Por um Projeto Classista e Combativo para o movimento estudantil

Para romper com a herança maldita de décadas de hegemonia do projeto social-democrata no movimento estudantil faz-se necessário muito mais do que somente trocar de siglas partidárias. Faz-se necessário romper tanto com as formas organizativas que caracterizaram aquele projeto, quanto com seus métodos políticos, e mesmo com seus objetivos imediatos e longínquos. Deixar para o passado tanto os vícios eleitoreiros e a democracia indireta e representativa, quanto sua tendência à conciliação, ou mesmo suas reivindicações burocráticas e reformistas.

Neste momento de acirramento e ascenso da luta de classes entendo que podemos e devemos radicalizar nossos métodos organizativos, rompendo com os rituais que caracterizam a democracia das urnas, a democracia representativa, do Estado-nação capitalista e pautando a organização de nosso movimento na democracia direta das de abaixo, na democracia das assembleias (em especial as de curso) e dos comandos de greve – sempre visando também a autogestão das entidades estudantis.

Podemos e devemos também romper com a tendência ao diálogo e a conciliação entre nosso movimento e o Estado-nação representado na universidade pela burocracia acadêmica e sua estrutura hierárquica de poder, tendencia que igualmente caracterizou o movimento estudantil hegemônico das últimas décadas. É hora de fortalecermos a combatividade de nosso movimento, pois é somente através de ações diretas de massa (greves, manifestações, trancaços, ocupações etc) que se faz possível arrancarmos vitórias relevantes e fortalecer a disposição à luta revolucionária em nosso movimento.

Todavia, não basta tão somente mudarmos nossos rituais organizativos e trocarmos as armas políticas que empunhávamos, é também necessário rompermos com os horizontes, com os limitadíssimos horizontes, que caracterizaram as últimas décadas de movimento estudantil. Há décadas que nossas peleias giram basicamente em pautas que visam melhorias para universidade estatal burguesa – em especial, maiores repasses de verbas e reforminhas na hierarquia burocrática. Com o ascenso da luta classista urge rompermos com estas burocráticas e corporativistas “pautas históricas”, urge lutarmos por reivindicações que possam trazer melhorias efetivas e concretas à classe trabalhadora e sua juventude. O que, no momento atual, se traduz na exigência de cotas sociais e raciais na universidade, e melhorias substanciais nos programas de permanência estudantil. Priorizar não mais reformas na universidade dos de acima, mas sim melhorias concretas e materiais nas condições de vida da juventude da classe trabalhadora – no limite, que se foda a universidade estatal, o que importa é a classe trabalhadora e sua luta.

Resumindo, a meu ver a chave da construção de um projeto classista e combativo para o movimento estudantil está no fortalecimento simultâneo da democracia direta e da autogestão como forma organizativa, da ação direta massiva como método de luta, e da da luta por acesso e permanência como pautas prioritárias.

Hugo Scabello

Estudante de Geografia