Filusp

Há quem diga que o que difere o humano dos demais animais é a sua capacidade de organização, sobretudo a capacidade de formação de filas. Convivemos com filas a vida toda, desde a fila de espera para a maternidade até a fila do INSS. O que acontece na USP, no entanto, chega a ser desumano.

São trinta minutos de fila para pegar o circular superlotado; mais trinta na fila para abastecer o cartão do bandejão e outros trinta até conseguir ser servido; outra fila na sessão de alunos, na Superintendência de Assistência Social (SAS), xerox… Do jeito que as salas estão lotadas, terá fila até para assistir a aula.

Todas estas filas não são normais, não existem desde sempre. As inúmeras filas na USP são consequência do processo de sucateamento e privatização da universidade. Antes de existir o BUSP, havia um ônibus circular da USP gratuito, sem as filas gigantescas que existem hoje. Esse circular foi sendo cortado e abandonado pela USP, até que em 2014 a reitoria acabou com ele, sem qualquer aviso.

A fila do bandejão também já foi bem menor. Foi com a adoção do cartão magnético e a instalação de catracas que a situação foi piorando. Isto tudo é agravado no campus Butantã por ter apenas um posto de recarga do cartão. Nas outras filas não é muito diferente: a razão para tanta espera e filas tão longas é o desmonte da universidade pela reitoria.