OPINIÃO – Mais dinheiro para o buraco negro?

Imagem

Pode parecer contraditório à primeira vista, mas diante da crise financeira da USP, um setor do movimento estudantil e a imprensa capitalista propõem a mesma solução de formas diferentes: dar mais dinheiro para a burocracia que dirige a universidade.
Ambos os setores têm uma mesma crença: a USP não pode se sustentar mais com o orçamento que recebe. É preciso mais dinheiro.

Para órgãos de imprensa, como a Folha de S. Paulo, o reitor deve buscar dinheiro na iniciativa privada e cobrar mensalidades dos estudantes, pois seria “inviável” a universidade manter-se apenas com o dinheiro público. A crise exposta pelo novo reitor encaixou perfeitamente nas pretensões dos setores representados pela imprensa capitalista: destruir e privatizar a universidade.

Já para os primeiros, encabeçados pelo DCE (PSOL e PSTU), o Estado deve dar mais verbas para a universidade. Eles até poderiam ter razão, não fosse por alguns detalhes.

A falta de verbas é a alegação da reitoria para justificar a situação falimentar da universidade. Mas será mesmo verdade que a situação atual era inevitável?

É difícil de acreditar, inclusive porque a arrecadação de impostos pelo governo do Estado de S. Paulo vem crescendo.
A situação da USP – que tem falta de professores, prédios caindo aos pedaços, solo contaminado e até incêndios – era tão inevitável quanto o colapso do Sistema Cantareira ou quanto a destruição do metrô, que além de lotado tem uma falha a cada três dias.

Não era uma fatalidade. Para se ter uma ideia, se a USP fosse um município, ela estaria entre as dez cidades com maior orçamento no Brasil . Mesmo assim, a burocracia da universidade, ligada ao Estado, fez com que um dos maiores orçamentos do País se esvaísse como fumaça.

Vale a pena lembrar que até o ano passado a USP ia supostamente de vento em popa, vivendo dias de abundância.
A resposta a essa crise não é jogar mais dinheiro no buraco negro que se tornou o caixa da universidade. Primeiro é preciso analisar as contas, saber onde foi parar esse dinheiro e com o quê ele está sendo efetivamente gasto, pois não é possível confiar na palavra dos que dirigem a USP atualmente.

Isso só pode ser feito de maneira independente do governo. Do mesmo modo, somente com uma administração igualmente independente a USP pode reverter seu orçamento para o interesse de toda a universidade e da população em geral. Isso porque ficou evidente a incapacidade dos dirigentes escolhidos pelo governo do Estado para essa tarefa.

A USP não é inviável: seus atuais dirigentes é que são incompetentes.

Natália Pimenta
estudante de Letras e militante do PCO