O camaleão-acadêmico

Os camaleões formam uma família de pequenos saurópsidos (répteis) escamosos. Existem cerca de 160 espécies.

Apesar de a maior parte das espécies viver na África, a espécie mais perigosa vive em escritórios e gabinetes de todas as partes do planeta. Pesquisas recentes colocam dúvidas a seu respeito: está em discussão se é animal sinantrópico, acostumando-se a sobreviver de puxa-saquismo e sobras de poder de alguns Homo Sapiens não tão Sapiens, ou se é fruto da evolução de matéria inanimada, como diretores de Faculdades que saem na foto mas não sabem fazer conta.

Os membros de tal espécie são conhecidos por serem hábeis em mudar de cor segundo as circunstâncias, pela língua rápida e larga, e pelos olhos que se movimentam, independente um do outro. Mudando de cor, são capazes de se mostrarem arrogantes, autoritários e democratas de acordo com a gestão, demonstrando que a única parte coerente de sua personalidade é a hipocrisia. A língua é utilizada para adular aos poderosos, mas fracos de espírito, e de insinuar aos que consideram inferiores que eles são “amigos de pessoas importantes”. Os olhos se movimentam de forma independente, pois precisam tanto encontrar oportunidades, buscar rebarbas de poder, quanto se prevenir de serem descobertos.

O comportamento de caça é passivo-oportunista. Gosta de observar as presas antes de devorá-las ou parasitá-las: se é um concorrente direto, começa se alimentando pela cabeça da vítima; se é alguém acima na hierarquia, procura sugar sangue, fezes, mandar e-mails cafonas e cheios de amizade espúria. Alimentam-se de insetos e são mortalmente agressivos contra membros de sua espécie; como tratam membros de sua própria espécie como insetos, não é por acaso que se alimentem deles.

Os mais conhecidos camaleões-acadêmicos são: discente (quando se sente “especial” pelo fato de conversar com um ou outro docente), docente (conhecido pela inveja que possui em relação aos mais capazes, o que leva a substituição da seleção natural pela politicagem) e administrativo (conhecido pelos meneios, pela estereotipia de comportamento e por pendurar contas próprias no orçamento da instituição que dirige sem que alguém saiba). Capazes de reprodução rápida, torcem pra que alguém não consiga fazer pesquisa e nem tenha bolsa, boicota de todas as maneiras possíveis os colegas de profissão ou fazem da burocracia a própria razão de viver. Dada a ausência de controles sociais, reproduzem-se com facilidade, o que pode levar à contaminação do solo e de água pelos seus resíduos, à depredação orçamentária e consequente falência.

O Observador