A política do DCE: siga o mestre!

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A “unidade” é o principal argumento das direções estudantis para a aprovação de uma greve estudantil em apoio à luta sindical de professores e funcionários, sem reivindicações próprias dos estudantes.
O DCE está tentando dar um novo sentido à palavra “unidade”. Estão enganando os estudantes, falando em unidade, enquanto o que fizeram nessa quarta-feira (21) foi decretar a adesão incondicional à greve de professores e funcionários por reajuste salarial.

Quais as implicações dessa adesão?

É preciso desmistificar a “unidade” pretendida pelos dirigentes do DCE (Psol e PSTU), e aplaudida pela Adusp (Associação de Docentes da USP, um condomínio de esquerda que reúne PT, Psol e outros).
Se os professores não vão dar aulas, a greve estudantil é a coisa mais fácil de fazer… porque já estará feita. Nesse sentido, declarar greve em apoio à greve dos outros é mera formalidade.

Por que os estudantes não aprovaram uma reivindicação na assembleia?

O DCE tomou o cuidado de confundir ao máximo as coisas. A assembleia que aprovou a simples adesão do movimento estudantil à campanha salarial dos funcionários e professores estava marcada desde o dia 26 de abril, conforme decisão da reunião do CCA (Conselho de Centros Acadêmicos). O DCE decidiu desmobilizar a assembleia, convocada com quase um mês de antecedência, apenas 3 dias antes da sua realização.
Não foi só isso.
Ao aderir à greve de professores e funcionários sem reivindicações próprias dos estudantes a direção do DCE está simplesmente atrelando o movimento de luta estudantil às reivindicações salariais de professores e funcionários (recobertas por discursos que, justamente por serem discursos, vão mais à esquerda do que o índice de reajuste que estão reivindicando).

Não é essa a unidade de que precisamos para lutar

A direção do DCE não promoveu a unidade. Ao impor a aprovação da greve sem discussão, os aprendizes de professores que dirigem o DCE simplesmente entregaram os estudantes de mãos atadas ao sindicalismo universitário.
Isso não é unidade, é utilizar os estudantes para servir aos propósitos da luta sindical. Não há unidade se os estudantes, após apoiarem a greve salarial de professores e funcionários, forem deixados de lado com suas pautas e reivindicações políticas. E é isso que as direções estudantis e sindicais estão preparando.

A “unidade na luta” para impedir uma luta de verdade

A “unidade” fraudulenta imposta pelo DCE pode ainda ser usada para bloquear o desenvolvimento de uma luta verdadeiramente independente dos estudantes.
O movimento estudantil deve lutar lado a lado com os professores e funcionários. Mas não devemos deixar que as reivindicações estudantis sejam postas de lado pela urgência da campanha salarial.
A crise na USP tem uma causa fundamental: a incompetência da direita para administrar a universidade e a sua permanente tentativa de destruir o ensino público colocada em prática por seus homens de confiança na burocracia.
Mudar o regime de poder da universidade é decisivo para tirar a USP da crise. É preciso acabar com a ditadura unipessoal dos reitores, e com o Conselho Universitário no qual praticamente só participam professores titulares.
É preciso lutar pela verdadeira autonomia universitária: que a universidade seja administrada por aqueles diretamente envolvidos e diretamente interessados, os que são a sua razão de ser, estudantes, professores e funcionários. Uma administração da universidade verdadeiramente democrática deve ser feita de maneira proporcional ao número de cada categoria, o que levaria ao controle da entidade a maioria de estudantes que a compõe.