A história da luta dos estudantes da USP

3 de maio de 2007

Estudantes ocupam reitoria da USP contra os decretos do então governador José Serra (PSDB), que retiravam a autonomia da universidade. A ocupação se estendeu por 50 dias, colocando a reitoria e o governo contra a parede. Naquele momento, governo e reitoria não mandaram a polícia reprimir os estudantes, com medo de abrir uma crise ainda maior

22 de agosto de 2007

João Grandino Rodas, então diretor da Faculdade de Direito chama a Polícia Militar a invadir a Faculdade para retirar manifestantes que ocupariam as Arcadas por 24 horas como parte das “jornadas em defesa da educação”

28 de maio de 2008

Resolução elaborada pela Comissão de Legislação e Recursos, proposta por João Grandino Rodas é aprovada no Conselho Universitário, permitindo a entrada da polícia na USP quando solicitada

10 de dezembro de 2008

Claudionor Brandão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), é demitido “por justa causa” pela então reitora Suely Vilela, apesar de ter estabilidade no emprego como sindicalista

1º de junho de 2009

Polícia entra na USP para reprimir piquetes da greve dos funcionários. A partir daí passa a fazer rondas constantes na universidade

4 de junho de 2009

Milhares de estudantes realizam assembleia e decidem entrar em greve, pela readmissão de Brandão, pela saída da então reitora, Suely Vilela, e pela saída da polícia do campus

9 de junho de 2009

Estudantes realizam ato na Cidade Universitária, cuja principal reivindicação é a saída da PM da USP. No final da manifestação, policiais armam provocação e reprimem estudantes com balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetete. O caso ganha repercussão nacional e tem o repúdio de diversos professores. Nesse dia mais de 3 mil estudantes se reúnem em assembleia em frente à FFLCH contra a presença da PM e fortalecem a greve

13 de novembro de 2009

Rodas é nomeado reitor pelo governador José Serra, apesar de ter ficado em segundo lugar na votação interna da universidade

26 de novembro de 2009

Cerca de 200 estudantes, enfrentando o boicote do DCE e dos centros acadêmicos se reúnem para realizar um ato pedindo “fora Rodas!”, no dia marcado para sua posse. O gabinete do reitor, que estava em reforma, é ocupado em protesto contra sua nomeação e a falta de poder de decisão dos estudantes

18 de janeiro 2010

Segunda manifestação pedindo a saída de Rodas, que estava sendo empossado pelo governador em solenidade na Sala São Paulo. A manifestação é reprimida pela polícia e três estudantes são detidos, dois deles militantes da AJR, juventude do PCO

8 de abril de 2010

Estudantes aprovam a palavra-de-ordem “Fora Rodas” em assembleia geral realizada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). DCE não divulga a resolução e diz à imprensa que ela não representa a vontade da maioria dos estudantes, numa visível política de conciliação com a reitoria

18 de março de 2010

Moradores do CRUSP ocupam o Bloco G, parte da moradia que havia sido tomada pela administração da universidade. Descobrem aí documentos mostrando a vigilância e um elaborado sistema de controle da universidade sobre os moradores

Novembro de 2010

Reitoria abre processo contra 24 estudantes em razão da ocupação da reitoria em 2007 e da ocupação da moradia em 2010. Os estudantes estavam ameaçados de “eliminação”, com base em um código aprovado durante a ditadura militar

18 de maio de 2011

Morre assassinado o estudantes Felipe Ramos Paiva, no estacionamento da Faculdade de Economia e Administração. No exato momento em que o jovem foi assassinado, a polícia realizava uma blitz dentro do campus, há poucas centenas de metros dali

8 de setembro de 2011

Convênio entre USP e Polícia Militar é assinado. A partir daí várias arbitrariedades policiais são relatadas por estudantes, funcionários e inclusive professores

27 de outubro de 2011

Polícia aborda três estudantes que portavam maconha e decidem levá-los para a delegacia. O fato gera enorme revolta entre os estudantes contra a presença da polícia. Há confronto entre polícia e estudantes. No mesmo dia é realizada uma assembleia e estudantes decidem ocupar o prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)

1º de novembro de 2011

Estudantes desocupam prédio da FFLCH e ocupam reitoria da USP. As reivindicações centrais são a saída da PM do campus e o fim dos processos administrativos e criminais contra estudantes e funcionários

8 de novembro de 2011

Depois de negociações frustradas, reitoria manda cumprir reintegração de posse do prédio, para onde são enviados mais de 400 policiais da Tropa de Choque, cavalaria e batalhões especiais. 73 estudantes são presos e acusados de depredação do patrimônio público, entre outros. À noite, mais de três mil estudantes se reúnem no prédio dos cursos de História e Geografia e deliberam por greve geral

17 de dezembro de 2011

A reitoria decide expulsar arbitrariamente oito estudantes moradores do CRUSP com base no decreto 52.906, de 1972, presente no regimento da universidade

6 de janeiro de 2012

A Polícia invadiu o espaço de convivência dos estudantes no CRUSP, cercando-o com tapumes e fechando o acesso aos estudantes

Fevereiro de 2012

Rodas privatizou os ônibus circulares do campus, que passaram a ser controlados pela SPTrans que lucra a cada volta da catraca

30 de outubro de 2012

Câmeras escondidas, instaladas pela Coseas e pela reitoria com o objetivo de espionar a atividade dos estudantes, foram encontradas no saguão do Bandejão Central

22 de dezembro de 2012

Rodas destrói o Canil, espaço ocupado pelos estudantes na ECA.

Junho de 2013

Estudantes da USP têm participação ativa nas manifestações contra o aumento da passagem

9 de agosto de 2013

Estudantes do Direito entraram em greve em função de problemas na matrícula e pedindo modificações na grade curricular. A paralisação durou cerca de 20 dias

9 de setembro de 2013

Estudantes, professores e funcionários da EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades), no campus da USP Leste entram em greve em razão da contaminação do solo da unidade

1º de outubro de 2013

Depois de ato em frente ao Conselho Universitário, estudantes decidem ocupar o prédio da reitoria e entrar em greve

12 de novembro de 2013

Polícia cumpre novamente reintegração de posse da reitoria. Dois estudantes são presos do lado de fora do prédio e chegam a ser levados para o Centro de Detenção Provisória

13 de maio de 2014

Recém-empossado, reitor Marco Antonio Zago anuncia cortes no orçamento, congelando salários, contratações, obras e compra de materiais na USP

27 de maio de 2014

Estudantes, funcionários e professores entram em greve contra cortes anunciados pela reitoria. Greve durou mais de 100 dias e foi reprimida pela PM diversas vezes

2 de julho de 2015

Policiais invadem o Núcleo de Consciência Negra da USP e levam dois menores de idade negros presos.