Assembleia ou teatro?

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Como a direção do DCE (Psol e PSTU) conseguiram aprovar uma greve estudantil sem reivindicações?
A assembleia ocorrida em 21 de maio não foi uma verdadeira assembleia. Foi apenas a encenação de uma assembleia, na qual participaram poucos estudantes e uma claque trazida pelo braço pelos diretores do DCE (composta pelos estilhaços da chapa “Para virar a USP do avesso”, pessoas que deram seu nome para engrossar a lista de membros da chapa que dirige o DCE)
Uma série de medidas foram adotadas contra a mobilização independente dos estudantes:

  • O DCE não realizou nenhuma assembleia desde o início do ano. Não houve, portanto, espaço para discussão geral dos problemas que afetam diretamente os estudantes e a universidade em geral.
  • O DCE desorganizou a convocação da própria assembleia, mudando a data de uma assembleia marcada com quase um mês de antecedência apenas três dias antes da sua realização. 
  • A gestão do DCE impôs um funcionamento antidemocrático para assembleia: Foi aberta com as falas dos sindicalistas docentes e não-docentes, e as questões (apoio à greve sindical e deflagração da greve estudantil) foram votadas sem discussão, sob o pretexto de que a assembleia teria que se dissolver para seguir um ato público 
  • Que ato público? Pois é. A direção do DCE inventou de última hora e anunciou que a assembleia deveria ser rápida, e portanto sem tempo para informes estudantis e discussão. Tinha que ser rápida para que houvesse tempo de os estudantes saírem em passeata até o terminal Butantã do metrô, a pretexto de apoiar a greve dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo. Detalhe: isso veio de fato a ocorrer, por volta das 21h, com terminal vazio e com a direção do DCE puxando gritos contra Dilma Rousseff, Fernando Haddad e a copa do mundo.

Uma vez que o circo estava montado, os palhaços do DCE fizeram a festa:

  • Não atenderam às questões de ordem, forçando os estudantes que queriam propor um funcionamento diferente para a assembleia a insistir para que pudessem falar.
  • Anunciaram que queriam votar as questões sumariamente (sem discussão), mas, democráticos que são, disseram que a discussão poderia ser aberta caso houvesse necessidade. 
  • Garantiram que a necessidade de defesa de propostas não aparecesse com uma votação confusa. O primeiro encaminhamento foi “apoiar a greve de professores e funcionários”, e foi aprovado por aclamação. O encaminhamento seguinte, a deflagração da greve estudantil, foi apresentado logo na sequência e novamente os diretores do DCE pediram pressa pois o ato que inventaram iria ser prejudicado. Foram ajudados pelos grupos de esquerda (LER-QI, MNN entre outros) que formam praticamente um fã-clube dos partidos do DCE, que defenderam que a discussão e aprovação das pautas fosse feita nas assembleias de curso (!) na próxima semana… Isto é, decidir pelo que fazer a greve depois de aprovada a greve!! 

Por assembleias estudantis verdadeiramente democráticas

É preciso acabar com a ditadura de fundo de quintal imposta pelos partidos do DCE (Psol e PSTU).
As tentativas de barrar as propostas da oposição, de impedir que os adversários políticos falem devem ser repudiadas e combatidas por todo ativista do movimento estudantil.
Por esse motivo, defendemos que a mesa da assembleia seja eleita pelas próprias assembleias.
O estatuto do DCE da USP coloca, em seu capítulo IV (da organização da entidade), artigo 7º, diz que as instâncias deliberativas do DCE são, nesta ordem: 1) Congresso dos Estudantes da USP, 2) Assembleia Geral, 3) Conselho de Centros Acadêmicos, 4) Diretoria do DCE.
Ou seja: a direção do DCE deve se subordinar à assembleia, e não tentar subordinar a assembleia aos seus desmandos.
A direção do DCE não representa as diferentes correntes políticas existentes no movimento estudantil já que não é proporcional, mas composta por uma única chapa. É um método antidemocrático, contra o qual nos opomos. Deste modo, nem os diretores do DCE, nem de Centros Acadêmicos, devem ser impostos, automaticamente, como dirigente da assembleia geral dos estudantes da USP.
A diretoria do DCE não pode impor a composição que bem entender à mesa da assembleia geral.
Para que seja democrática, A assembleia geral pode e deve eleger, entre os seus pares, uma mesa que dirigirá os seus trabalhos de maneira democrática, atendendo ao interesse coletivo, e não aos interesses de uma ou duas correntes políticas que dirigem o DCE. É preciso uma mesa que atenda aos encaminhamentos feitos pelos estudantes, ao invés de impor à assembleia uma pauta pré-estabelecida, decidida entre quatro paredes pela diretoria do DCE.

Rafael Dantas

Estudante de Filosofia e militante do PCO 

4 comentários

  1. Gostaria de saber de quantos “não uspianos” dispomos nas assembléias. Pensei em alugar um ônibus aqui onde moro e levar meus vizinhos para ir votar as deliberaçõs!

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  2. Curioso o PCO criticar a greve sem pauta na USP mas defender a greve sem pauta na UNIFESP. Mais um paradoxo.

    Ok ok, entendemos que USP Livre não tem só PCO, mas a meia dúzia se divide entre os membros do partido revolucionário de lideranças e os que estão tentando ser.

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  3. Só queria dizer que a assembléia tava lotada, que a satisfação de todos lá pela aprovação da greve era visível e palpável, e que eu até concordo que foi bizarro aprovar a greve sem definição de pautas, mas também não é como se fosse um super mistério quais serão as pautas decididas na quarta-feira. E também vale ressaltar que vi pessoas de diversas unidades (Poli, FFLCH, FEA, FAU, etcs), e todas pareciam muito satisfeitos, correndo para fazer o ato que saiu da frente do prédio da História até o terminal.

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