Há um golpe de estado em marcha

A situação nacional não deixa dúvidas. Após não conseguir ganhar as eleições por 12 anos, a direita partiu definitivamente para uma política de golpe de Estado, para retomar o governo em suas mãos e impor uma mudança profunda no sistema político brasileiro.

No Congresso Nacional, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff está em andamento, encabeçado por PSDB e DEM. A Polícia Federal e a Justiça Federal do Paraná leva adiante a Operação Lava Jato, com o claro objetivo de perseguir lideranças petistas, por meio das delações premiadas de empresários das empreiteiras. Tudo isso é acompanhado de perto pela imprensa burguesa, engrossando a campanha golpista.

Não querem, com isto, apenas derrubar o governo. Falam em cassar partidos, privatizar a Petrobrás, mudanças na legislação trabalhista e eleitoral, aumento do aparato repressivo, etc. Parte disso já é feito enquanto o governo está acuado, como a aprovação da Lei Antiterrorismo e a mudança do Marco do Pré-sal, que permite a privatização total de novos poços de petróleo nas maiores bacias brasileiras.

E o que a USP tem com isso? A principal universidade do país é um dos alvos dos golpistas, que querem privatizar tudo o que for possível. Esta é a política do PSDB há anos, mas a resistência dos estudantes e de funcionários e professores impediu isto até agora.

Diante da suposta crise financeira, o reitor da USP, Marco Antonio Zago deu início a um processo de desmonte da universidade. Um bandejão foi privatizado e outro fechado, foi aberto um Plano de Incentivo à Demissão Voluntária e iniciou-se um processo de desvinculação dos hospitais da USP. Os principais jornais da burguesia começaram, simultaneamente, a fazer campanha contra o caráter público e gratuito da universidade, propondo a privatização e a cobrança de mensalidade.

Se o golpe for completado, este ataque à USP e ao ensino superior do país como um todo será ainda mais fácil e rápido para eles. Isto coloca a necessidade de mobilizar estudantes funcionários e professores contra este golpe e em defesa do caráter público e gratúito da universidade.