Quem defende os supersalários…

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Jose Roberto Cardoso arduo defensor do supersalario.

Em meio a discussão dos supersalários, dois professores que fazem parte da lista dos 167 privilegiados da USP declararam ao jornal O Estado de S. Paulo que defendem os altíssimos valores dos salários.

Os professores José Roberto Cardoso e a Antônio Roque Dechen afirmaram que o salário abaixo dos R$ 20 mil pagos hoje para o governador é pequeno e iria afastar os pesquisadores da instituição pública.

José Cardoso não só defende o salário superior ao teto constitucional, mas também afirma que os altos salários não afetaram o orçamento da USP. A declaração do beneficiado contraria a própria reitoria que declarou que a crise financeira vem justamente do gasto com a folha de pagamento. Se os supersalários não fazem parte da folha de pagamento, já não poderíamos dizer de que ela é composta então.

O Estado de S. Paulo ainda apresenta como solução para este “impasse” o fim da dedicação exclusiva dos professo- res titulares, para poderem se dedicar a outros serviços, mes- mo com o cargo público. Se- ria a legalização do desvio de função, algo que na prática já acontece hoje com professores trabalhando em fundações privadas dentro da própria USP. A proposta é do advogado Adib Kassouf Sad, presidente da Comissão de Direito Administrativo da OAB-SP.

José Roberto Cardoso é ex-diretor da Escola Politécnica e concorreu na última eleição para a reitoria da USP. Recebeu mensalmente durante o ano de 2011 R$6.437,23 a mais do que o máximo permitido a servidores públicos. Seu salário era de R$25.162,23. Durante todo o ano, acumulou cerca de R$83,7 mil a mais do que poderia receber como salário.

Já Antônio Dechen foi diretor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), durante uma gestão truculenta, que proibiu festas, usou a Polícia Militar contra a greve de 2010 e abriu uma série de processos e sindicância contra estudantes. Em 2011, recebeu todos os meses R$6.802,07 a mais do que poderia receber no cargo que ocupa. Era um salário de R$25.527,07, que lhe rendeu mais de R$88.000,00 no ano além do que poderia ter recebido constitucionalmente.