Quem quer mensalidades na USP?

Nas duas últimas décadas, os seguidos governos do PSDB impuseram uma série de ataques à USP, assim como todas universidades e empresas estaduais. O objetivo final destes ataques é a privatização da principal universidade do país.

Nos últimos anos, uma nova campanha tomou conta de editoriais, principalmente do jornal Folha de S. Paulo e da ação de políticos tucanos. Discutem agora a cobrança de mensalidades na USP, propondo a medida sempre que surge uma crise, seja ela financeira ou política.

A cobrança de mensalidades seria mais um passo em direção à privatização. Os estudantes mais pobres seriam excluídos da universidade ou submetidos a sistemas de financiamento similares ao Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). O modelo são as universidades dos Estados Unidos e Inglaterra, onde jovens ficam cada vez mais endividados e os cursos de ciências humanas estão sendo fechados.

O atual reitor, Marco Antonio Zago, já afirmou que também pretende reforçar o filtro social do vestibular. Zago pretende estabelecer uma entrevista para os ingressantes na universidade. A medida daria critérios subjetivos, tornando o ingresso na USP uma decisão política da burocracia que a dirige e, em última instância, do Estado.

A manutenção desta universidade como melhor do país é consequência principalmente do movimento estudantil, que opôs resistência aos inúmeros ataques nos últimos anos. Este movimento tem como objetivos não só conter a destruição tucana, mas também obter melhorias e uma maior abertura da universidade.

Neste sentido, é preciso lutar pelo fim do vestibular, estabelecendo o livre ingresso, independentemente de cor e origem social. Para acabar com os desmandos do governo estadual na USP, também é preciso exigir uma verdadeira autonomia universitária. Esta autonomia só pode ser obtida suprimindo o reitorado e o estabelecimento de uma administração formada por estudantes, funcionários e professores representados de maneira democrática, isto é, proporcional.