Moradores do Crusp se levantam contra a ditadura na universidade

 Espaço Àgora, local onde os moradores do CRUSP realizam suas atividades.

Espaço Àgora, local onde os moradores do CRUSP realizam suas atividades.

O ano de 2014 começou com a declaração de guerra do novo reitor, Marco Antônio Zago, que começou a aplicar o corte das bolsas, corte de estágios, congelamento de salários e piromania na FAU e FFLCH.  A seleção e a reavaliação de todos as bolsas e vagas do Crusp será feita pela própria reitoria, e não pelas assistentes sociais. As assistentes sociais da SAS (Serviço de Assistência Social) tiveram que correr para concluir os trabalhos para o PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil), que seleciona os bolsistas, em apenas um semana, para poder encaminhar a documentação para a reitoria. O processo tornou-se mais obscuro do que nunca, sem a divulgação dos contemplados com os benefícios.

Os alunos que moram no Crusp, na maioria dos casos, possuem maior dificuldade para acompanhar os cursos, mas a SAS/Coseas cobra um desempenho acima da média dos que sempre estudaram nos colégios tradicionais da elite paulistana. A universidade ameaça todos os anos a expulsão do Crusp e o corte de comida dos bolsistas com cartinhas na caixa de correios cobrando uma justificativa pelo não cumprimento de alguns créditos. Com as novas medidas do reitor “bonzinho”, a situação tende a piorar.

Todos os anos centenas de ingressantes ficam de fora do processo de seleção para o Crusp e precisam abandonar os estudos ou se virar morando de favor. A gestão pelega da Associação de Moradores do Crusp (Amorcrusp), chamada Crusp Popular, deu continuidade às gestões anteriores da direita, que transformaram  a entidade em uma mera locadora de vídeo e de bicicletas. Essa gestão participou da vergonhosa manobra do DCE no ano passado, que barrou fisicamente cerca de 50 estudantes que precisavam ocupar os blocos K e L para continuarem os estudos.

O ano começou agitado no Crusp, com duas assembleias convocadas pela oposição através de um abaixo assinado. A motivação era o cancelamento do processo eleitoral, que excluia calouros e que não dava tempo para inscrições de chapa e de discussão nenhuma, e as agressões de dois agentes da SAS sofridas pelos moradores. Há anos não se viam assembleias cheias como essas, mas ainda podemos fazer com que elas cresçam e se repitam com mais frequência, para resolver os problemas urgentes dos moradores. No mês passado, a Festa do Chicão encheu a Ágora, espaço em frente ao bandejão, e reacendeu a vida social e cultural na moradia, desafiando as proibições dos agentes da SAS. Dentre o cardápio de drinks oferecidos na festa constavam o “Fora Zago” e o “Fora PM”.

O Crusp caminha para superar os entraves impostos pela burocracia do movimento estudantil subordinada aos docentes carreiristas, dando a entender que isso também se espalhará para o restante da universidade em breve.

 Ivan Conterno