O resultado inesperado da eleição do DCE da USP

Na última semana ocorreram as eleições ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP. Com oito chapas concorrentes, cerca de uma semana de campanha e apenas três dias de votação, quase nove mil votos foram depositados nas urnas em todos os campi da USP, Deus sabe lá como. Mesmo com pouco ou nenhum movimento estudantil nas unidades do interior, há uma grande quantidade de votos que vem destas unidades.

Concorrendo pela primeira vez na eleição à entidade central dos estudantes, a chapa Manifesta se elegeu com incríveis e inesperados 3.949 votos. Apesar de contar com boa parte dos membros e dos partidos (Psol e PSTU) da antiga gestão, Para Virar a USP do Avesso e também das duas anteriores, Não Vou Me Adaptar (1 e 2), é a primeira vez que a chapa Manifesta consegue tal êxito.

Como se pode observar na tabela abaixo, que compara esta com as eleições anteriores, mesmo que haja uma variação significativa no número de votos, a posição no resultado varia pouco entre os grupos. Haja greve, ocupação, grandes manifestações, processos, marasmo, o resultado pouco se altera. A petrificação do resultado já se assemelha às eleições presidenciais, com o PT sendo substituído por Psol e PSTU.

Psol/ PSTU Direita PT/ Consulta Popular PT/PCdoB MNN LER POR PCO
2015 3949 2228 1760 149 167 468 65 29***
2014 4991 2405 2107 86 182 387 46 29
2013 2640 1091 1395* 214 191 60*
2012 6964 2664 2579 250 ** 503*
* Formações de chapa de unidade
** Abandonou a chapa 27 de Outubro para apoiar Psol/PSTU
*** O número que Psol/PSTU queria colocar e não tiveram coragem

O motivo para um processo tão estável, sempre garantindo a estabilidade dos dois partidos à frente do DCE é o mesmo que garante a eleição sempre nas mãos dos grandes partidos da burguesia. Não há um processo eleitoral verdadeiramente democrático, o tempo é extremamente curto, os debates cada vez mais escassos e a colheita dos votos manipulada.

Não é possível que unidades do interior tenham uma participação maior dos estudantes em relação às unidades onde há mais movimento estudantil e ainda de forma tão unitária em apenas uma chapa como acontece aqui. Estes grupos formaram uma máquina eleitoral, pouco ou nada ligada ao movimento real dos estudantes na universidade.

RELAÇÃO ENTRE ESTUDANTES E NÚMERO DE VOTOS DA GRADUAÇÃO
Unidades Graduandos Votantes %
ICB 56 51 91%
IRI 315 119 38%
Enfermagem – RP 558 202 36%
FM 1429 393 28%
EE 441 107 24%
FZEA 1297 304 23%
Poli 4747 1072 23%
Direito 2442 499 20%
EEFE 529 105 20%
FMVZ 436 83 19%
ECA 2169 379 17%
Lorena 1596 266 17%
Direito – RP 487 76 16%
FO 731 104 14%
Esalq 2003 276 14%
IQ 736 101 14%
FFCL – RP 1757 237 13%
FFLCH 10110 1363 13%
FEA 3101 418 13%
FSP 436 58 13%
Educação 873 105 12%
Medicina – RP 1211 144 12%
EACH 4887 577 12%
IME 1751 202 12%
IAG 357 39 11%
Psicologia 1303 126 10%
São Carlos 5081 478 9%
Farmácia 973 90 9%
Farmácia – RP 443 38 9%
FAU 1337 99 7%
Oceanografia 234 14 6%
IGC 495 28 6%
FEA – RP 1320 57 4%
IB 778 28 4%
Física 1303 12 1%

A direita e a chapa formada por Consulta Popular e PT, que revezam no segundo e terceiro lugar, tentam apenas formar uma máquina eleitoral tão forte quanto ou simplesmente que se mantenha quando a crise da chapa da situação tirá-la do páreo.

A saída para esta situação é acabar com esta forma de eleição, muito parecida com o sistema estatal e do coronelismo. A escolha da direção do DCE deve ser feita em um longo processo de debate, em um congresso estudantil, para que o conjunto dos estudantes envolvidos na luta política dentro da universidade possam se esclarecer e participar ativamente.