A oposição cagona

O apresentador de TV Jô Soares definiu o agnóstico como sendo o ateu cagão.  O agnóstico é o sujeito que não acredita nem nega a existência de Deus. Nem isso, nem aquilo. Uma analogia poderíamos fazer para uma parte da oposição aos pelegos do DCE. São a oposição cagona. Ora dizem que são contra a burocracia do movimento estudantil, ora acreditam numa possível mudança de posição dos burocratas, favorável ao movimento estudantil. “Vamos constranger os pelegos”, dizem. A tentativa de persuasão da oposição cagona se esbarra num fato: os docentes e a reitoria coopta os pelegos pelo carreirismo, pelas bolsas, com dinheiro e “prestígio”. A Folha, o Estadão dão cartaz para os meninos da reitoria se promoverem, dando a esperança de que um dia se elejam vereadores, ou para bajulação dos parentes no jantar de Natal. E o que a oposição cagona teria a oferecer para persuadí-los? Tem bolsas para oferecer pelo menos? Palavras bonitas? Chocolates, balas, biscoitos? 

A oposição cagona ora se refere a uma “traição histórica” dos pelegos diretores do DCE, ora fazem um apoio-crítico-sem-crítica para a campanha eleitoral. Ora diz que os pelegos “não passaram a prova de junho”, ora querem fazer uma frente eleitoral “de oposição” com uma parte dos pelegos, mas sem uma parte da oposição. 

A oposição cagona não é capaz de definir uma política para o movimento estudantil. Recusam-se a ocupar-se de uma análise firme dos acontecimentos. Ser objetivo seria um exercício infrutífero. Por isso, nos momentos de letargia, recorrem a toda sorte de demagogia: “ai que dó dos faxineiros, coitadinhos dos garis cuti-cuti”. O dramalhão é a isca perfeita para a classe-média com peso na consciência. 

Assim como os agnósticos, que julgam como “inacessíveis ao espírito humano qualquer teologia ou metafísica”, quando  tais preceitos não poderiam ser comprovados empiricamente, a oposição cagona é a que a todo momento recorre a sua incapacidade para não definir em que campo prefere atuar, se no da burocracia de docentes que dirigem a universidade, ou se no dos estudantes que defendem o direito à educação. Dessa incapacidade, justificam suas (às vezes nem tanto) momentâneas peleguices.

 Alcides Pedrosa