Estudantes em greve…. mas pelo quê?

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A assembleia geral dos estudantes da USP aprovou nesta quarta-feira, 21 de maio, o apoio à greve dos professores e funcionários por reivindicações salariais e a deflagração da greve estudantil.
Mas, a direção do DCE (chapa “Para virar a USP do avesso”, do Psol e do PSTU) se certificou de que a greve estudantil fosse aprovada sem uma reivindicação dos próprios estudantes.
Deste modo, o DCE procura fazer da greve estudantil uma simples manifestação de apoio ao movimento sindical de professores e funcionários, que por sua vez está sendo encabeçado pelo carcomido Fórum das Seis.
Os estudantes não definiram uma reivindicação própria porque a direção do DCE decidiu que deveria ser assim e trabalhou para isso ativamente. Impediram que a assembleia deliberasse sobre isso usando os seguintes artifícios:

  • Não realizaram nenhuma assembleia desde o início do ano. Não houve, portanto, espaço para discussão dos problemas que afetam diretamente os estudantes e a universidade em geral.
  • Desorganizaram a convocação da própria assembleia, mudando a data de uma assembleia marcada com quase um mês de antecedência apenas três dias antes da sua realização
  • Impuseram um funcionamento antidemocrático para assembleia: Foi aberta com as falas dos sindicalistas docentes e não-docentes, e as questões (apoio à greve sindical e deflagração da greve estudantil) foram votadas sem discussão, sob o pretexto de que a assembleia teria que se dissolver para transformar-se em um ato público (que foi improvisado de última hora pela direção do DCE).

Deste modo, os estudantes não entrarão em greve: serão arrastados à greve dos professores e funcionários que fizeram da reivindicação de reajuste salarial (de cerca de 10%) o seu eixo central.

Quais as consequências? Uma vez que tenham acertado sua questão junto ao reitorado, os professores e funcionários (como já ocorreu em diversas oportunidades) voltarão ao trabalho. Os estudantes, pressionados pela volta às aulas, voltam às aulas, mais cedo ou mais tarde, de mãos abanando.
É preciso enfrentar a traição do DCE e a tentativa de colocar o movimento estudantil a reboque do Fórum das Seis (reunião dos três sindicatos de professores e três sindicatos de funcionários, da USP, Unesp e Unicamp). É preciso discutir já, em todos os cursos e unidades da USP, um programa de luta para o movimento estudantil; um programa que dê a resposta necessária diante da grave crise em que se encontra a USP.

Propomos lutar por:

Apuração Independente dos Gastos por uma comissão de estudantes, professores e funcionários composta proporcionalmente
Fora Zago! Abaixo o reitorado
Fora PM! Abaixo a ditadura! Fim dos processos Fim da perseguição
Dissolução do Conselho Universitário
Autonomia universitária não à ingerência do estado na universidade
Governo tripartite proporcional, com maioria estudantil

3 comentários

  1. Deve ser o PCO, mas só eles estão apresentando alguma coerência nesse momento. Fato.

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