Discussão sobre segurança na USP só serve para aumentar a repressão

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O DCE da USP mais uma vez quer debater o problema da segurança na USP. Pressionada pela campanha da Folha e da Veja em torno de um assalto a um diretor do Grêmio da Poli, a entidade chefiada pelo Psol e pelo PSTU afirma que este seria um momento importante para voltar à discussão. Os diretores ignoram o fato de que o índice de assaltos no campus é inversamente proporcional ao tamanho da campanha da imprensa fascistóide (Veja, Folha, Globo).

Toda política de segurança envolve repressão. A Guarda Universitária é uma das peças da política “higienista” praticada pelo governo do PSDB, segundo a qual, em certos lugares, pobres e negros são proibidos de frequentar. Guardas treinados em direitos humanos, policiais estudantes ou polícia comunitária são apenas formas mais suaves de apresentar o instrumento de repressão. São uma maneira melhor e algumas vezes mais eficaz de reprimir, vigiar, controlar. Incorporar ao movimento a reivindicação de segurança é fazer uma enorme concessão à política do PSDB.

No dia 27 de outubro de 2011, os estudantes se levantaram contra a Polícia Militar, que tentava levar presos dois jovens no estacionamento da FFLCH. O papel do Psol no dia foi o de criar um cordão de pessoas para permitir que a prisão ocorresse. Trata-se de uma burocracia dentro do movimento estudantil, para contê-lo, impedindo seu desenvolvimento e impedindo a participação dos estudantes. A maioria desiste de participar no primeiro contato. São correias de transmissão da reitoria para os estudantes, do governo do PSDB para a população. Com a campanha pela segurança, os playboyzinhos do DCE querem mesmo é dizer “vai trabalhar, vagabundo” para quem não tem carteirinha USP.

A questão da segurança foi introduzida artificialmente no movimento estudantil pelas reitorias controladas pelo PSDB para justificar a presença da Polícia Militar dentro dos campi. A Globo, a Folha e a Veja, alinhadas com o PSDB, passaram a repetir incansavelmente que a PM estava na Cidade Universitária para garantir a segurança. Agora, com a PM no campus da USP do Butantã desde 2011, a campanha objetiva permitir a instalação de câmeras pelas salas e pelos corredores, o aumento da guarda e a instalação de catracas. A comparação desse projeto com o “grande irmão”, da obra 1984, de George Orwell, é inevitável. Essas medidas, ao lado da cobrança de mensalidades, caminham no sentido de permitir a completa privatização da USP, o que para os bem-nascidos do Psol e do PSTU seria ótimo: uma universidade sem favelados.

Na nota, o DCE diz que o assunto é tratado de maneira secundária pela reitoria. No entanto, em 2012 o reitor-interventor Rodas, indicado por José Serra do PSDB, criou a SS, Superintendência de Segurança, diante dessa iniciativa do DCE. A campanha pela segurança, embora rejeitada pelos estudantes, foi a justificativa para o aumento do controle e da perseguição sobre a comunidade universitária. Se para o DCE isso é pouco, o que propõem deve estar próximo do “deveria matar tudo”.

A direção do DCE, controlado pelo Psol e PSTU, propõe um “plano alternativo de segurança”, que supostamente serviria para atacar “as verdadeiras causas do problema”. Querem com ele o aumento do número de guardas, compra de mais equipamentos para ela, contratação de guardas femininas para que se possa revistar e bater também nas mulheres sem entraves legais.

A verdadeira causa dos assaltos, que são esporádicos, é o projeto privatista do PSDB. Além das fundações que expropriam os recursos da universidade pública, as quadrilhas que aparecem na USP assaltam de maneira planejada, sob a escolta da PM. A função da polícia e da Guarda Universitária na USP é criar um clima de terror, vigiando e revistando os estudantes “suspeitos”, que para a SS da USP são os negros e os pobres. A Guarda Universitária na USP é a continuidade da ameaça das ruas com policiais e das seguranças que humilham e expulsam pessoas inocentes dos shoppings.

Andar em universidades, shoppings e outros lugares feitos para a classe média e alta sempre apresenta um risco, o de ser abordado por seguranças particulares e ser levado para salinhas de interrogatórios e posteriormente ser retirado do estabelecimento pela força. Com a discussão sobre a segurança, a política do PSDB, adotada pelo Psol e pelo PSTU, é a de impedir o acesso de algumas pessoas “suspeitas” na USP e vigiar estudantes e funcionários para que não se organizem contra a privatização da universidade. Com a proposta de se discutir novamente um projeto alternativo de segurança para a USP, Psol e PSTU colaboram mais uma vez com a política repressiva do PSDB. Querem, na verdade, discutir um projeto alternativo de repressão.

Ivan Conterno, estudante de Letras e militante do PCO