Na USP quem governa já é a direita golpista – parte 2

NAZITUCANO

Como vimos na primeira parte desse artigo (publicada na edição n° 163 deste jornal) a USP, ou o Estado uspiano, já foi vítima de golpes ao longo de sua história, fazendo com que a universidade-estado mergulhasse em uma ditadura. Vale lembrar que os golpes de Estado dados na USP foram, em sua maioria, de caráter “constitucional”, ou seja, consistiram na aprovação por parte de um órgão de soberania (no caso o governo do Estado de São Paulo, sob controle do PSDB) através de lacunas existentes no Estatuto da USP que permite que o governador de São Paulo escolha a dedo o reitor, ou mais apropriadamente o interventor.

Marco Antonio Zago, é o atual governante do Estado uspiano e foi apontado como reitor por Geraldo Alckmin, do PSDB, em 2014. Sua função foi substituir seu antecessor João Grandino Rodas e dar continuidade aos planos de austeridade dentro da USP, cortando bolsas de estudo, obras de infraestrutura, vendendo imóveis da universidade, desvinculando os hospitais universitários, fechando creches e bandejões e demitindo trabalhadores.

O plano adotado por Zago combina a redução dos gastos do Estado uspiano, a destruição de 3 mil postos de trabalho no setor público e a proposta de aumento da iniciativa privada e a cobrança de mensalidades na USP.

Para aproximar a universidade da iniciativa privada, Zago propõe a autonomia de cada faculdade e instituto para firmar acordos com empresas e a flexibilização da grade curricular, seja para cortar gastos, seja para adapta-la aos interesses daqueles que passarão a financia-la, as fundações privadas que atuam dentro da universidade, por exemplo, estão sendo encorajadas pela reitoria.

Mas, nem tudo, ou quase nada, é novidade. Zago passou a requentar modelos de austeridade de governantes que lhe antecederam, como, por exemplo, a desvinculação no ano passado do Hospital de Reabilitação de Anomalias Cranofaciais (o HRAC), de Bauru, que foi uma cópia do que aconteceu em dezembro de 2005 quando a Fundação Zerbini, que era controlada pelo professor José Franchini Ramires que também era diretor do Instituto do Coração (InCor) e vice-presidente da Comissão Especial de Regimes de Trabalho da USP, privatizou parcialmente o InCor instituindo nele a “segunda porta” (atendimento privilegiado a pacientes particulares e conveniados). Ou seja, o objetivo é fazer o mesmo com o HRAC, agora sob as rédeas da Fundação Faculdade de Medicina. E futuramente com o Hospital Universitário (HU).

O enxugamento do quadro de funcionários é parte fundamental de todo esse plano. Com a aplicação do Plano de Demissões Voluntárias (PDV) a reitoria pretende se livrar dos trabalhadores mais velho para reduzir o perfil etário dos servidores da USP. Primeiro, porque assim Zago se livra de pagar salários, que não poderiam ser reduzidos, e direitos trabalhistas. E segundo, que ao demitir essa quantia de funcionários irá desfalcar setores inteiros o que possibilitará o fechamento de serviços, como aconteceu com o restaurante universitário da Prefeitura do Campus esse ano e com as vagas nas creches.

O plano de austeridade adotado por Zago é o programa da direita nacional e do imperialismo sendo posto em prática, é o programa de cortes sem precedentes. Para o próximo período Zago está preparando um novo pacote de austeridade e a entrega de mais uma parcela da universidade à iniciativa privada e, naturalmente, isso só pode ser levado adiante por um governo mais repressivo e que imponha sua vontade acima da população.