Mensalidade: primeiro passo para acabar com a USP

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A imprensa capitalista começou uma campanha ostensiva a favor da cobrança de mensalidades na Universidade de São Paulo.

Mesmo a imprensa considerada mais “progressista”, como a Carta Capital, embarcou na campanha.

A Folha de S. Paulo foi mais clara em suas intenções. Intimou o reitor a tomar medidas firmes, a cobrança de mensalidade entre elas, “Não basta postergar investimentos; um líder [reitor Zago] tem a obrigação de reabrir-lhes espaço, percorrendo também as vias mais impopulares: eliminar desperdícios e ineficiências e por em debate a cobrança de mensalidades de quem pode pagar.” (Folha de S. Paulo, 1/5/2014).

A Carta Capital fala de “fundo fraterno”, o que é ainda pior, pois semeia a ideia de que seria possível cobrar dos estudantes como forma de ajuda aos que não podem pagar.
Mas no decorrer do artigo, o autor fala de um sistema que é pérfido, apesar da tentativa de apresenta-lo como suave e inocente.

Primeiro ele propõe que os estudantes passem por uma avaliação socioeconômico. Quem conhece minimamente o funcionamento da seleção para o CRUSP sabe que essas avaliações não apenas são humilhantes, exigindo que o estudante se prove miserável para obter a vaga na moradia, como dá lugar a toda uma rede de benefícios de pessoas que não precisam da moradia e de perseguição aos que lutam dentro da universidade.

Em segundo lugar, a proposta sequer é de que os estudantes de baixa renda usufruam do excedente pago pelos que têm mais condições, e sim de que eles peguem um empréstimo para ser pago em “suaves” prestações. Ou seja, de uma forma de Fies (Financiamento Estudantil), mas agora na universidade pública.

O autor também fala em “quebrar o paradigma”. Quando ouvir essa expressão, caro estudante, fique atento, querem tirar um direito; querem acabar com conquistas. E conquista significa que os trabalhadores e nesse caso estudantes lutaram muito para que fosse dessa maneira. A última vez que ouvimos falar insistentemente de quebrar o paradigma foi diante da decisão do governo de colocar o exército nos morros cariocas. Agora podemos ver claramente o resultado: os morros estão sitiados, as tropas ficaram muito mais tempo que o necessário, o contingente aumentou, o exército será utilizado para reprimir a população durante a Copa etc.

O exército, obrigado a se esconder com o fim da ditadura, está voltando gradativamente a fazer parte da vida cotidiana do brasileiro. Mas o exército é, em tese, para a defesa do país contra os inimigos externos e não para combater com armas de guerra a população do seu próprio país.

Bom, isso é o que vai acontecer se começarem a cobrar mensalidades. E já aconteceu em outros países. Há poucos anos os estudantes de Oxford se mobilizaram devido ao aumento absurdo das mensalidades. A universidade só passou a cobrar dos estudantes em 1997.

A USP vai ficar ainda mais restrita, como está ficando com a cobrança do ônibus que circula dentro da universidade, a ideia de cobrar estacionamentos etc. E se passar para mãos de particulares qual será a diferença, uma vez que todos já se acostumaram a pagar pelo que antes era gratuito? Aí virão as catracas, as câmeras etc., pois o que é cobrado precisa ser mais bem controlado.

Terminarei esse artigo com um questionamento. Se um país minúsculo e pobre como Cuba consegue dar educação e saúde gratuitas para toda a população, por que o Estado mais rico do país, que tem um PIB per capita três vezes maior do que a ilha caribenha, não poderia?
Não falta dinheiro, não é inviável. É uma decisão política dos governantes de entregar a educação para as empresas e bancos. No caso de Alckmin e do PSDB, que controla o Estado há 20 anos.

Não só a USP deve permanecer pública gratuita, como devemos exigir que todos os serviços e cursos dentro dela sejam gratuitos, que as fundações parem de usufruir da estrutura pública e que a universidade seja aberta a toda a população, a todos que queiram ter formação superior.

Natália Pimenta
Estudante de Letras e militante do PCO

6 comentários

  1. É inacreditável que o senhor reitor ao invés de contratar uma auditoria independente para revelar os malfeitos da “jestão” Rodas, com as conseqüentes punições administrativas, cíveis e criminais subseqüentes, tente eliminar o direito dos estudantes a educação gratuita.

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  2. A culpa sempre é dos coxinhas, são os coxinhas que a quase 12 anos estão no poder acabando com os direitos.
    Acho incrivel como sempre nestas discussões Cuba aparece como exemplo, exemplo de que educação? Onde um povo tem que sair de onde mora pra trabalhar de maneira quase escrava em outro país? Pq o mais médicos é uma forma mais bonita de escravidão.
    A não cuba é tão bom mas tão bom que o povo em um momento de extase pula no mar com botes muitas vezes improvisados pra se divertir nos mares caribenhos infelizmente pegam uma onda e começam a migrar rumo aos EUA e morrem no trajeto.
    Lembro da discussão não queremos PM na USP, não queremos quem cara pálida eu quero e quero na USP na ZN ZL ZO ZS e que eles abordem sim pois não esta escrito na cara da pessoa se ele é um estudante ou um bandido, até acredito que o governo deveria investir na bola de cristal dentro de uma viatura.
    Eu também como estudante sou contra cobranças de mensalidades na USP porem tambem sou contra como o colega disse um bando de desocupado ficar 10 anos ocupando uma vaga que poderia ser utilizada por um novo colega que vem do interior e acaba tendo que se acomodar em uma destas pensões porcas que tem por ai pq não pode se utilizar de um meio tão valoroso.

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    • Eu não do valor ao governo de Cuba, mas realmente eles oferecem saúde e educação gratuita e de qualidade para a população, A menina ai ta defendendo um direito de todo mundo ricos e pobres, você em nome de uma ideologia de merda fica criticando.

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  3. Gostaria de deixar claro que a idéia da cobrança na USP me desagrada. Porém, o texto coloca de forma extremamente parcial a temática, levando pra um lado totalmente pessoal (politico, diga-se de passagem). CIta o circular, como se o serviço n tivesse ficado mil vezes superior ao antigo, e de graça, para nós estudantes. Quem vem de fora pode tranquilamente usar a integração com o bilhete unico. Ok, o processo do crusp é péssimo, mas como assim “perseguição aos que lutam dentro da universidade”?? A autora se refere a quem demora 10 anos pra se formar em um curso de 4 anos e provavelmente perca a moradia (especulo que seja assim) ou aqueles que levam a família para nunca mais sair de la? Quem souber, favor explicar.
    E a questão do exército? da onde ela saiu?! E o que tem a ver com a cobrança de mensalidade nos EUA? poderia ser mais bem explicada essa citação, pois eu, leigo no sistema educacional norte americano, desconheço totalmente a questao e fiquei sem entender. Será que é dificil cobrar imparcialidade nas discussões dentro da universidade? Ou vc eh reacionario ou comunista, nunca há um meio termo.

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    • Deixa de ser burro, Oxford fica na Inglaterra não nos EUA, tem preguiça até de usar o Google.

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