Diretoria da FFLCH quer espionar movimento estudantil

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As câmeras serão para vigiar qualquer ação de estudantes contra a direção da faculdade e da universidade.

No último dia 20 de fevereiro, a Congregação da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) aprovou a instalação de câmeras de vigilância em toda a faculdade.

A decisão foi tomada sem nenhum tipo de discussão por parte da direção da faculdade e os demais membros da maior unidade da USP. A atual diretoria, comandada por Sergio Adorno, aprovou a instalação das câmeras que servirão exclusivamente para vigiar, monitorar e criar provas contra os estudantes que participam do movimento estudantil.

O projeto de instalação de câmeras da FFLCH vem sendo discutido internamente desde o ano passado, em edição do dia 23/5/2013, o Jornal da USP Livre! denunciou que a direção da faculdade estava fazendo licitação para a instalação de câmeras. A proposta, originalmente foi apresentada pela Comissão de Qualidade de Vida do curso de Letras, que poderia facilmente se chamar de Comissão de Controle da Vida. A proposta original incluiria ainda a instalação de catracas nos prédios da FFLCH, algo impensável devido ao enorme fluxo de estudantes nesta faculdade que tem mais de 10 mil estudantes.

Vigiar para punir

E notório para toda a universidade que a FFLCH concentra a maioria dos ativistas do movimento estudantil, os cursos de História, Geografia, Ciências Sociais, Filosofia e Letras são os mais mobilizados de toda a USP. Os estudantes destes cursos participaram ativamente das maiores mobilizações dos últimos anos desde a greve histórica de mais de 100 dias da FFLCH pela contratação de professores em 2002, passando pela ocupação de 51 dias da reitoria em 2007, ao apoio à greve dos funcionários em 2009 e o enfrentamento com a PM no mesmo ano, à luta contra a gestão Rodas, as ocupações da reitoria de 2011 e 2013. Em todas estas ações, estudantes dos cursos da FFLCH estiveram presentes, foram presos e até expulsos da USP por participarem do movimento estudantil.

A instalação das câmeras visa exclusivamente acentuar a perseguição a estes estudantes, por trás do discurso da falta de segurança a direção da FFLCH quer aumentar o controle sobre as mobilizações estudantis e também de professores e funcionários.

Está previsto inclusive a instalação de câmeras nos corredores da faculdade, com o nítido intuito de vigiar o que os estudantes estão fazendo, quem está colando cartazes, participando das assembleias estudantis, panfletando, fazendo greve etc. Também serão identificados as “pessoas estranhas” à USP que estiverem circulando os corredores da FFLCH, uma forma de restringir ainda mais o acesso ao espaço público.

O mesmo diretor, Sergio Adorno, que pretende aumentar o controle sobre os estudantes da faculdade em que mais há mobilizações contra a ditadura na USP, foi repudiado na época de sua eleição por defender a proposta de divisão da FFLCH. Além disso, ele também está agindo em todos os cursos para acabar com os espaços estudantis.

Os estudantes da USP devem responder a mais este ataque à universidade. O aumento do controle visa coagir os estudantes a não se manifestarem e tornar o acesso das faculdades cada vez mais restrito, facilitando a privatização da universidade ao restringir o acesso a um espaço público.

A medida além de ser coercitiva e totalmente autoritária é uma ofensa à inteligência dos estudantes diante das inúmeras necessidades que os cursos da FFLCH sofrem desde a falta de livros na biblioteca até a falta de professores. E diante dos cortes de orçamento anunciados pelo reitor “bonzinho” Marco Antonio Zago, que incluem cortes de bolsas e outros investimentos, a instalação de câmeras na FFLCH mostra qual o real interesse da direção da faculdade.

Os estudantes da FFLCH estão organizando assembleias de cursos e um ato que será realizado no próximo dia 20 de março em frente à diretoria acadêmica às 14h, quando a Congregação da faculdade irá se reunir para bater o martelo para a aprovação das câmeras.