Aulas na EACH começam de modo precário – O plano tucano de sucateamento do ensino superior volta a ter força

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O reitor “bonzinho” Zago inventou um diálogo com os estudantes, mas até agora ignorou os problemas da EACH.

Quando a USP Leste foi criada, em meados dos anos 2000, ela foi fruto de dois interesses distintos. De um lado, a luta dos movimentos sociais da Zona Leste que queriam uma universidade pública perto de casa, onde pudessem estudar e que ajudasse no desenvolvimento da região. Do outro lado, o programa do PSDB para expandir vagas no ensino superior, em resposta ao Prouni do PT. O plano tucano era criar cursos de curta ™duração para formar mão de obra – como acontece nas Fatecs.

Como a eleição presidencial estava próxima, a construção da nova escola foi feito às pressas, passando por cima da legislação ambiental – o campus fica na área do Parque Ecológico do Tietê. E, depois da derrota nas urnas, Alckmin fechou os olhos para o problema que havia criado: 5 mil pessoas colocadas em um terreno com alta concentração de metano, com risco de incêndio e explosão.

A comunidade eachiana acabou mudando o projeto pedagógico original, criando uma série de cursos de graduação e pós, inovadores em suas áreas, que nunca entraram totalmente na lógica do mercado. A unidade também se tornou referência para toda a USP em projetos de extensão, superando a eterna vantagem que a pesquisa tem na academia. Mas, ao mesmo tempo que o projeto inovador foi crescendo, o problema ambiental também. E quando o ex-diretor Boueri, com sua ilusão de déspota acima da lei, permitiu o depósito de incontáveis toneladas de terra contaminada, a crise explodiu. Hoje o campus está interditado, e seus milhares de estudantes, professores e funcionários estão espalhados pela cidade de São Paulo.

As aulas começaram com mais de 40 dias de atraso, e em condições precárias. As atividades de extensão, grande diferencial da EACH, foram suspensas. As disciplinas práticas, que sejam a compor um terço da grade dos cursos, não estão ocorrendo de maneira adequada por falta de laboratórios e equipamentos. E não há bandejão, nem biblioteca, nem transporte para os estudantes afastados a força da região que escolheram para morar.

O tal do “plano B” feito pela reitoria nas coxas despreza tudo o que é importante em uma faculdade: a integração entre os cursos, o tripé ensino-pesquisa-extensão e a qualidade da formação. Apenas garante uma formação em um tempo curto, para que se tenha logo um diploma e se possa entrar no mercado de trabalho. Não importa o conhecimento, o que importa são os títulos obtidos. Estamos de volta ao plano que tentaram impor no começo da história da EACH e que pensávamos ter vencido.

E, é claro, até agora nenhuma palavra do governador. Não sabemos quando o campus será liberado, pois as obras estão paradas. Não foi dado um prazo para que o “plano B” termine, e temos medo que o provisório dure pra sempre. E muitos de nós trancamos o curso que lutamos tanto para fazer, simplesmente porque a USP decidiu que não queria mais dar aulas na Zona Leste. (Todos os relatos dos afetados por esta diáspora estão no blog: eachseusproblemas.wordpress.com).

 

Vinícius Becker, estudante da EACH