito e virou serviço, assim sendo se o serviço foi mal prestado há o direito de devolução da passagem. Considerando todos os milhares de ônibus que já tomei sobra uma quantia considerável para devolução.O problema é quem paga? A prefeitura combalida até hoje pelas obras faraônicas do Maluf e que no fim seria receber de mim mesmo ou as empresas de ônibus safadas?

É assim na terra dos privilégios onde o burguês em sua empresa é rei, pede a cabeça de quem quiser, sobe os lucros a nível exorbitantes e faz guerra midiática contra quem lhe opor.

E aprendam uma coisa não emprestem dinheiro aos ricos, eles nunca pagam.

O que poderia ser

Muito já disse sobre o que é a porcaria do Busp e do serviço público de lucro privado, mas odeio filmes de terrores que nos oferecem 90 minutos de horror e 1 só de superação da desgraça. Tentarei traçar um traço bonito, mas não fantástico, o fantástico fica para depois talvez vassouras voadoras potterianas ou dragões de transporte multidimensional.

Já fiz o cálculo em outro texto e mesmo na Poli tem vários projetos sobre o assunto com várias soluções, em alguns o professor até se compromete a levar para a prefeitura e o governo, como se alguém fosse ler e mesmo se lesse como se alguém tem coragem de enfrentar o poder econômico sem movimento na rua.

Mas com a grana que o Rei gasta com o Busp com certeza seria possível fazer um sistema com tolerância para aumento na demanda, os horários de pico, colocando mais veículos, reduzindo o intervalo. Poderia colocar filtro melhor no escapamento dos ônibus para reduzir o particulado (partículas de por volta de 10 mícrons que causam danos ao pulmão) e ser pioneira numa frota sem particulado com filtros mais avançados possíveis.

Talvez elétricos como os trolébus que tem partida mais rápida, não trocam marcha, são silenciosos e duram mais que os veículos atuais e serviriam para aumentar a consciência ecológica. Talvez a 100% biodiesel, mais aerodinâmicos, deixar o pessoal da mecânica trabalhar neles pra valer e fazer algo que nos dê orgulho, não desgaste.

Painéis solares, talvez teto solar afinal olhar para o teto baixo, opaco e as janelas pequenas só leva a hipotrofia do interesse.

Assentos maiores, mais espaço no corredor, talvez. Espaço para esticar as pernas coisa que não existe nos assentos de criança da linha amarela.

Não ter catracas, melhor treinamento dos motoristas, curvas suaves, poder tomar o ônibus fora do ponto. Motorista que não passam na poça d’água e molham os pedestres. Uso do Busp para a comunidade e para o pessoal da cercania afinal Busp pago não é bem exemplo de extensão né.

Fazer com fibra de vidro ou de carbono que está mais na moda um ônibus ou outro, afinal na moda quer dizer caro. Um ônibus leve deve ser um conceito meio estranho. Alias ônibus conceito é coisa nova.

Algo agradável de se ver nas tvs do ônibus, talvez som para fone de ouvido nas cadeiras, pode parecer caro, mas não é muito. Cadeiras que se inclinam para os que dormem no ônibus.

Talvez faixas exclusivas de ônibus. Ônibus mais longos com mais lugares.ônibus de dois andares.

Pff e assim vai, tem tanta coisa que é possível fazer, mas a vontade é coisa que se cria.

Não temos nada a perder por colocar um transporte como uma das prioridades do movimento estudantil, se antes era urgente, hoje é difícil de dizer o que é.

Com um ônibus ou dois em chamas quem sabe não teremos 20 a mais depois?

 

Emissário do jornal, muito além das linhas inimigas no meio de algum lugar da Poli

Um comentário

  1. Belo texto. Acho que na saída do metrô Butantã, para pegar o busp, devíamos evitar entrar no ônibus da maneira que o funcionário (a mando de alguém, óbvio) tem pressionado, de forma a encher o ônibus em sua totalidade. Nem sempre é possível evitar, por causa do horário, mas seria uma boa prática não nos sujeitarmos a isto.

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