Quem são os privilegiados? 167 professores ganharam mais de R$ 48 milhões com supersalárioS em 2011

Imagem
O ex-reitor Rodas e o ex-diretor da EACH Jorge Boueri, ganhavam mais que o governador Alckmin.

O Tribunal de Contas do Estado publicou uma lista com 167 nomes ligados a USP que recebiam salários acima do teto permi- tido pela Constituição, que para o funcionalismo público estadual não devem ser superiores ao do governador do estado. Os chamados “supersalários” da USP chegam a mais de R$ 28.000,00 em alguns casos

 

As contas da USP referen- tes ao ano de 2011 (o segundo sob a administração de João grandino Rodas) foram rejei- tadas pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) por mais de um motivo. Mas este é um mo- tivo e tanto.

Naquele ano, pelo menos, 167 “funcionários”, em sua es- magadora maioria professores, recebiam altíssimos salários, com valores superiores aos do então governador Geraldo Al- ckmin (PSDB) que na época recebia R$ 18.725,00.

Onde há fumaça…

Segundo o tribunal, o núme- ro de professores com salários acima do teto pode ser ainda maior, porque o levantamento

foi feito por amostragem.
O TCE afirma no documen- to: “Outra irregularidade ma- nifesta refere-se ao pagamento de remuneração aos servidores, dirigentes e conselheiros aci- ma do teto constitucional, em afronta ao art. 37, XI, da Cons-

tituição Federal de 1988.”.

Entre os beneficiados, todos os reitoráveis

Entre os privilegiados es- tavam o próprio reitor, João Grandino Rodas, seu vice, Hélio Nogueira Cruz, o atual reitor, Marco Antônio Zago e o atual vice, Vahan Agopyan e todos os candidatos ao cargo de reitor da última eleição.

Outros beneficiados foram o Superintendente da Assistên-

cia Social (SAS), Waldyr Antô- nio Jorge, Antonio Marcos de Aguirra Massola, da Superin- tendência de Segurança, Sandra Nitrini, diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Hu- manas e o ex-diretor da EACH, José Jorge Boueri Filho.

Todos diretamente envolvi- dos na repressão ao movimen- to estudantil.

Homens de confiança de Rodas na repressão ao movimento estudantil

Waldyr Antônio Jorge, por exemplo, foi o responsável pela repressão aos estudantes do CRUSP que lutaram por moradia durante toda a gestão Rodas. Expulsou estudantes, aumentou a repressão aos mo-

radores, e até expulsou uma es- tudante com um bebê de colo, a companheira Amanda Freire.

Massola foi o Superinten- dente de Espaço Físico respon- sável pela destruição do CAnil, e por tentar expulsar o Sintusp e o CALC da Prainha da ECA.

Sandra Nitrini foi respon- sável por forçar três estudantes a se entregarem para a Polícia após serem abordados fuman- do maconha no dia 27 de ou- tubro de 2011, data em que ocorreu a ocupação da Admi- nistração da FFLCH, que le- vou à ocupação da reitoria e à mobilização contra a PM no campus.

O levantamento apresenta- do pelo TCE revela como o alto escalão da burocracia universi- tária consumiu, somente no ano de 2011, numa conta bem mo- desta, cerca de R$ 48 milhões do orçamento da USP.

Se hoje faltam verbas para a universidade, e Zago promo- ve cortes no orçamento, é pre- ciso ressaltar que boa parte do dinheiro “economizado” so- brou em outros tempos e tinha destino certo: os bolsos de um punhado de privilegiados. 

Veja aqui o documento do TCE na Integra: https://www.dropbox.com/s/0sodeuskgi6f5ci/TCE_USP2011.pdf